Cardiologista de Foz inova ao relacionar sono com doenças no coração
Um em cada três brasileiros tem pausas na respiração durante o sono; o cardiologista dr. Eduardo Martins defende que o acesso ao exame domiciliar de sono estimula diagnósticos
Sono durante o dia, cansaço excessivo, dor de cabeça ao acordar, dificuldade de concentração e alteração de humor. Esses são alguns dos sintomas apresentados por pessoas que não dormem direito, mesmo sem perceber. A causa pode estar relacionada a respiração superficial e até a pausas respiratórias durante o sono, com queda na oxigenação do sangue e aumento da pressão arterial. Para facilitar os diagnósticos e preservar a saúde do coração, o cardiologista dr. Eduardo Martins, de Foz do Iguaçu, é o primeiro da região a integrar o sono na prevenção cardiovascular, oferecendo um exame que pode ser feito em casa: a polissonografia do tipo 4.
“Essa versão domiciliar da polissonografia é um exame do sono mais acessível que oferece conforto para monitorar, principalmente, a respiração e identificar distúrbios como a apneia obstrutiva do sono”, explica dr. Eduardo. Um pequeno sensor é conectado ao dedo do paciente e encaminha informações a um aplicativo de celular, dispensando fios e laboratórios.
Estudos apontam que um em cada três brasileiros fica períodos sem respirar enquanto dorme, mas nem todos sabem disso. Dr. Eduardo já realizou e monitorou em torno de 1.000 exames de sono domiciliares. Mais da metade dos pacientes apresentou apneia leve, apneia moderada e apneia grave. E muitos foram surpreendidos pelos resultados.
Aos 75 anos, Maria Angelina Zanardo acordava cansada há anos. “Era aquela sensação de que o espírito tinha passado a noite vagando”, relembra ela, “e eu sempre sentia dor de cabeça ao acordar”. Numa consulta de rotina com dr. Eduardo, a suspeita de apneia foi levantada, mas como vive sozinha, não soube dizer se parava de respirar à noite. “Quando dr. Eduardo disse que eu precisaria fazer o exame de sono, fiquei tensa ao pensar que teria que dormir na clínica, mas ao saber que poderia levar o aparelho para casa, relaxei,” conta.
Depois de uma noite de monitoramento, veio o diagnóstico. Maria tinha episódios de suspensão da respiração que faziam os níveis de oxigenação do sangue cair de forma preocupante a cada dois minutos! Além disso, apresentou episódios de ronco em mais de 70% do tempo. O sofrimento gerado pelas condições do sono estava muito acima do aceitável. Era como se ela enfrentasse uma maratona extremamente desgastante todas as noites.
“Esse exame mudou a minha vida!”, comemora a paciente. Maria diz que não apresenta mais sonolência excessiva durante o dia, se sente muito mais disposta e percebe que, agora, dorme noites de sono reparador. O tratamento inclui o uso de medicamentos para controle da pressão arterial e uso do CPAP, um aparelho que envia um fluxo contínuo de ar por meio de uma máscara (usada no nariz ou nariz e boca), enquanto a pessoa dorme. Esse fluxo mantém as vias aéreas abertas, evitando que a garganta feche durante o sono.
O sono e o coração
Dr. Eduardo Martins reforça a importância de cada pessoa ser analisada de forma individual e integral nas consultas, levando em conta o estilo de vida e os agentes causadores de estresse e ansiedade, por exemplo. “Em 2022, a Associação Americana de Cardiologia publicou o oitavo fator considerado um pilar para a saúde do coração: o sono”, informa o cardiologista. Os outros sete pilares são: parar de fumar, perder peso, fazer exercícios, cuidar da alimentação, controlar a diabetes, reduzir colesterol e diminuir a pressão arterial.
Dr. Eduardo Martins
Formado em Medicina pela UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), com residência em Cardiologia pelo Prontocor (Belo Horizonte) e parte da residência na Cleveland Clinic, em Cleveland, Ohio (EUA). Membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2007. Possui título de ergometrista (habilitado para realizar e monitorar teste de esforço) e de cintilografista (diagnóstico por imagem). Desde 2015 integra o corpo clínico do Hospital Albert Einsten, em São Paulo. Em 2017 funda o Instituto de Cardiologia Comportamental (ICcor), único com essa abordagem em Foz. Atua no Hospital Municipal Padre Germano Lauck e Hospital Itamed, além de oferecer atendimento em consultório no ICcor, em Foz do Iguaçu. Soma mais de 20 mil atendimentos na área de cardiologia ao longo da carreira.
