Foz do Iguaçu sob a lupa das estatísticas

Entre projeções oficiais e a vida pulsante da fronteira, a cidade revela um efeito sanfona populacional, onde censos se tornam imprecisos e pesquisas locais despontam como bússola confiável para entender sua dinâmica singular.

Bom dia, leitores e ouvintes!

Hoje é sábado, 30 de agosto, a 242ª jornada de 2025 — restam 123 dias até o réveillon. No calendário religioso, celebra-se Santa Rosa de Lima, padroeira do Peru e da América Latina, reconhecida pela vida de oração e serviço aos pobres. A data também lembra São Félix e Santo Amador, venerados na tradição católica. Na história, em 1146, morreu Hugo de Vermandois, um dos líderes da Primeira Cruzada; em 1363, ocorria a Batalha de Lake Poyang, na China, uma das maiores batalhas navais da história; em 1791, teve início em Santo Domingo a Revolução Haitiana, que levaria à independência do Haiti; em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, o famoso piloto alemão Ernst Udet realizou o primeiro ataque aéreo com bombas de mergulho; em 1963, entrou no ar a famosa “linha vermelha” de comunicação direta entre Washington e Moscou, símbolo da Guerra Fria.

 

…e tem mais…

Em 1984, foi lançado o ônibus espacial Discovery, da NASA, em sua primeira missão. Entre os aniversariantes ilustres estão Mary Shelley (1797–1851), autora de Frankenstein e pioneira da ficção científica, e Warren Buffett (1930), investidor e filantropo norte-americano considerado um dos homens mais influentes do capitalismo moderno. No Brasil, 30 de agosto é lembrado como o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, data criada para ampliar a informação e o combate ao preconceito em torno da doença.

 

Números & números

Francamente, é difícil confiar em estatísticas feitas à distância ou alimentadas por algoritmos que tropeçam nas próprias projeções. O IBGE aponta que Foz tem 297.352 moradores em 2025, mas a rotatividade de gente na cidade é tão grande que qualquer recenseador precisa de fôlego de maratonista. Há fluxos permanentes de paraguaios, argentinos, turistas, migrantes internos e trabalhadores sazonais. Resultado: as curvas oficiais nunca batem com a realidade das ruas. O órgão diz que Foz ganhou 1.852 habitantes em um ano; fontes locais arriscam que o saldo pode até ser negativo, já que anda saindo mais gente do que entrando. Como diria Sherlock Holmes ao fiel Watson, “elementar”: quem caminha pela JK, pela Jorge Schimmelpfeng ou cruza a Ponte da Amizade sabe que a contagem é, no mínimo, um exercício de adivinhação.

 

Efeito sanfona

Quando cheguei a Foz, lá pela virada dos anos 70 para os 80, a cidade orbitava em torno de 130 mil habitantes. O salto, na década, foi monumental: de 34 mil moradores em 1970 para cerca de 136 mil em 1980, um crescimento acima de 300%, impulsionado pela construção de Itaipu. O IPARDES, lá por 1975, arriscou projeção: até o ano 2000 seríamos pouco mais de 100 mil almas. Errou feio — em 2000 já beirávamos os 300 mil. Passados 25 anos, curiosamente, o número ainda se arrasta, quase estacionado. O fenômeno é o efeito sanfona: enche e esvazia conforme os ciclos econômicos e migratórios. Para complicar, o número de eleitores não acompanha a suposta população: a cidade chegou a ter direito a segundo turno nas eleições, depois perdeu e agora volta a flertar com o posto. Estatística aqui tem vida própria, como se obedecesse mais ao humor do que à frieza dos censos.

 

O Paraná em perspectiva

O crescimento de Foz não pode ser visto isoladamente. O Paraná como um todo ganhou 65.852 moradores em um ano, chegando a 11,8 milhões de habitantes. Cresceu acima da média nacional, mas longe do ritmo explosivo do passado. Curitiba continua inchando em ritmo de lesma — apenas 0,09% em 2025 — enquanto cidades como Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais são as locomotivas demográficas. Cascavel, Londrina e Maringá também mantêm fôlego. Já Foz segue com sua peculiaridade: permanece entre as sete maiores cidades do Estado, mas enfrenta um paradoxo — população relativamente estável e, ao mesmo tempo, uma circulação diária de gente que nenhuma outra cidade paranaense conhece. São milhares que entram e saem todo dia, sem deixar rastro nos registros oficiais, mas que impactam trânsito, saúde, segurança, comércio e habitação. É a população flutuante e invisível.

