Charanga da Yolanda encanta crianças e adultos em sua segunda edição
Carnaval embalado aos velhos tempos e realizado em bairro tradicional recebeu bom público e rodízio de grupos musicais
Redação Almanaque Futuro com fotografias exclusivas de Abel da Banca
A Charanga da Yolanda, proposta que resgata o lirismo dos foliões que preferem marchinhas e ritmos de outrora, foi realizada com brilho incontestável, atraindo um público ainda mais numeroso que em 2025. O evento, como todos os festejos de Foz do Iguaçu, enfrentou a apreensão das condições climáticas, dado que a previsão indicava chuvas moderadas — as mesmas que, na noite anterior, haviam prejudicado a abertura oficial no centro da cidade, momento em que o Rei Momo recebeu as chaves das mãos do prefeito General Silva e Luna. Contudo, um imprevisto de outra natureza testou o espírito dos organizadores e frequentadores: a interrupção da energia elétrica.
Por volta das 15h de sábado, enquanto os últimos detalhes da estrutura eram finalizados, um transformador da rede da Copel cessou suas funções. Mesmo com a pronta assistência da Fundação Cultural — valiosa parceira do evento — e da equipe de iluminação pública da prefeitura, os reparos se estenderam até as proximidades das 19 horas. Diante do quase breu, o improviso tomou conta com elegância: fornecedores providenciaram geradores e o Bloco Papai Urso, anfitrião da festa, utilizou baterias automotivas para garantir que o som não silenciasse. Tal esforço foi recompensado pela fidelidade do público, composto em sua maioria por famílias que levaram seus pequenos para a matiné e para o aguardado concurso de fantasias.
O certame de fantasias infantis, embora realizado sob a limitação da falta de luz, manteve seu encanto. Três vencedores foram agraciados com prêmios gentilmente oferecidos pelo Parque das Aves, incluindo ingressos familiares e experiências exclusivas nos restaurantes do atrativo.Tambem foram ofertadas, três premiações em ingressos para o Planeta Park.

Em sua segunda edição, a Charanga não apenas cumpriu as expectativas, como serviu de ponto de encontro para outros grupos, como os Pierrôs, que encantaram a todos com a vivacidade de suas vestes características. O “Papai Urso” antecipou a performance de sua bateria, acompanhada por metais, um elemento crucial para manter o ânimo da plateia. Com o restabelecimento da energia, a programação seguiu em ritmo de celebração, com apresentações ajustadas ao tempo, como o grupo de Folclore Popular Infantil comandado por Thiago e Sophie.

Um dos momentos mais aguardados ocorreu quando Luana e o Maestro Ademir assumiram o proscênio. Impecáveis, entregaram uma belíssima performance; embora o cardápio de marchinhas tenha sido abreviado pelos contratempos, foi profundamente apreciado pelo público, que se acomodava em cadeiras espalhadas por toda a área, em um cenário de pura confraternização.
O encerramento foi digno das grandes orquestras: a Banda Mistura de Cores conduziu o último capítulo da noite com Spartaco e um selecionado de músicos renomados da cidade, contando inclusive com a presença do compositor Sérgio Copetti. A folia estendeu-se até as 22h30, mas o público ainda permaneceu no local, desfrutando da organização gastronômica.
Sabor e tradição à mesa
Pautada pela hospitalidade familiar, a Charanga da Yolanda ofereceu um leque gastronômico variado. Além do serviço já consagrado de Joãozinho Espetinhos, o espaço contou com pratos elaborados, como o celebrado torresmo de rolo, e opções de lanches com preços atrativos.
Para Clóvis Quadros, presidente do Bloco Papai Urso, o evento é o ápice da agremiação: “Começamos cedo, meses antes, para organizar, e dedicamos as semanas que antecedem o Carnaval aos ensaios. Realizamos várias performances na Avenida Brasil, fidelizando o público, mas a Charanga é surpreendente. Já sabemos que será uma grande opção no futuro; não tínhamos vislumbrado essa face gastronômica de atrair pessoas pela qualidade dos alimentos. Realizar algo assim me parece inovador”, afirmou Clóvis.
A força da hospitalidade de Joãozinho
O empresário Joãozinho investiu pesadamente na estrutura para abrigar a folia. Com obras que ampliaram a cobertura do local — que hoje ocupa quase 80% do quarteirão —, a logística para a noite de Carnaval foi minuciosa. “Por incrível que pareça, é raro faltar energia nesta parte da cidade, pois estamos ao lado da Copel. Quando ocorreu o apagão, em vez de lamentar, agimos com gelo e medições constantes nos freezers para manter o padrão das bebidas. A feitura dos espetinhos seguiu em ritmo total, atendendo a clientela no tempo regular da casa. Apesar do volume superior de visitantes e turistas, nossa equipe deu conta do recado. Participar da Charanga é um privilégio; é o nosso maior evento anual e só ouvimos elogios dos frequentadores”, declarou Joãozinho, que também colabora cedendo infraestrutura de luz e água para a organização. Várias artesãs ocuparam parte do espaço para a exposição e comercialização de seus produtos.
Em compasso de espera
Uma estratégia que se provou acertada foi o cronograma do “FozFolia”. Na noite de sábado, muitos foliões utilizaram a Charanga da Yolanda como ponto de concentração, aguardando o momento de seguir para o complexo da Praça da Paz para assistir ao show do grupo Fala Mansa — apontado como uma das maiores audiências da história do carnaval iguaçuense.
O olhar da gestão cultural – A diretora-presidente da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, Patrícia Iunovich, prestigiou o evento e foi calorosamente recebida. “Estive desde as 15 horas em gestão direta com os responsáveis pela energia. Estou impressionada com a organização da Vila Yolanda. A Charanga possui um charme que se assemelha à alma da localidade. Ver as crianças correndo com confetes e serpentinas me emocionou, transportando-me aos tempos de infância. Ano que vem, faremos um carnaval ainda melhor aqui e em toda a cidade”, pontuou Patrícia.

O ex-presidente da Fundação, Rogério Bonato, um dos precursores da Charanga e criador do Carnaval da Saudade, reforçou o espírito de resiliência: “não há o que intimide o espírito carnavalesco. Ficamos sem luz por mais de quatro horas e a festa foi bonita do mesmo jeito. A folia vence qualquer adversidade. É preciso destacar a dedicação da Patrícia, que se dividiu em várias frentes com responsabilidade e um detalhe: performática, sempre com um leque abanando o belo sorriso. Nosso carnaval finalmente está em boas mãos”.
Almanaque na Festa
O portal Almanaque Futuro, parceiro e cofundador da Charanga da Yolanda, é o responsável pela divulgação e organização do Concurso de Fantasias Infantis — o único remanescente na cidade e que dobrou o número de participantes nesta edição. “Nosso portal se dedica a vários eventos, mas a Charanga é o que mais toca o coração. É lindo ver gerações se divertindo juntas, famílias com seus coolers e cadeiras em uma brincadeira sadia e cultural. A festa evolui porque está inserida no espírito popular”, afirmou a jornalista Eliane Schaefer, que já anunciou novidades: “para o próximo ano, com nossos projetos de rádio e TV consolidados, vamos estudar a transmissão ao vivo da Charanga e a Canja do Galo Inácio”.
A Charanga da Yolanda integrou com maestria o calendário oficial do Foz Folia.
