Onças do Bem transforma histórias de superação em ações solidárias em Foz do Iguaçu
Iniciativa surgiu a partir de uma ação solidária no Carnaval e se consolidou como rede de apoio a comunidades vulneráveis em Foz do Iguaçu
O movimento Onças do Bem nasceu da união entre experiências pessoais marcadas pela dor, pela empatia e pelo desejo de transformação social. A iniciativa começou de forma discreta em Foz do Iguaçu, impulsionada pela trajetória de vida de uma de suas fundadoras, Eliandra Vedoy, que enfrentou uma infância marcada pela violência doméstica e pela vulnerabilidade social.
Ainda criança, Eliandra deixou o lar para sobreviver, vivendo nas ruas e enfrentando inúmeras dificuldades. Ao longo desse período, também encontrou apoio em pessoas que estenderam a mão em momentos decisivos. A vivência moldou seu propósito de vida e a levou a assumir o compromisso de ajudar outras famílias a não passarem pelas mesmas situações de sofrimento. Anos depois, esse compromisso começou a se materializar em ações solidárias na cidade.
Paralelamente, a chama da solidariedade também crescia em Cris Strapazzon, outra fundadora do movimento. Conhecida entre amigos por organizar campanhas de ajuda a pessoas em situação de necessidade, Cris reunia esforços coletivos para apoiar causas emergenciais. O encontro entre as duas aconteceu em fevereiro de 2004, quando uma amiga em comum precisou de uma cirurgia urgente.
A resposta veio em formato criativo e popular: um bloco solidário de Carnaval, no qual o ingresso não era dinheiro, mas a doação de cestas básicas. A mobilização superou expectativas. Além de viabilizar o procedimento médico, a ação revelou a força da união comunitária e abriu caminho para algo maior. A partir daquele momento, o grupo decidiu seguir adiante e ampliar o alcance das iniciativas.
O nome Onças do Bem surgiu de forma espontânea e carregado de significado. Eliandra já era chamada de “Onça” por amigos, em referência à sua coragem, resistência e postura combativa diante das injustiças. Cris, por sua vez, representava o “Bem”, pela forma genuína e silenciosa com que praticava a solidariedade. A junção das duas identidades deu origem ao nome que hoje simboliza o movimento.
A escolha também dialoga com a simbologia da onça-pintada: um animal persistente, de visão aguçada, que protege seu território e sua comunidade. Esses valores passaram a nortear a atuação da organização, voltada especialmente ao acolhimento de pessoas em momentos de maior vulnerabilidade.
Atualmente, as Onças do Bem utilizam recursos arrecadados durante o Carnaval e em outros eventos solidários para realizar doações, apoiar famílias em situação de risco e promover ações em comunidades carentes de Foz do Iguaçu. O movimento segue crescendo a partir do engajamento coletivo, mantendo como base a força da união, da empatia e do compromisso social.
