Presidente da Mocidade fala de samba como símbolo de resistência popular

Durante 4o Encontro de Oris, Mestre Rubinho da Escola de Samba Mocidade Unida do Porto Meira falou sobre necessidade de união, investimento e ancestralidade

No último final de semana aconteceu a quarta edição do Encontro de Ori – experiências ancestrais e rotas negras da fronteira, que reuniu representantes de diferentes entidades e associações. Dentro da programação, Mestre Rubinho, presidente da Escola de Samba Mocidade Unidos do Porto Meira, participou ao lado de Mãe Edna de Baru, Iyalorixá do Ilê Baru – uma das instituições que apoiou a iniciativa – da mesa que teve como tema central: O Samba como patrimônio, memória e resistência cultural na fronteira.

A iniciativa vem de encontro à visibilidade da cultura negra na cidade e traz consigo personagens que escrevem e contam as histórias dessa trajetória na fronteira. Edna e Rubinho compartilharam suas histórias de vida tendo como enredo, o samba.

Mãe Edna trouxe memórias sobre a infância, no Rio de Janeiro, onde foi apresentada ao samba dentro da família e nas comunidades, e também quando chegou à fronteira com a primeira escola de samba em Foz do Iguaçu, a Clara Guerreira. “O samba sempre existiu para agradar a todos, não a pequenos grupos, como acontecia aqui na cidade”.

Mesmo de outra geração, Rubinho também reforçou a necessidade da preservação das raízes, onde o samba agrega não somente como produto comercial, mas como manifestação popular. “O samba é o que conecta, o que comunica a maneira que cada comunidade tem de repassar sua necessidade, do seu espaço”.

Para ele, a salvaguarda do samba e de sua cultura está na Velha Guarda da Escola. “Temos que reverenciar nossos guardiões, são eles que repassam essa sabedoria”, disse lembrando a importância de tratar sobre letramento racial dentro dos encontros. “Ficamos calados por muito tempo, dentro do nosso espaço. A Escola precisa desse protagonismo, mesmo sem ser Carnaval, vamos brigar pelo nosso espaço”.

Outro ponto citado durante o encontro foi a promoção de políticas públicas relacionadas ao samba – considerado patrimônio cultural imaterial no Brasil. “Ainda temos muito que andar e ocupar espaços, não vejo facilidade, é sempre uma luta, e luta é resistência. Muitos da comunidade não conseguem ter acesso aos editais, por diversos motivos, e sem o dinheiro, não há como ter essa interlocução entre poder público e comunidade”. Para ele isso reflete não somente no samba, na Escola, reflete também em investimentos que não chegam a essas comunidades. “Se chegassem, teríamos mais escolas, e mais espaços, por isso insistimos sempre que Carnaval não pode ser feito para turista ver. Por isso vamos falar do nosso povo, das nossas raízes, do nosso bairro. Não somos só as Cataratas, ou um destino de compras, somos mais que isso”.

O evento foi encerrado com a participação da Bateria Furiosa, e uma homenagem a Mestre Rubão, falecido em julho deste ano. Recentemente a diretoria da Mocidade passou por alterações, e hoje Rubens Paulo Santos, filho de Rubão assumiu a cadeira como presidente, com aprovação unânime dos membros.