Guto Silva não esconde o jogo e amplia sua estatura eleitoral

No Contraponto, da Rádio Cultura, o secretário assumiu o tom de pré-candidato, projetando os passos da sucessão de Ratinho Júnior.

Honorífico

Luiz Augusto Silva, o Guto, agora é o mais novo Cidadão Honorário de Foz do Iguaçu. Antes da solenidade, o Secretário das Cidades fez um giro pelo solo sacrossanto solo iguaçuense, identificando demandas da sua pasta. Encarou de frente reivindicações históricas, como a ligação entre o Jupira e a Vila Portes. Muitos negócios feneceram por ali e a vida dos moradores mudou desde a obstrução dos acessos pela BR-277. Guto garante: isso terá fim. Outra providência esperada é a solução para o fluxo no Trevo Charrua. Dizem as más línguas — e as boas também — que o segundo arranjo urge mais que o primeiro.

 

Entre umas e outras

Lá pelo almoço, Guto e comitiva tomaram conta do estúdio da Rádio Cultura. No séquito, os deputados Márcio Nunes e Matheus Vermelho — este último chamando para si a responsabilidade pelo Trevo Charrua. O programa estourou o horário; com tanto assunto, não seria diferente. Guto falou de obras, mas não desperdiçou a política. Ele funciona como o centroavante rompedor do time de Ratinho Júnior, nome certo na sucessão. Fala alto como pré-candidato e, para os atentos, nota-se: ele está bem adiantado na missão de encarar a campanha.

Márcio, Corvo (ops, o Bonato), Natália Peres, Nelso Rodrigues, Guto Silva e Matheus Vermelho no Contraponto.

 

A escolha

A oposição tenta anuviar o processo de escolha do governador. Falam em indecisão ou falta de preparo de um sucessor. Bobagem. Quem conhece Ratinho e seu núcleo sabe: não dão um passo e não soltam pum sem pesquisa. Avaliam as situações ao extremo; crer em desatenção na sucessão é ingenuidade. Inteligentemente, lançaram nomes sob o disfarce de disputa entre aliados e monopolizaram o cenário. De uns tempos para cá, só se ouve Guto, Alexandre e Greca. A freguesia — no caso, o eleitor — centrou o foco ali. A estratégia funcionou.

 

Isso traz números?

Curiosamente, aparentam nem ligar para as pesquisas. Quem verdadeiramente se amofina com isso é Sérgio Moro, no incômodo pódio da ameaça, ciente de como o vento vira. Ratinho ainda nem fez força; segue no tabuleiro, empurrando as peças e medindo resultados. Ledo engano acreditar que um governante com 80% de aprovação estaria alheio à própria sucessão.

 

Guto pode emplacar

E por que? Porque ele é a imagem do governo: jovem, articulado, arrojado e com estofo acadêmico. É o “voo planejado”. Há figuras que surgem como meteoros e somem na mesma velocidade. Outras preferem a construção meticulosa, o tijolo sobre tijolo. Guto pertence ao segundo grupo. Maringaense de nascimento, forjado na lida empresarial e na visão cosmopolita, personifica uma renovação que o Paraná observa com atenção redobrada.

 

Na flor da idade política

Aos 47 anos, Guto exibe bagagem de veterano. Antes do primeiro voto em Pato Branco, já havia carimbado o passaporte em quase 80 países. Como doutor em Administração, aprendeu o funcionamento do mundo para aplicar a eficiência aqui dentro. É o acadêmico que conhece o chão de fábrica. No governo, virou o homem das engrenagens. Na Casa Civil, modernizou processos com o “Descomplica Paraná”. Passou pelo Planejamento e agora, nas Cidades, exerce sua maior virtude: o corpo a corpo e a articulação. Dizer que o governo não pensa em sucessão? É piada.

 

No corrimão

Programas como o “Asfalto Novo” e a iluminação em LED passam por suas mãos. No trocadilho inevitável: ele está iluminando o caminho. Ao circular pelo interior, deixa de ser o técnico de bastidor para virar o rosto de uma gestão realizadora. O governo é jovem, mas com “estrada” — literal e figurada. Guto não ocupa apenas uma cadeira; pavimenta um futuro promissor, mostrando que a política pode ter a agilidade privada e o olhar local. Vale acompanhar o rastro. Aos enciumados: terão aqui o mesmo espaço, conforme o currículo. O Corvo avisa: cada peso terá sua medida.

 

E o Ratinho?

Tudo indica que arriscará a Presidência, articulando até alas do PL. Há uma vulnerabilidade no ar porque entendem o fenômeno do novo. Quem estuda o campo minado sabe: o povo cansou da polarização. Companheiros de boteco voltaram a se abraçar e irmãos almoçam juntos novamente; as cores das camisas importam menos. Um nome novo, mostrando o que fez no estado, é um senhor trampolim contra o “passado mofado”. Não custa nada ao Ratinho encarar a empreitada. Está com um pé nela e o outro saindo do chão. Fará um bem danado à Nação.

 

Antes de encerrar…

…não deixaria passar o susto sobre a morte de Fernanda Montenegro — boato que, felizmente, não se confirmou. Saí do estúdio correndo, imaginando o que escreveria sobre a dama soberana das artes. Que barbaridade! Ela estava, na verdade, sob os holofotes nas Ruínas de São Miguel das Missões, recebendo o Prêmio Voz da Terra. Aos 96 anos, sua vitalidade nos desafia. Seus passos recentes desenham um mapa de pura resistência artística. Está vivinha da silva, graças a Deus!

 

Uma boa quarta-feira a todos!

Rogério Romano Bonato escreve a coluna No Bico do Corvo com exclusividade para o portal Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu