Lula, Benjamin Netanyahu, diplomacia, abelhas e a boa notícia: Barakat Cidadão Honorário de Foz!

Rogério Bonato abre a semana abordando vários assuntos e em destaque a homenagem ao grande Mohamad Ibrahim Baraka, em Foz desde os anos 50.

Barakat Cidadão Honorário

Pensamos: existem cidadãos mais honorários que Mohamad Ibrahim Barakat em Foz? Difícil, mas a honraria lhe veste muitíssimo bem, com justiça e justeza. Além de fazer muito pela cidade, o homenageado é uma memória viva desde os anos 50. Vale ressaltar que o Decreto Legislativo de número 21, foi publicado em 19 de dezembro do ano passado. A solenidade está marcada para o dia 21 de maio, uma quarta-feira. O vereador Adnan El Sayed está pessoalmente organizando o que promete ser um grande evento. E será.

 

Quem conhece a cidade?

Vira e mexe surgem os resultados de trabalhos acadêmicos, alguns pontuais e outros nem tanto, porque carecem de fontes precisas e infelizmente acabam caindo nas armadilhas do invencionismo. É certo que a história deve ser relatada por meio de documentos, mas os testemunhos, as versões, e, a visão das pessoas que vivenciaram os fatos os enriquecem. É normal, no ofício do jornalismo surgirem dúvidas quanto aos anos 50, 60 e 70, e em caso de não haver resultado no Google, dicionários, arquivos dos jornais ou bibliotecas, eis que surge uma saída: “perguntar ao Barakat”.

 

Sabedoria e credibilidade

E há um detalhe: não procuramos o senhor Barakat apenas pelo fato de viver o passado, mas pela credibilidade e respeito com a verdade. Suas memórias são ricas em detalhes e pontos de vistas analíticos. Jamais, em tempo algum, ele desprezou o contraditório. Trata-se de alguém que deve ter conversado bastante com si próprio.

 

Introspecção

Não é raro vê-lo caminhando todas as manhãs, ao lado do seu fiel amigo Thor. E assim o Barakat se mantém em forma física e intelectual, porque pensa o tempo todo. Quem não pratica esses exercícios, dificilmente adquire o poder da análise isenta. Notáveis como T.E. Lawrence, Leonardo Da Vinci, Thomas Mann e brasileiros como Darcy Ribeiro, Jorge Amado e João Guimarães Rosa mencionaram a necessidade de refletir e exaurir todos os lados de um acontecimento. Barakat é uma figura assim.

 

Lula e Israel

Bom, o que acabei de escrever é uma opinião unânime. E foi depois de uma rápida conversa com o Barakat, um estudioso das questões diplomáticas, que surgiu o assunto das falas do presidente Lula, que irritaram além da conta o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. “O presidente brasileiro espancou um projeto sionista antigo, iniciado em 1897 cujo objetivo era a criação de um império no Oriente Médio, calçado em “promessas sagradas”, relatou Barakat.

 

Divisão

Essa postura envergonha muitos israelenses e judeus ao redor do planeta, afinal, Israel faz da faixa de Gaza o que os nazistas faziam com os guetos. Não há exagero, absolutamente, porque isso ocorre nos tempos atuais; são exemplos da mais pura crueldade humana, até mesmo as que foram praticadas contra o povo judeu em milênios. Logo, o Estado de Israel jamais poderia empregar uma maledicência dessas, contra desfavorecidos e oprimidos. Isto é algo que divide a opinião pública israelense. Várias correntes culpam Netanyahu pela escalada da violência por parte do Hamas. A chuva de mísseis foi provocada. Lula ataca a política de ultradireita em Israel e não o Estado, logo, falarem em romper relações com o nosso país é algo meio fora da casinha.

 

Declarações

Vários presidentes brasileiros manifestaram a opinião frente aos embates israelenses com vizinhos (vice e versa), afinal isso acontece faz bastante tempo, desde a fundação do país. A maioria usou de cautela e diplomacia. Foi assim até o Bolsonaro aparecer dizendo que o Nazismo era de “esquerda”, com a intenção de puxar o saco de Israel e no fim, fazer a “mistureba” de alhos com bugalhos, o que lhe custou ódio e antipatia internacional. Lula trabalha o tema de outra maneira; prega a necessidade de um Estado Palestino independente, se movendo com “as próprias pernas”. Muitos estudiosos acreditam que é exatamente esta a semente da paz, a que germinará relações oficiais entre Estados. Francamente, quem gosta de viver em estado permanente de conflito?

