Festival Vadiação Cataratas reúne mestres e celebra tradição da capoeira em Foz do Iguaçu
Terceira edição do evento promoveu rodas, apresentações culturais e homenagem a Mestre Ary durante três dias de programação na fronteira
Mestres, praticantes e convidados de diferentes regiões do país participaram, entre os dias 27 e 1º de março, da terceira edição do Festival Vadiação Cataratas, em Foz do Iguaçu. O encontro foi marcado por rodas de capoeira, apresentações culturais e momentos de troca de experiências, reunindo mais de 25 mestres logo na abertura do evento.
A programação teve início no Marco das Três Fronteiras, com uma roda de boas-vindas. Ao longo do fim de semana, as atividades também ocorreram na Confraria Esportiva e Cultural de Capoeira, no Mercado Público Barrageiro e no Charrua, ampliando a circulação do público por diferentes espaços da cidade.
No sábado, o festival contou com apresentações do Afoxé Ogum Funmilayo e do Coral Tapepyau da Aldeia Arapy, além de aulas, rodas de conversa e rodas de capoeira voltadas à troca de saberes.

(Crédito: Christian Rizzi)
Entre os participantes estava o baiano Manoel Joaquim Sena de Santana, o Grã Mestre Santana, de 80 anos. Considerado um dos mais antigos presentes no encontro, ele relembrou a trajetória de mais de 70 anos dedicados à capoeira. “Aprendi com minha avó, uma índia potiguara, a luta marana, e depois tive meu mestre Bernardino. Aprendi que capoeira é a liberdade em movimento”. Para ele, o festival representa união. “Quem nos deu essa alegria, possibilitou esse encontro foi mestre Ary”.
Do Rio de Janeiro, Geraldo Costa Filho, Mestre Gegê, de 76 anos, destacou as transformações no reconhecimento da capoeira ao longo do tempo. “ A capoeira depois de considerada patrimônio imaterial, teve sua garantia de ser passada adiante, foi sendo respeitada fora do país e deixou um passado de discriminação para trás. Hoje o perfil de quem ensina capoeira é outro”, afirmou, ao mencionar a formação profissional de muitos mestres.
Nilson Clementino Hanszman, Mestre Cabeça, e José Paulo Pereira, Mestre Corvinho, também ressaltaram a importância da continuidade do legado da capoeira. Para eles, a prática mantém viva a ancestralidade e a ideia de liberdade. “A disciplina orienta a conduta, e isso não muda, não importa a geração”.
A tarde de sábado reuniu alunos e familiares. Entre eles, Marcos Antônio Rodrigues de Souza, contra mestre Espoleta, de Engenheiro Beltrão, que participou acompanhado da esposa e da filha de 8 meses. A família acompanhou as aulas e rodas ao longo do dia. “Essa união faz com que a capoeira cresça ainda mais e incentive a participação de crianças”. Segundo ele, a prática teve impacto direto em sua vida. “Me trouxe minha família, e libertação”.
O encerramento foi marcado por uma homenagem a Mestre Ary. Ele recebeu das mãos de 27 mestres presentes a corda branca, graduação máxima da capoeira, em reconhecimento à trajetória dedicada à modalidade. “É uma honra receber essa graduação. O caminho até aqui foi muito difícil, mas não paro de caminhar”, declarou.
O festival terminou na manhã de domingo com uma visita às Cataratas.
O 3º Festival Vadiação Cataratas é uma iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (SEEC), em parceria com a HOTMILK, Ecossistema de Inovação da PUCPR, e conta com o apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Em Foz do Iguaçu, o evento também teve apoio da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, do Mercado Público Barrageiro e do Marco das Três Fronteiras.
Da Redação com Assessoria