 

Entre ilusões e realidades

Foz do Iguaçu é uma cidade difícil de medir, porque sua lógica não é apenas demográfica, mas geopolítica. O IBGE calcula, o TCU usa para repasse de recursos, a prefeitura contabiliza, mas quem administra a vida urbana sabe que o número real é sempre maior, a começar pelo atendimento na área da Saúde. Os censos captam quem dorme aqui, mas não quem atravessa a ponte todo dia, consome no mercado, ocupa leito hospitalar, frequenta a escola. A população formal é de 297 mil, mas a população flutuante é de meio milhão. Estatística oficial serve para preencher planilhas; a realidade iguaçuense, para tensionar o cotidiano. Como bem resumiu um veterano da fronteira: “Aqui, contar gente é como medir água no rio: o número é sempre provisório”.

 

Falar em contar…

Quem anda às voltas com estatísticas duvidosas deveria prestar atenção no trabalho da UDC. Diferente de órgãos que tropeçam nas próprias planilhas, o Centro Universitário entrega números sólidos, de campo, produzidos com método científico e envolvimento de mais de duzentos acadêmicos e professores. Não é à toa que profissionais como Mário Camargo, autoridade em assuntos aduaneiros, chamam o levantamento de “Bíblia”. Os dados orientam desde operações da Receita e da Polícia Federal até investimentos do setor hoteleiro e de marketing. É a prova de que quando a academia sai da sala de aula e pisa no barro da fronteira, quem ganha é a sociedade inteira.

 

Bíblia da fronteira

Não se trata apenas de contagem. São 309 resultados tabulados na edição mais recente da pesquisa, cobrindo fluxos diários de veículos e pedestres em duas das pontes mais movimentadas do continente. Em média, 43 mil veículos rumo ao Paraguai, 11 mil para a Argentina e 93 mil pedestres em um único dia na Ponte da Amizade. Números que assustam, mas também orientam. Receita Federal e Polícia Federal chamam de insubstituível; entidades empresariais como ACIFI e Codefoz utilizam como referência; hoteleiros ajustam suas estratégias a partir deles. A fronteira, que sempre foi vista como um mistério, ganha finalmente métricas confiáveis.

 

Ciência aplicada à cidade

Há mais de 15 anos, a UDC vem consolidando uma tradição que já virou patrimônio da Tríplice Fronteira: transformar observação em conhecimento, conhecimento em estratégia e estratégia em desenvolvimento. É pesquisa que alimenta segurança pública, logística, comércio e turismo, ao mesmo tempo em que forma novas gerações de profissionais. Não surpreende que alguns digam que, se a UDC resolvesse realizar um censo populacional, seus números seriam mais confiáveis que os do IBGE. A ironia contém verdade: credibilidade se conquista com constância, precisão e compromisso. E é exatamente isso que a UDC vem oferecendo, ano após ano, com resultados que resistem ao tempo e inspiram confiança.

 

O Xodó da Vovó

Ora, vamos lembrar, porque hoje é sábado. Recordo com a nitidez de uma fotografia aquele tempo em que a professora Rosicler Prado mantinha o “Xodó da Vovó”, numa simpática casa de tijolinhos à vista, na rua Engenheiro Rebouças. O saudoso doutor Acir atendia como dentista, e os meninos, Fábio e Rodrigo, ainda empinavam pipas. Confesso que sempre achei que o Fábio tivesse pouco tempo para as “piazices”: era centrado, dedicado, já com a postura de quem carregava livros e projetos no horizonte. Era um ambiente simples, familiar, mas de onde nascia uma vocação para o conhecimento que logo ultrapassaria os limites da rua, da cidade, do tempo.

