Com aporte de R$ 1,47 milhão, Foz amplia rede de acolhimento e humaniza atendimento a migrantes e vulneráveis
Por ser fronteira e corredor migratório, o município enfrenta desafio complexo; ações são intensificadas no inverno e contam com forte apoio de entidades parceiras.
Redação Almanaque Futuro
Foz do Iguaçu vive uma realidade social única no país. Por sua localização geográfica na Tríplice Fronteira, a cidade consolidou-se como um estratégico corredor de migrantes. Semanalmente, o município recebe pessoas de diversas regiões do Brasil e de outros países da América Latina — além de refugiados de nações em conflito humanitário ou colapso econômico — que chegam à fronteira em busca de abrigo, recomeço e dignidade.
Essa característica exige do município uma mobilização constante de suas equipes de assistência. Esse desafio torna-se ainda mais urgente com a chegada das frentes frias e do inverno. A queda nas temperaturas aciona um sinal de alerta e exige atenção redobrada do setor, que intensifica as abordagens noturnas para garantir que nenhuma pessoa fique exposta ao relento e à hipotermia.
Somado a isso, a sensível dinâmica da fronteira traz à cidade o fluxo de famílias de indígenas, em sua maioria de origem paraguaia. Muitas vezes, essas famílias circulam pelos centros urbanos com crianças pequenas expostas aos perigos do trânsito e da vulnerabilidade das ruas, demandando uma atuação conjunta, respeitosa e interinstitucional, em acordo com as legislações nacionais e os tratados internacionais de proteção aos povos originários.
O poder da rede socioassistencial e o aporte financeiro
Para manter essa engrenagem funcionando, o setor de ação social de Foz do Iguaçu tornou-se um dos mais ativos na atual administração. O trabalho não é feito isoladamente: o município mantém convênio e contato direto com centenas de entidades socioassistenciais da sociedade civil. São organizações não governamentais, abrigos e casas de passagem que se desdobram diariamente para atenuar o drama de excluídos, idosos em abandono, crianças em situação de risco e pessoas em situação de rua.
Para dar suporte financeiro e sustentabilidade a essa rede, o município consolidou a captação de recursos da ordem de R$ 1,47 milhão. O montante está sendo aplicado diretamente na reforma estrutural, adequação física e ampliação das unidades do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), além das casas de acolhimento e albergues públicos municipais.
O coração dessa política de acolhimento na cidade pulsa por meio de programas como a Operação Nossa Casa, cuja coordenação mobiliza equipes especializadas de abordagem social para realizar o primeiro contato diretamente nas ruas. Mais do que oferecer um teto provisório para pernoite, a iniciativa foca em um atendimento integral, garantindo uma alimentação saudável por meio da oferta de refeições diárias balanceadas e monitoradas por nutricionistas.
Na frente de saúde e cidadania, o programa realiza triagens para encaminhamentos médicos imediatos e atua na regularização de documentos civis, um passo essencial especialmente para migrantes e refugiados. Como “porta de saída” para a vulnerabilidade, busca-se a inclusão dos acolhidos em programas de qualificação profissional e fomento ao emprego, traçando um plano real de autonomia e reinserção social e familiar para os usuários. Com a ampliação das vagas e a melhoria das salas de atendimento técnico individualizado viabilizadas pelo novo recurso, Foz do Iguaçu estrutura sua rede para que o atendimento social deixe de ser apenas um paliativo de emergência e passe a ser uma verdadeira ponte de transformação e resgate da dignidade humana.
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