Coluna do Corvo: os rebuliços da reforma administrativa

Sem desperdiçar o humor, dizem que acontece um pouco de tudo na consolidação das alianças políticas em Foz do Iguaçu.

Anjos e demônios
Os artefatos natalinos feitos de taquara — ou, para simplificar, bambu — continuam firmes e fortes em Foz do Iguaçu. Sobreviveram bravamente ao 6 de janeiro, data consagrada como Dia de Reis, quando até as árvores de Natal pedem aposentadoria. Até a noite de quarta-feira, os anjos ainda ornamentavam a rotatória da Avenida das Cataratas, ligados na tomada, emitindo uma iluminação sofrível, porém religiosamente bancada pelos contribuintes. Em outros pontos da cidade, capivaras, bolas e criaturas indefinidas tombaram sob a ação do vento. A decoração permanece, ao que tudo indica, refém de um imbróglio judicial. Nem tudo está perdido: com pequena adaptação, os enfeites podem migrar direto para o Carnaval. Aliás, combinavam mais com marchinhas do que com cânticos natalinos. Por força das encrencas, anjos viraram demônios na cabeça de muita gente.

Bambuzada
Falemos a verdade: aqueles anjos de bambu são medonhos. Feios por inteiro. Um milagre urbano ainda não terem sido vandalizados. Um amigo contou que, quando a mesma decoração foi exibida em Cascavel, a população protestou com entusiasmo. Se resolverem doar os anjos para enfeitar a Avenida Morenitas, os comerciantes decretam greve geral. A propósito, há quem leve cadeirinhas para contemplar a “praia” que se forma ali em dias de chuva. “Dá até para surfar”, garante um morador, tamanho o tsunami que se ergue toda vez que passa um caminhão.

Ai, a ponte e a Perimetral
Em pouco tempo de funcionamento, a Perimetral Leste virou uma mão na roda para os moradores da região Sul. Eu, que moro no Jardim Buenos Aires, chego à Unimed em minutos e acesso a República Argentina pelo lado Leste sem enfrentar um único semáforo — luxo raro. O problema é que a via virou corredor de caminhões. Filas enormes, veículos ocupando praticamente toda a pista. Será que ninguém previu isso? Com apenas uma pista, qualquer enguiço trava tudo. E fica a pergunta: por onde passarão os ônibus de turismo?

Porto Seco
A empresa responsável garante que o Porto Seco estará operando no final deste ano. Quem entende do assunto torce o nariz: o correto seria construírem primeiro o Porto e depois os acessos — ponte e Perimetral. Essa pedra foi cantada faz tempo. Agora resta aguentar o caos no trânsito pelos próximos onze meses e meio. Isso, claro, se o cronograma não virar peça de ficção.

Reforma administrativa
Corre solta a movimentação para organizar — e desorganizar — listas de secretarias, diretorias e autarquias. Uns montam, outros esculhambam. Algumas situações beiram o pastelão. Contam que alguém sugeriu ao General, com solenidade e urgência, a criação de uma Secretaria de Bem-Estar Animal. Ele teria gostado da ideia e pediu um nome. A lista tríplice levou três dias para chegar, encabeçada por José Vicente Tezza. Segundo fontes, a secretaria morreu antes de nascer. Generauuuuuuuu!

Caminhos cruzados
As listas surpreendem pela diversidade: engenheiros cotados para a Saúde, professores para Obras e médicos animados com a Educação. Na pasta de Obras, a torcida é por alguém que entenda de concretagem — o General gosta de ruas de concreto, que dispensam asfalto e seus buracos reincidentes. Depois de muita consulta, um gaiato escreveu num papelzinho: “Matheus Veloso Maria”. O chefe coçou a cabeça, mandou chamar, mas logo alertaram: o pai dele pode não gostar. O detalhe é que ninguém havia percebido que o Matheus em questão era o deputado estadual. Mais um capítulo para o folclore administrativo. E o Matheuzinho entende de concretagem? Isso ele entende.