 

Quarteirões de conhecimento

O que parecia apenas um pequeno curso infantil transformou-se, com visão e coragem, em um dos centros acadêmicos mais respeitados do Sul do país. De uma casa térrea e singela, a UDC cresceu para ocupar quarteirões inteiros, conectando Foz do Iguaçu ao mundo com convênios que vão de Harvard às melhores universidades europeias. Dias atrás, ao passar pela antiga casa, vi que hoje abriga uma empresa de engenharia. Sorri ao pensar no contraste: algumas quadras dali, a semente germinada floresceu em um campus que prepara gerações de iguaçuenses para os desafios globais. Testemunhar essa trajetória me enche de orgulho — orgulho de quem viu de perto o começo e hoje contempla a grandeza de uma história fascinante.

 

Final de semana e laser

Na noite da quinta-feira fui com a Eliane conhecer de perto o Torresmo Fest, inaugurado na área externa do Shopping Catuaí Palladium. Nem precisava de lembrete, porque a nossa casa fica perto e o cheio das churrasqueiras estavam deixando os cachorros agitados. É um senhor evento gastronômico e aqui vai todo o meu reconhecimento. Mas, não deixaria de fazer alguns comentários, mais para ajudar do que prejudicar. A oferta de assados, pratos e bebidas, de um modo geral, é algo de impressionar. O ambiente é cercado de boa música, com apresentações ao vivo. Certamente o sucesso será garantido até domingo!

 

Preços salgados

Quem for prestigiar o evento deve se precaver. O chope e o cardápio não são baratos. Pedi um pratinho de arroz carreteiro e serviram feijão tropeiro (equivocado), por R$ 50 reais! Um copo de chope 500 ml não sai por menos de R$ 25,00 e os valores são paralelos para doces e lanches. Um sanduba de costela custa entre R$ 48,00 e 55,00. Se o programa for levar a família, ficará bem mais em conta jantar ou almoçar nos restaurantes do shopping, onde aliás a oferta é bastante variada, com preços honestíssimos. Mas valeu a iniciativa. Ah, não se se é possível entrar no recinto om garfos e facas, mas, cortar torresmo e costela com talher de plástico, de festinha de aniversário, é uma tarefa quase impossível. E como sabemos, carne lambuza e faltou guardanapo. No mais, o evento possui todos os méritos! Se é caro para comer, bonito de ver!

 

Final de semana e lazer

Na quinta-feira à noite, fui com a Eliane conhecer de perto o Torresmo Fest, aberto na área externa do Shopping Catuaí Palladium. Nem precisava de convite: da nossa casa já se sentia o aroma das churrasqueiras, que até deixou os cachorros agitados. Trata-se de um grande evento gastronômico, digno de reconhecimento. A variedade de assados, pratos e bebidas impressiona, o ambiente é animado e cercado de boa música ao vivo. A julgar pela estreia, o sucesso está garantido até domingo. É uma iniciativa que merece aplausos e, sem dúvida, entra para a agenda da cidade.

 

Preços salgados

Mas convém preparar o bolso. O chope e o cardápio não são nada baratos. Pedi um prato de arroz carreteiro e, por engano, veio feijão tropeiro — por R$ 50,00. Um copo de chope de 500 ml não sai por menos de R$ 25,00, e os preços seguem nessa faixa para doces e lanches. Um sanduíche de costela varia de R$ 48,00 a R$ 55,00. Para quem pensa em levar a família, pode sair mais em conta optar pelos restaurantes do shopping, que oferecem cardápios variados e preços honestos. Outro detalhe: cortar torresmo ou costela com talheres de plástico de festinha é tarefa quase impossível. E, como sabemos, carne lambuza — e guardanapo fez falta. No mais, o evento tem todos os méritos: se é caro para comer, é bonito de ver.

 

Bom fim de semana

Fim de semana à vista, hora de desacelerar. Vale trocar o chope caro do festival por uma cervejinha no quintal, o sanduíche de cinquenta reais por um pastel de feira — e ainda sobra troco para o ingresso do cinema. Aliás, fica a dica: tem boas estreias na telona e, se a preguiça bater, nada que uma leitura de cabeceira não resolva — Machado, García Márquez ou até aquele livro que há meses dorme na estante. Aos mais românticos, recomendo caminhar pela cidade na tardinha: Foz tem pores do sol de aplaudir, de graça e sem fila. Entre um filme, uma leitura ou um passeio no entardecer, o importante é aproveitar. Afinal, a segunda-feira chega depressa. Bom final de semana a todos!

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