Na costura política é o PL quem larga na frente no Paraná

Em sua coluna, Rogério Bonato segue analisando o terreno pré-eleitoral palmo a palmo e entre nuvens e trovoadas, o efeito Flávio Bolsonaro começa a tomar forma no Paraná. O colunista avisa: todos os partidos terão espaço No Bico do Corvo.

Negociações

Abro a minha coluna com o comentário do leitor: “Parece que há um desânimo no ar, uma preguiça crônica de se pensar em política como pensávamos antigamente. E isso se dá pelos acontecimentos nacionais e a face dos novos escândalos, porque acontecem o tempo todo. Agora é o tal Banco Master, onde não escapa a gente da esquerda, direita, centro e, abarca os três poderes pelo que entendo, com a necessidade de trocarem até ministros do STF de posições. O strike é total, como o Joel de Lima bem lembrou no programa Contraponto; a República corre sérios riscos. Mas ao que entendo e o senhor escreveu esses dias, prezado colunista, alguns partidos estão se organizando, como é o caso do PL. Será que Flávio Bolsonaro vai aprontar um susto no Lula?”. A.M.J. (O leitor pediu para publicarem apenas as iniciais de seu nome).

 

O Corvo analisa, com paciência, calma e pés no chão

Vamos começar então pela bancada do PL e as projeções para 2026. O Partido Liberal (PL) tem cinco deputados estaduais formando uma das bancadas mais relevantes na Assembleia Legislativa do Paraná. Nos bastidores, a tendência é de que, ao menos, dois parlamentares da sigla disputem vagas para deputado federal em 2026, o que abriria espaço para renovação. Isso deu gás aos pré-candidatos, sobretudo os que estão fazendo a lição eleitoral direitinho. E sim, outro fator preponderante é o cenário nacional: a quase certa candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República é vista por dirigentes como um potencial “puxador de votos”. No Paraná, onde o eleitorado bolsonarista teve forte desempenho na última eleição, a expectativa é de que esse contexto ajude a impulsionar ainda mais a legenda. Quem não olhar para isso com atenção vai perder o bonde.

 

Penca de deputados estaduais

Com esse conjunto de fatores, aliado ao desempenho nas últimas eleições, as lideranças do PL no Paraná trabalham com a projeção de ampliar a bancada para algo entre oito e dez deputados estaduais. Na eleição de 2022, um deputado estadual do PL chegou à Assembleia com cerca de 29 mil votos, quantidade que poderá ser ainda menor diante da expectativa de aumentar a bancada na AL.

 

Fazendo contas

A avaliação interna no partido é de que, dependendo da composição da chapa e do desempenho da legenda, a tendência é que um candidato possa se eleger deputado estadual no PL com até cerca de 25 mil votos na próxima disputa. Nesse cenário, novos nomes aparecem com viabilidade eleitoral, especialmente os que têm articulação e votos em várias regiões do Paraná. É por essas e outras que muita gente está de olho na janela eleitoral, com a esperança de arranjar uma boquinha no PL.

 

Não é mel na chupeta

Segundo este colunista avaliou, o PL aceita levas de filiados, mas nem tanto de pré-candidatos. Os que estão lá ralaram e muito para fazer o partido alcançar o atual patamar de expectativas; logo, não vão deixar gente nova sentar na janelinha, a não ser que seja um super-mega-pop-star-incrivelmente-movedor-de-massas da política paranaense. Em todos os partidos há o entra e sai no período das pré-candidaturas e, no PL, segundo informou um passarinho amigo deste Corvo, saem os que não possuem chances de se candidatar, gente que não pretende disputar eleições ou quem apoiará o governador Ratinho em sua virtual corrida para a Presidência da República. Dizem que há prefeitos analisando essa possibilidade. Alguém disse, com todas as letras, que o prefeito de Foz do Iguaçu, General Silva e Luna, estaria seriamente pensando em deixar o PL e ir de mala e cuia para o PSD. Mas isso pode ser apenas especulação e este colunista não teve tempo de conversar com ele.

