Do vendaval de Foz ao furacão Epstein: o mundo em desalinho

O coletivo de notas: uma seleção de perrengues locais e luxúrias globais para mastigar no fim de semana.

Quase um caos

Antes de começarem a ler, um aviso: a coluna hoje está reforçada para o final de semana. Pois bem, eu, francamente, não tenho do que reclamar da natureza quanto aos danos de vendavais. Moro sob enormes árvores — o que dá um frio na espinha —, mas no máximo o incômodo tem sido a faxina de galhos, juntar as folhas e assegurar o abrigo dos bichos. Eles, coitados, sofrem muito mais do que a gente quando o mundo parece desabar. Mas preciso relatar: a noite de quinta-feira foi digna de filme de catástrofe. O vento chegou do nada, arrancando telhas alheias, tombando outdoors e, num lance bizarro, entortando até poste. Resultado? O breu imediato.

 

Relatos enfadonhos (mas necessários)

Às vezes é chato transmitir essas experiências, mas elas abarcam milhares de pessoas que, no calor do acontecimento, nem sabem o que dizer. Escrevo por elas. A nossa rede elétrica parece feita de cristal diante da instabilidade climática, especialmente na área Sul, onde donos de restaurantes já vivem “curados” de sustos desde o início das obras estruturantes. Ver esse povo às escuras é de fazer chorar, ainda mais com o estoque correndo o risco de apodrecer. O que sai do freezer não volta; diante disso, os porcos da vizinhança nunca estiveram tão gordos.

 

Fuga do sinistro

Com medo de ser achatado por uma árvore, saí de casa com a patroa. Fomos a um restaurante na Vila Yolanda, onde a luz e a internet ainda operavam. Qual o quê?! Dez minutos depois, tudo apagou. Vimos veículos cortados ao meio por troncos desabando. Cenas de ficção! E dá-lhe equipes dos Bombeiros, Defesa Civil e Polícias trabalhando dobrado enquanto São Pedro e Santa Bárbara batiam um papo animado. Mudamos de lugar e, logo em seguida, outro breu. Na área Sul a luz só deu as caras na madrugada, mas até as 11h de hoje tinha gente contando apenas com o sol escaldante. Tomara que o Museu de Cera tenha geradores potentes, senão a luta contra o derretimento das celebridades será inglória.

 

BR-469 insuportável

Vale lembrar que uma nova operação no trânsito está testando o que resta da nossa paciência. Transeuntes, agora, só se tiverem asas, pois é impossível pular as muretas de concreto recém-instaladas. O povo quer saber: do Hotel Carimã ao Golfe Clube, teremos passarelas ou viraremos todos maratonistas de obstáculos? O trânsito desviado para a marginal em mão dupla seria aceitável se não houvesse duas obras de aterro privadas no local. O resultado é um rebuliço: tudo para a cada cinco minutos para caminhão descarregar terra. Sufocante.

 

Labirinto de asfalto e concreto

Essas mudanças dão um nó na cabeça, ainda mais com motoristas de todas as nacionalidades ao volante. Parece pista de carrinho bate-bate em parque de diversões. Surgiram blocos de concreto amarelos do nada, afunilando vias e garantindo o congestionamento. Fui abastecer rezando um Pai Nosso para cada três Ave Marias; deu um terço completo até chegar ao Posto Oklahoma, da família Duso. Alô Carlos, Fina, Cristian e Fernando! Aquele abraço. É o porto seguro para não precisar arriscar o motor no Porto Meira — onde, nas raras vezes que precisei, meu mecânico agradeceu com buquê de flores. Moral da história: mantenha o tanque cheio, porque o circuito de voltas na área Sul está digno de Fórmula 1.

 

O mundo além da fronteira: O Caso Epstein

Mas o leitor quer mais que as diatribes deste humilde escrevinhador. O “Caso Epstein” voltou a assombrar o mundo. “Quem é esse cara?”, perguntou a senhora que faz a faxina aqui em casa. Resumo a ópera: Jeffrey Epstein foi um financista americano que acumulou uma fortuna colossal e um caderninho de contatos que incluía de presidentes a príncipes, como o enrolado Andrew.

 

Perfil da criatura

O sujeito começou como professor de matemática e virou “gerente de fortunas” de bilionários. Por trás da fachada de filantropo, operava uma rede de tráfico sexual de menores, usando dinheiro para aliciar e silenciar. O luxo terminou em 2019, numa cela de segurança máxima em Nova York. O laudo diz suicídio, mas como ele morreu antes de abrir o bico, as teorias da conspiração correm soltas. Afinal, a lista de amigos dele poderia implodir o alto escalão mundial. Agora, em 2024 e 2025, novos documentos vieram a público para tirar o sono de muita gente grande.

 

Ele não mora sozinho na história

Epstein não inventou a moda. O império de Hugh Hefner, por exemplo, foi vendido como “libertação sexual”, mas a Mansão Playboy era um cenário sombrio. Hefner usava festas e drogas pesadas (como o Quaalude) para criar um “clube fechado” de favores e chantagens. O entretenimento era, na verdade, uma ferramenta de controle. Da mesma forma, o bilionário Howard Hughes usou sua influência na Segunda Guerra e sua fortuna para criar feudos onde a lei não entrava, isolando-se no deserto de Las Vegas em uma psicose maníaca. No Brasil, temos vertentes similares, mas isso eu guardo para outra tacada.

 

Psicose e Insulto em Foz

De volta à terra das águas, dois casos mancharam o Carnaval. Primeiro, o espancamento covarde de duas senhoras de origem árabe em um shopping. As imagens rodaram o mundo e nos colocaram no mapa da xenofobia. Agora discutem surtos, medicamentos e autismo. Independentemente do diagnóstico, a agressão foi medonha e não gera compaixão. Gera revolta.

 

Ai, cheguei ao fim!

Para fechar, teve o “iluminado” que resolveu ofender as religiões de matriz africana em plena folia. Ganhou a coroa da imbecilidade e o cetro da ignorância. O ofensor sentou na cadeira do torturador de cachorrinhos! Por hoje é só. Vou me preparar para o ritual de enterrar os ossos do Carnaval! O farei em grande estilo juntamente com a Eliane e do Joãozinho Espetinho. Até segunda, se o vento deixar!

 

Rogério Romano Bonato sepulta os ossos do Carnaval e põe o pé da estrada de 2026, deixando para lá o que não presta e atrasa a vida! Começou o ano! Esta coluna é publicada com exclusividade para o Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu.