No Bico do Corvo: mundão véio arrepia na quarta-feira
A variedade de assuntos nos leva aos sonhos e pesadelos num piscar de olhos, mas lá no fundo, nem tudo está perdido!
O planejamento da esperança e o inexplicável
A nossa conversa de hoje é uma verdadeira montanha-russa de temas, daquelas que refletem a complexidade da vida. Vamos transitar por ideias para garantir o leite na mesa até os gigantes do “mega-agro”, mas confesso que o coração termina com a ocupação de um espaço pesado, desabando na incompreensão diante das atitudes “inumanas” que nos chegam do exterior. Refiro-me ao pesadelo vivido no Canadá — um país que muitos de nós, especialmente aposentados e famílias em busca de paz, enxergamos como o refúgio ideal para criar filhos longe da barbárie. Ver uma cidadezinha pacata ser palco de tamanha monstruosidade nos faz questionar: o que restou da nossa humanidade?
Aírton José de Foz!
Mas, antes de mergulharmos nesse abismo, quero abrir este compêndio com uma nota que me traz genuína alegria. Falar do meu amigo Aírton José é sempre prazeroso, pois o acompanho desde os tempos em que ele ainda se preocupava em pentear o cabelo. Após um desempenho elogiável nas últimas eleições municipais, o advogado — sempre com a alma de comunicador — está debruçado sobre o mapa das próximas disputas.
Quo vadis?
Aírton avalia seriamente uma pré-candidatura ao Legislativo, seja na ALEP ou na Câmara Federal, mas faz isso com o pé no chão que lhe é característico. Como ele mesmo gosta de dizer, a vontade não é um voo solo; pertence ao partido, ao grupo e à viabilidade de um projeto coletivo. Ele não é homem de aventuras. O momento é de discernimento, de medir cada passo com calma e estratégia. A decisão não será apressada, mas o horizonte é claro: ele pensa seriamente em encarar a disputa, e quem conhece sua trajetória sabe que, quando Aírton entra no jogo, ele entra para somar com seriedade e planejamento.
O fôlego que vem do imposto
O deputado federal Welter (PT-PR) jogou uma boia para o setor leiteiro com o PL 431/2026. A ideia do Fundo do Leite é simples e faz justiça: usar parte do que o Brasil arrecada importando leite estrangeiro para socorrer o produtor daqui. Em um cenário onde o leite importado muitas vezes chega “atropelando” o preço nacional, nada mais justo que o lucro dessa transação ajude a modernizar a nossa própria porteira. É o tipo de projeto que ataca a volatilidade do mercado sem precisar de milagre, apenas de gestão.
Para além do assistencialismo
A proposta de Welter não foca apenas em “apagar incêndio” de preços. O foco na agricultura familiar e na infraestrutura mostra que o buraco é mais embaixo. O parlamentar já avisou que o Fundo é só o começo; o plano maior inclui um Instituto e um calendário de compras públicas. Se sair do papel, o setor deixa de viver de pires na mão a cada crise internacional e ganha a previsibilidade que o homem do campo tanto precisa para investir em tecnologia e genética.
O epicentro do agro global
Quem viu o Show Rural nascer como uma singela vitrine de máquinas não imagina o monstro — no bom sentido — que a feira virou. Hoje, Cascavel é o “marco zero” onde o mundo vem calibrar as expectativas para o ano. O evento deixou de ser regional para virar um hub de intercâmbio: cruzei com um australiano ontem mesmo que veio ver de perto o que fazemos aqui. É um turismo de inteligência, onde gente de todos os continentes desembarca para entender como o Oeste Paranaense converteu terra e suor no celeiro que sustenta o planeta.
O supermercado do mundo
O governador Ratinho Jr. costuma bater na tecla de que o Paraná é o supermercado do mundo, e o Show Rural é a prova real dessa prateleira. Não é só sobre vender soja ou milho; é sobre o conceito de integração. Grandes players do setor de alimentação visitam nossas plantações e granjas para decifrar a logística e a sanidade que nos tornaram imbatíveis. O Paraná parou de exportar apenas commodities para exportar eficiência. Quem entra na feira hoje sai com a certeza de que o futuro da segurança alimentar passa obrigatoriamente pelos nossos modais.
Queijo fresco e telha térmica
A expressão “povo da roça” ganhou um banho de sofisticação e dignidade no novo Pavilhão da Agroindústria Familiar. A Itaipu Binacional, sob a gestão de Enio Verri, não economizou: foram R$ 1,7 milhão para triplicar o espaço, agora com 1.400 m². Para quem trabalha o queijo ou produz embutidos, como a produtora Talita Kessia, a telha térmica foi o maior troféu da edição — conforto para quem produz e qualidade para quem compra. É o braço social da binacional garantindo que o pequeno produtor não seja apenas um figurante, mas um protagonista da nossa economia.
