Quem é Pedro Alliana, vice-presidente que pode assumir o comando do Paraguai
Natural de Pilar e integrante do Partido Colorado, político de 52 anos foi governador, deputado e presidente da Câmara. Ele poderá completar o mandato presidencial até agosto de 2028, após a renúncia de Santiago Peña, se o Congresso aceitar a saída.
A renúncia anunciada por Santiago Peña nesta quinta-feira (5) colocou o vice-presidente Pedro Alliana no centro da sucessão política do Paraguai. Aos 52 anos, ele tem uma trajetória de quase duas décadas na política e já ocupou cargos importantes no Executivo, no Legislativo e na direção do Partido Colorado.
Natural de Pilar, capital do departamento de Ñeembucú, Alliana é integrante da Associação Nacional Republicana (ANR), conhecida como Partido Colorado. Ele foi eleito vice-presidente na chapa de Peña em 2023 e, caso a renúncia seja aceita pelo Congresso, deverá assumir a Presidência para concluir o atual período de governo, previsto até 15 de agosto de 2028.
Da política regional à Vice-Presidência
A trajetória política de Alliana ganhou projeção em 2008, quando foi eleito governador de Ñeembucú, departamento localizado no sul do Paraguai. Ele permaneceu no cargo até 2012.
Em 2013, chegou à Câmara dos Deputados como representante de seu departamento. Foi reeleito e, durante a passagem pelo Legislativo, presidiu a Câmara em diferentes períodos, entre 2019 e 2022.
Também teve papel de destaque dentro do Partido Colorado. Entre 2015 e 2023, presidiu a Junta de Governo da legenda, uma das principais forças políticas paraguaias.
Em agosto de 2023, assumiu a Vice-Presidência ao lado de Santiago Peña, depois da vitória da chapa nas eleições gerais daquele ano.
Atuação no governo e relações internacionais
Como vice-presidente, Alliana tem atribuições previstas na Constituição paraguaia. Entre elas estão substituir o presidente em situações de ausência ou vacância, representá-lo quando designado e coordenar as relações entre o Poder Executivo e o Legislativo.
Durante o governo Peña, também participou de agendas internacionais. Em outubro de 2026, esteve em Israel e se reuniu com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Alliana também teve participação em discussões diplomáticas envolvendo o Brasil. Após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai, o vice-presidente participou de uma reunião com o embaixador brasileiro e defendeu a importância da cooperação entre os dois países.
Já tinha planos de disputar a Presidência em 2028
Antes da crise que atingiu o governo, Alliana já havia manifestado interesse em disputar a Presidência do Paraguai nas eleições de 2028.
Em abril de 2026, confirmou sua pré-candidatura, com apoio de lideranças do Partido Colorado, incluindo o ex-presidente Horacio Cartes e o próprio Santiago Peña.
No início de novembro, porém, anunciou que colocaria o projeto eleitoral em pausa para concentrar esforços na situação financeira e política do governo.
A possibilidade de assumir a Presidência agora muda o cenário político e pode alterar os planos eleitorais do vice-presidente.
O que acontece com a sucessão?
A Constituição do Paraguai estabelece que o vice-presidente assume a Presidência em caso de vacância definitiva do cargo. No entanto, a renúncia presidencial precisa ser aceita pelo Congresso Nacional, conforme as atribuições previstas na Carta Magna.
Se a saída de Peña for formalizada, Alliana deverá completar o mandato iniciado em agosto de 2023, sem necessidade de uma nova eleição presidencial.
A Vice-Presidência ficará vaga. Como o atual período constitucional está nos dois últimos anos, caberá ao Congresso designar um substituto, por maioria absoluta dos integrantes das duas casas legislativas.
Repercussão na Tríplice Fronteira
A possível chegada de Alliana à Presidência é acompanhada com atenção em Foz do Iguaçu e nas demais cidades da Tríplice Fronteira. O Paraguai mantém relações econômicas, comerciais, energéticas e diplomáticas importantes com o Brasil.
A relação bilateral envolve temas estratégicos para a região, como a Usina de Itaipu, o comércio entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este e a integração logística e de infraestrutura.
A mudança no comando do Executivo paraguaio poderá influenciar as prioridades políticas e econômicas do país nos próximos meses. Por isso, a formação do novo governo e as primeiras decisões de Alliana, caso assuma, estarão entre os assuntos acompanhados de perto pela região.
Crédito Imagem Nathalia Aguilar – Getty Images
Da Redação Almanaque Futuro