 

Os que recém entraram

O PL aproveitou a abertura da janela partidária para dar uma demonstração de força e musculatura política no Paraná. Claro, isso tudo com o olhar e aceitação de Fernando Giacobo. Em recente ato realizado em Brasília, o presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto, e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, oficializaram o ingresso de três deputados federais de peso na bancada: Nelsinho Padovani, vindo do União Brasil, além de Sargento Fahur e Stephanes Junior, ambos egressos do PSD. A movimentação estratégica não apenas desfalca adversários locais, mas consolida o palanque paranaense em torno das pautas conservadoras e do agronegócio, reforçando a base de apoio ao projeto nacional de Flávio Bolsonaro.

 

Outros nomes prováveis

Não vamos entrar nessa. Embora existam pessoas dormindo na porta do diretório, seria uma aventura publicar nomes. Mais uns dias e saberemos se outros super-políticos (assim eles se consideram) aceitarão o convite do PL. Dizem que o partido estaria disposto a abrir vaga para pelo menos mais cinco candidatos a deputado federal “de fora”, ou seja, que estão em outras agremiações. É o jogo do fortalecimento pelo enfraquecimento dos adversários. Esse povo não está para brincadeira.

 

No páreo

É dentro desse contexto e princípios que algumas pessoas integram o PL, como é o caso do empresário Deoclecio Duarte, pré-canidato a deputado estadual por Foz do Iguaçu. Vamos lembrar que ele atuou anos no partido nos tempos em que a sigla ainda era PR. Seu nome começa a aparecer na lista da viabilidade eleitoral na agremiação bolsonarista. CEO do Grupo Duma, uma empresa que é referência em engenharia, serviços e sinalização urbana, Deoclécio atua à frente de empresas que somam mais de 200 empregos diretos e cerca de 300 indiretos.

 

Matemática dos votos

Quem não souber avaliar a porcentagem de votos não emplacará a candidatura. Para se eleger deputado estadual ou federal, é preciso conquistar uma base de votação na cidade onde é domiciliado e em outras localidades — ou seja, em terreno, às vezes, alheio. Mas isso não significa ir cantar de galo nas cercanias distantes; os habilidosos costuram as candidaturas com prefeitos e fazem dobradinha em outras regiões.

 

Metà e metà

A estratégia eleitoral do Deoclécio, por exemplo, é projetada com a possibilidade de conquistar o desempenho com 50% dos votos necessários (13 mil a 15 mil) em Foz do Iguaçu e os outros 50% distribuídos entre municípios do Oeste e do Sudoeste do Paraná, além de articulações políticas na Região Metropolitana de Curitiba e no litoral. Não podemos esquecer que, além da atuação empresarial, Duarte também é comunicador e apresentador do programa Paraná da Gente, exibido aos domingos na Rede Massa e que abrange 60 municípios.

 

E os outros

Aí os leitores vão arrancar até as penugens do Corvo caso este intrépido colunista não especule como as coisas andam em outros partidos. Vamos sair da direita e entrar de cara na esquerda: no PT, há dois nomes em evidência em Foz, a vereadora Valentina e seu tambor de maculelê e Fernando Duso, que anda dando as caras em vários municípios. Segundo informação, ambos tentam se entender pela vaga de deputado estadual nas tratativas com Elton Welter, na linha da reeleição para a Câmara Federal.

 

PSD

Aí tem um enrosco, porque enquanto uns saem, outros querem a vaga com certo frenesi, acreditando no sucesso que o Ratinho anda fazendo, especialmente se depender da entrega de obras. Em Foz, tudo leva a crer que a dobradinha será entre Ricardinho e Chico Brasileiro. Bom, olhando a quantidade de caracteres, acendeu a luz vermelha e isso encerra a coluna de hoje, mas a promessa é de retornar amanhã, ainda no observatório dos partidos e suas querências. Uma boa semana a todos!

Rogério Romano Bonato escreve de segunda à sexta a coluna No Bico do Corvo, dentre outras iniciativas. Este texto é exclusivo para para o portal Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu.