A Renascença do spray: como o grafite humaniza as cidades e transforma a juventude no sul do Brasil
"Iniciativa da Itaipu Binacional e Itaipu Parquetec leva oficinas de arte urbana a 434 municípios, transformando o concreto das cidades em telas de aprendizado e reafirmando o grafite como a expressão mais democrática da cultura contemporânea."
Redação Almanaque Futuro com informações e fotos enviadas por Itaipu Binacional e Parquetec
Por décadas, o cinza foi a cor predominante das metrópoles mundiais. O concreto aparente, manchado pela fuligem dos veículos e pelo desgaste do tempo, tornava o ambiente urbano hostil e impessoal. No entanto, um movimento que nasceu nas periferias de Nova York na década de 70, sob o estigma da marginalidade, operou uma das maiores revoluções estéticas do século XXI. Hoje, o grafite não é apenas aceito; ele é celebrado como a expressão artística mais democrática e vibrante da atualidade, transformando cidades em museus vivos onde a arte não escolhe público, mas abraça o transeunte.
A Transição do “Vandalismo” ao Patrimônio Cultural
A trajetória do grafite é marcada por uma luta constante contra o preconceito. O que outrora era visto como “sujeira”, revelou-se uma técnica refinada de formas plásticas e gráficas. Artistas mundiais como Banksy e o brasileiro Eduardo Kobra elevaram o spray ao patamar das belas-artes, utilizando o realismo e a geometria para tratar de temas como paz, direitos humanos e preservação ambiental. O grafite venceu as barreiras sociais porque ele ocupa o espaço comum, colorindo o “cinza pardacento” e dando vida nova a locais antes esquecidos pelo poder público e pela sociedade.
Foz do Iguaçu: O Encontro entre o Global e o Local
Foz do Iguaçu consolidou-se como um polo dessa arte urbana. A cidade, já conhecida mundialmente por suas águas, agora atrai olhares pela potência de seus muros. O movimento cresceu com o apoio de políticas públicas e parcerias institucionais que entenderam o valor do grafite para o turismo e para o bem-estar da população.
O Mercado Público Barrageiro é, talvez, o maior símbolo recente dessa integração. O edifício serve como um elo perfeito entre o prestígio internacional e a força da prata da casa. Nas fachadas externas, o traço inconfundível de Eduardo Kobra conecta Foz aos grandes murais de Nova York e São Paulo. Já em seu interior, o público é impactado pelo trabalho detalhista e visceral de Pas Schaefer, artista iguaçuense que demonstra que o talento regional possui a mesma envergadura e qualidade técnica dos maiores nomes do mundo.
O Impacto Social: Itaipu e a Formação de Novos Artistas
Entendendo que o grafite é, acima de tudo, uma ferramenta de transformação e pertencimento, a Itaipu Binacional e o Itaipu Parquetec deram início a um projeto audacioso que transcende a estética. A iniciativa visa levar oficinas de grafite a 434 municípios do Paraná e do sul do Mato Grosso do Sul, focando em jovens de 15 a 24 anos.
Esta ação não é isolada; ela faz parte dos 21 territórios dos Núcleos de Cooperação Socioambiental, integrando educação, cultura e as diretrizes de sustentabilidade do governo brasileiro. A proposta é ocupar o tempo e a mente da juventude com técnica artística, mas também com consciência crítica.
A Jornada Técnica e Educativa
As oficinas, que se iniciam pelo litoral paranaense, não são apenas introduções básicas. Sob o comando de nomes como o artista visual Isaac Souza de Jesus, os jovens têm a oportunidade de manipular materiais profissionais e entender a complexidade por trás de um grande painel. O currículo inclui o “Domínio de Traço”, sendo a precisão das linhas e o controle da pressão do spray; a “Profundidade” com técnicas de luz, sombra e preenchimento que geram o efeito tridimensional e o “Hiper-realismo”, em como transpor detalhes da realidade para a escala monumental das paredes.
Mais do que técnica, há um forte componente ambiental. O diretor-geral da Itaipu, Enio Verri, reforça que o grafite será usado como linguagem para combater a desinformação climática. Ao pintar um muro, o jovem não apenas decora sua cidade; ele se torna autor da sua própria história e zelador do seu território.
O Roteiro das Cores no Litoral
O cronograma inicial demonstra a capilaridade do projeto. A largada ocorre em Paranaguá, no CMEI Rosy Mattar da Maia, seguindo para cidades como Matinhos, Pontal do Paraná, Guaratuba, Antonina, Morretes e Guaraqueçaba. Cada oficina é uma semente plantada para que o cinza da fuligem e da poluição dê lugar ao verde da esperança e à explosão de cores da criatividade juvenil.
O grafite, em sua essência, é a voz de quem muitas vezes não é ouvido. Ao dar o spray nas mãos dos jovens, a Itaipu e o Parquetec garantem que o futuro da nossa região seja pintado com as cores da inclusão e da arte de alta qualidade.