 

Persona non grata

O holocausto foi um dos períodos mais obscuros da humanidade, um genocídio sem precedentes e que não atingiu apenas os judeus. Ciganos, homossexuais, latinos, pessoas com deficiências, o que não fosse “ariano puro” era inimigo dos nazistas, os cabeções mais debilitados que já colocaram os pés no planeta. Nunca, em hipótese alguma devem minimizar os danos causados ao povo judeu, com mais de 6 milhões de vítimas. O problema é que alguns políticos usam disso para atacar quem não lhes agrada, como faz Netanyahu. Ele é quem causa o desrespeito contra seu povo, porque vive tentando faturar em cima do assunto.

 

Lula e a paz

O Brasil sofreu um apagão de quatro anos no cenário internacional. No meio disso houve a pandemia e a guerra entre russos e ucranianos. Lula viaja e tenta recuperar terreno, porque é importante a parceria com os agressores e afetados, o que afeta a balança comercial; as guerras afastam continentes. Nosso país não possui os mesmos interesses beligerantes como é o caso dos Estados Unidos, que aliás, também vive uma crise institucional, na queda de braço entre radicais e liberais.

 

Nacionalismo Cristão

Enviaram uma mensagem perguntando o que seria “nacionalismo cristão?”. É um assunto espinhoso, mas pode sim ser explicado: o Nacionalismo Cristão hoje é diferente dos movimentos radicais norte-americanos, por exemplo. No Brasil as visões são deturpadas, quando o propósito é manter um estado laico, que abrigue a todas as crenças e religiões. O que se percebe é uma imposição de membros de igrejas estabelecidas, em indicar representantes para a disputa em governos de Estados, prefeituras e para preencher vagas nos ministérios e no STF. Isso está mais para a tendência religiosa do que pela qualidade técnica e profissional. Quando a religião se mistura com a política o terreno se torna um tanto instável.

 

O Estado laico

Apesar das muitas religiões, o Brasil é “constitucionalmente” um Estado laico e deve adotar posições neutras no campo religioso, com imparcialidade e bom senso, sem jamais apoiar ou discriminar qualquer religião. Mas olhando para o discurso recente de alguns políticos, a impressão é que simplesmente chutam a Carta Magna, impondo o que não é admissível para a maioria. O país está de olho no que poderá acontecer em 25  de fevereiro, na Avenida Paulista (SP). É em um ato bolsonarista disfarçado de reunião cristã.

 

Maioria

Os números nos mostram que apesar da pressão religiosa, a população brasileira é de maioria cristã. O problema é que cerca de 60 a 70 por cento são de predominância católica e os outros 20 a 30 por cento seriam evangélicos, segundo um estudo da FGV – Fundação Getúlio Vargas. O Brasil abriga o Protestanismo, Budismo, Adventismo, Anglicanismo, Testemunhas de Jeová, Mormonismo, a Igreja Ortodoxa, Espiritismo, Islamismo, Judaísmo, Neopaganismo, as religiões Afro-brasileiras, Hinduísmo, Santo-Daime e uma porção de religiões ameríndias; há espaços para todas as crenças. Provavelmente se um cidadão der a volta ao quarteirão passará em frente à algum espaço dedicado de fé.

 

O mundo em preto e branco

As pessoas estão apavoradas com a possibilidade do uso de armas nucleares. Dizem que isso nunca esteve tão perto. Não bastasse, o Brasil pode dar um passo medonho liberando produtos prejudiciais às abelhas. Como sabemos, esses insetos são importantes agentes polinizadores, essenciais à reprodução de diversas espécies de plantas. É o governo quem deve decidir se restringe ou não o uso de um dos piores inimigos das abelhas no país, o “tiametoxam”, um agrotóxico considerado por ambientalistas e cientistas uma ameaça à biodiversidade. É inclusive proibido na Europa e em vários países.

 

Rogério Romano Bonato