Lembrando a história
Paulo Mac andava entediado com esse assunto de listas, indicações de partidos e com as reclamações dos que ficavam de fora. O que ele fez? Rabiscou uma relação ele mesmo e colocou gente de todos os lados nas secretarias e autarquias. Em verdade junto até antigos desafetos. Havia na mesma mesa o Wadis Benvenutti, Carlos Duso, Felipe Gonzales, José Elias Aiex, Edson Stumpf, Adelino de Souza e sem cometer o pecado de esquecimento, basta lembrar que deu muito certo. Vai que o General resolve chamar o Mac para passar uns tempos em alguma secretaria?

E o Paulo hein?
Há um movimento dos grandes para o Mac disputar vaga legislativa este ano. Quem o conhece bem sabe, de traz para a frente, que não é lá muito chegado em vida de legislador, vereador, deputado, senador e afins, pior ainda se for longe da cidade. O que ele quer mesmo é voltar para a prefeitura. Resta-nos saber o que deve estar armando. Quieto não está.

Eu no Contraponto
Leitores perguntam se abandonei a escrita pelo microfone. Explico: uma coisa não vive sem a outra. Jamais deixarei de escrever, mesmo aceitando integrar o time do programa Contraponto, sob o comando do eclético Dr. Nelso Rodrigues. Ainda não há data para a estreia, nem pressa, mas tudo parece estar sacramentado. Eclético porque Nelso comenta política, diverte, prende o ouvinte e ainda é um baita narrador de futebol. Conhece música, arte, literatura. Pode colocar “eclético” em letras garrafais no currículo. Confesso: nem estreei e já estou puxando o saco do chefe.

Eu na Rádio Cultura
Volta e meia eu apareço por lá. É amor antigo. Entrei na emissora em 1980, de carteira assinada, e mesmo depois do fim do contrato CLT nunca me desliguei de fato. Na verdade, nunca saí — ou a Rádio Cultura é que nunca saiu de mim. Chamou, eu vou. Desta vez, porém, será algo mais consistente, o que exige organização. Agradeço ao Nelso a confiança e prometo devolver no meu melhor. Há outras novidades, mas fiz juramento solene de não antecipar.

Futuro sempre
Milito na comunicação há bastante tempo. Comecei em São Paulo, passei pelo Rio e estou em Foz do Iguaçu há 46 anos. Fiz de tudo: rádio, TV, cinema, revistas, agências, livros e jornais. Atualizar-se é obrigatório, por isso mergulhei no mundo digital. Desde 2020 atuo no Almanaque Futuro, ao lado de Eliane Schaefer, uma proposta que se renova diariamente. Por um bom tempo, dividi o dia entre o jornal impresso e o portal. Eliane segue exemplar, profissional acima da média. Eu, porém, decidi abdicar dos impressos por duas razões simples: só sei fazer se for bem feito e não compactuo com censura, imposições e pequenices. Voltar ao rádio, portanto, é redenção. A Rádio Cultura sempre me resgata, escancara as portas e me abraça. Hora de devolver com galhardia.

Canja Solidária?
Sim, muito solidária — e com orgulho é chamada por todos de “Canja do Galo Inácio”, patrimônio afetivo iguaçuense e que chega aos 25 anos. A edição de 2026 será dedicada ao Caia – Centro de Atenção Integral ao Adolescente, projeto admirável que atua no Porto Meira, acolhendo crianças, adolescentes e idosos. Atendendo ao pedido do Rotary Clube Foz do Iguaçu – Grande Lago e de sua presidente, Dalzira Silveira, aceitei desenvolver a logomarca do evento, já estampada em camisetas e materiais promocionais. Fica o apelo aos empresários: ajudem na doação de camisetas. Elas aumentam a arrecadação e fortalecem o Caia. Segue o desenho para a apreciação dos queridos leitores. Um bom dia a todos!