Conexão Litoral: Ponte de Guaratuba entra em fase final e prepara o histórico “beijo” das estruturas
Com 91% das obras concluídas e último estai instalado, estrutura prepara para março a conexão final dos vãos; travessia sobre a baía deve ser liberada em abril, extinguindo décadas de espera no ferry-boat
Da Redação | Almanaque Futuro
Uma das obras de infraestrutura mais aguardadas das últimas décadas no Paraná atingiu um marco decisivo nesta sexta-feira (27). Com a instalação do último estai — os robustos cabos de aço que sustentam o vão central —, a Ponte de Guaratuba entra na reta final para sua inauguração, prevista para abril de 2026. A estrutura já soma 91% de execução, alterando definitivamente a logística de transporte no estado.
Embora a obra esteja localizada a mais de 600 km de distância, o entusiasmo em Foz do Iguaçu é notável. Para os iguaçuenses, a ponte não é apenas uma obra litorânea, mas uma peça-chave de mobilidade.
Historicamente, o veranista da fronteira que busca o litoral paranaense ou o norte de Santa Catarina enfrenta o gargalo da travessia por ferry-boat, que em temporadas de pico pode gerar horas de espera. Com a nova estrutura, o acesso a destinos como Itapema, Balneário Camboriú e Florianópolis torna-se muito mais ágil e previsível. Além do turismo, o setor de transporte e logística de Foz, que possui forte atuação no escoamento de mercadorias e fretamento para o litoral, projeta uma redução significativa nos custos operacionais e no tempo de viagem.
Por que o “Beijo”?
No jargão da engenharia civil, o termo carinhoso “beijo” refere-se ao momento exato da conexão de fechamento.
A ponte está sendo erguida pelo método de balanços sucessivos. Imagine dois braços de concreto crescendo um em direção ao outro a partir de pilares centrais diferentes (os apoios 04 e 05). Até agora, essas duas frentes de trabalho funcionavam como estruturas independentes, equilibradas pelos estais em torres de 40 metros de altura.
O Encontro: Em março, ocorrerá a concretagem da “aduela de fecho”.
A União: É neste instante que as duas pontas se encontram milimetricamente no centro da Baía de Guaratuba.
O Resultado: Após o “beijo”, o que eram dois trechos isolados passa a ser uma única estrutura contínua, permitindo que a carga seja distribuída por toda a extensão da ponte.
Detalhes técnicos
Com 12 pares de estais fixados em cada mastro, a ponte garante estabilidade para suportar o fluxo intenso de veículos de passeio e carga pesada. O coordenador de obras, Carlisandro Silva, confirmou que após o tensionamento das ancoragens nesta sexta, o caminho está livre para os arremates finais, que incluem iluminação, guarda-corpos e sinalização.
Para o Paraná, e especialmente para o eixo Foz-Curitiba-Litoral, o fim da dependência das balsas representa o fechamento de um ciclo de isolamento logístico que durava décadas.