De olho no Mercosul-UE
A estratégia por trás do apoio da Itaipu e do MDA no Show Rural tem endereço certo: o mercado internacional. O diretor Carlos Carboni foi cirúrgico ao lembrar que o acordo Mercosul-União Europeia vai exigir um nível de qualificação que o “puxadinho” não resolve. Por isso, o investimento em assistência técnica e logística — como a entrega de vans para cooperativas — é o que separa o amadorismo da exportação. Preparar a agricultura familiar para atender as exigências europeias é a jogada de mestre para garantir que o desenvolvimento rural seja, de fato, sustentável e lucrativo.
Do saco para a mala…
Não há porto seguro no mundo quando a mente humana decide naufragar na barbárie. O recente episódio em Tumbler Ridge, no Canadá, não é apenas mais uma estatística de violência; é um soco no estômago da nossa percepção de “civilidade”. Estamos falando de uma cidade de 2.400 habitantes — o tipo de lugar onde as chaves ficam na porta e o silêncio é a regra. Ver esse cenário ser estraçalhado por um ataque que deixou dez mortos e dezenas de feridos é um lembrete cruel de que o mal não é exclusividade de metrópoles conflagradas ou de países em desenvolvimento.
Animais à solta
O que mais estarrece, além da geografia pacata, é o perfil do algoz. Ver uma mulher no papel de atiradora ativa subverte até os nossos instintos mais primordiais de proteção. Vivemos sob a égide de que o feminino é o berço da preservação, mas quando esse arquétipo se rompe, o que sobra é um vazio de compreensão. Nem a ficção mais sombria de Hollywood ousaria desenhar tamanha monstruosidade em um cenário tão bucólico. Herodes ficaria corado, diante de tal notícia. O Canadá, com suas leis rigorosas e seu bem-estar social invejável, nos grita hoje uma verdade incômoda: o desenvolvimento econômico é incapaz de blindar uma sociedade contra o colapso do espírito humano.
A anatomia do abismo
Por que, de tempos em tempos, o “bicho humano” se transforma nessa criatura implacável que escolhe escolas como matadouros? A ciência tenta lançar luz sobre esse breu. Estudos de neuropsicologia forense mostram que ataques dessa natureza raramente são fruto de um “estalo” momentâneo, mas sim de um longo processo de desumanização do outro. No cérebro desses agressores, ocorre uma falha catastrófica na comunicação entre o sistema límbico — onde moram as emoções e a agressividade — e o córtex pré-frontal, o nosso “juiz” interno responsável pela ética e pelo controle de impulsos.
Juízo derramado e derretido
Quando esse freio biológico falha, o indivíduo entra em um estado de “morte empática”. Para a atiradora de Tumbler Ridge, aquelas vítimas não eram crianças, mas símbolos de uma dor ou de um rancor que ela não conseguia processar. Há também o chamado “efeito contágio”: a espetacularização do horror serve de alimento para mentes que já habitam o isolamento social extremo. A explicação científica, embora necessária, não diminui o pesadelo; apenas confirma que estamos diante de uma patologia social que o saneamento básico e o PIB não resolvem. É uma transformação que desafia a biologia e a teologia, onde o ser humano, ao abdicar da empatia, desce a degraus que o Cinema ainda não teve nem a coragem de filmar.
Para encerrar o texto e começar o dia
Para fechar a conversa e encarar a quarta-feira com o pragmatismo que a realidade exige, vamos tratar de um assunto que gerou muito burburinho, mas que, no fundo, se resolve com massa asfáltica e gestão. O aeroporto de Foz, nossa principal porta de entrada, esteve no centro de um “zum-zum-zum” por conta de buracos na pista. O trocadilho é inevitável, pois muita gente falou pelos cotovelos, mas o problema, embora cause desconforto a passageiros e tripulações, tem começo, meio e fim. Se há buraco, basta tapar. Não há mistério, apenas a necessidade de manutenção rigorosa em uma unidade que não para de receber voos. Para dar o “caminho das pedras” ou melhor, dos buracos, faço uma atualização baseada nos informes oficiais da CCR Aeroportos.
Os pingos e os “is”
A administração do Aeroporto de Foz do Iguaçu já colocou o asfalto nos buracos. No último sábado (7), a pista de pousos e decolagens precisou ser interrompida em dois momentos (pela manhã e à tarde) para reparos emergenciais. O protocolo de segurança operacional é rígido: se a pista está impraticável, a operação para. O saldo do dia foi de seis voos cancelados e alguns atrasos, mas a medida, embora amarga para quem viaja, é o que garante que o avião chegue e parta em paz. A engenharia da concessionária já tinha esses pontos de deterioração mapeados para o primeiro semestre, mas as chuvas em excesso — velhas conhecidas da nossa região — decidiram acelerar o cronograma e abrir as fendas antes do previsto, tanto na parte antiga quanto na extensão recém-homologada. O importante é saber que a equipe agiu de imediato. No momento, a pista opera normalmente e a engenharia segue apurando as causas para evitar novos sustos. Assunto encerrado, pista liberada e o “Destino Foz” segue firme, porque quem opera um aeroporto desse porte sabe que a segurança não aceita atalhos. Uma boa outra metade da semana a todos!

Rogério Romano Bonato escreve a coluna com excluisvidade para o Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu. É quarta-feira, uma semana exata antes das cinzas, por isso, embora os dissabores, tudo ainda é colorido!
