Registros inéditos de espécies realizadas em Foz do Iguaçu durante evento mundial

Aranha-papa-moscas e saracura-carijó foram registradas durante o Desafio da Biodiversidade Urbana no município

 

Entre os dias 28 de abril a 1º de maio, a cidade de Foz do Iguaçu participou do Desafio da Biodiversidade Urbana, um dos maiores eventos de ciência cidadã que ocorre simultaneamente em diversas cidades do mundo. O evento, que em inglês se chama City Nature Challenge, contou com a participação de 50 voluntários, que realizaram 1.322 observações, identificando 495 espécies de seres vivos que habitam o perímetro urbano do município.

“O evento mundial visa oferecer uma oportunidade para os cidadãos conhecerem melhor as espécies de flora, fauna e fungos selvagens na cidade; incentivar os cidadãos a contribuir com registros (fotos ou sons) de qualquer forma de vida, em ambiente urbano; acrescentar registros de espécies não registradas em desafios dos anos anteriores; gerar sensibilidade no cidadão, em prol da conservação da biodiversidade”, comenta Luciana Chiyo, médica veterinária observadora de aves.
Neste ano, o Birdwatching Foz, o Parque das Aves, a UNILA e o Instituto Ideia Ambiental se uniram para capacitar a comunidade no uso da ferramenta iNaturalist, usada para fazer registros de animais e plantas em ambiente urbano. No desafio de 2022, Foz do Iguaçu teve uma participação tímida, contando com apenas 8 voluntários, que registraram 15 espécies.

Registros inéditos
No período do evento, a observadora de biodiversidade Chris Farias registrou uma aranha rara! Trata-se da aranha-papa-moscas (Tullgrenella guayapae), que não possuía registros fotográficos no site iNaturalist.

Papa-moscas (Tullgrenella guayapae) – Chris Farias

A espécie mais registrada no evento foi o carismático joão-de-barro (Furnarius rufus), com 25 observações, seguido da rolinha-avoante (Zenaida auriculata), o bem-te-vi (Pitangus suphuratus), a formiga-saúva (Atta sp.) e o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva). O besouro-angorá (Astylus variegatus) surpreendeu a todos, pois foi fotografado em diversos pontos da cidade, provando que no outono sua fase de reprodução está bem ativa.

Outro registro importante para o evento foi da saracura-carijó (Pardirallus maculatus) alimentando seu filhote, pois seu registro fotográfico com filhote foi inédito para Foz do Iguaçu.

“Triste foi assistir a cena enquanto mãe e filhote estavam ao lado de uma garrafa pet, descartada inadequadamente em um lago da região central da cidade. Foz do Iguaçu é lar de espécies incríveis, que desempenham papéis insubstituíveis no ecossistema, porém a sociedade parece não se importar com as espécies da fauna e flora da Mata Atlântica. É preciso sensibilizar toda a comunidade para cuidar dos nossos rios, parques, praças, árvores, aves, insetos, solo e todos os elementos que nos permitem viver. Sem os serviços ecossistêmicos oferecidos gratuitamente para nós, nossa existência na Terra estará ameaçada!”, comenta Fabrício Vilela, do Birdwatching Foz.

Histórico do evento
O desafio de ciência cidadã surgiu em 2016, em conjunto com o Museu de História Natural de Los Angeles e a Academia de Ciências da Califórnia. O evento aproveitou a rivalidade amigável existente entre Los Angeles e a Califórnia, visando estimular os cidadãos daquelas cidades a registrar a sua biodiversidade urbana.

“A primeira edição do evento durou oito dias e mais de mil pessoas fizeram 20 mil registros de aproximadamente 1.600 espécies em cada cidade. O sucesso e a diversão foram tão bem aceitos pela população local que o evento foi elevado a nível nacional em 2017, e a nível internacional, em 2018. O Brasil participa desde a primeira edição internacional. Em 2022, 12 cidades ou áreas participaram do CNC nacional. Naquele ano, foram realizadas 63.541 observações de 7.464 espécies diferentes, por 3.076 participantes”, comenta Ben Phalan, chefe de conservação do Parque das Aves.

Dados mundiais de 2023
Participaram do evento 488 cidades ou regiões, de todos os continentes, somando 65.790 observadores voluntários, foram feitas mais de um milhão e oitocentas mil observações! Foram identificadas 57.277 espécies de seres vivos, com a ajuda de 15.305 identificadores.

“Embora não seja uma competição, existe uma contagem, e Curitiba liderou o número de registros no Brasil, com a ajuda de 185 observadores, que enviaram 6.959 registros, de 1.392 espécies diferentes. No ranking mundial, a cidade de La Paz, na Bolívia, liderou o desafio, contando com a participação de 3.027 pessoas, que enviaram mais de 126.000 registros, de 5.343 espécies distintas”, explica Alberto Mejia Paniagua, estudante da UNILA.

Assessoria