A costura política antes do fechamento da janela
O cenário é quase outros, com pré-candidatos tentando um ajuste na nova realidade.
O mundo depois da janela
A costura foi intensa no tecido político iguaçuense, com alguns lances até inusitados. Muito disso se deu em razão dos reflexos no Estado do Paraná e também pela corrida presidencial ainda polarizada. Os pré-candidatos fervem nos cálculos de votos necessários em cada legenda e, naturalmente, isso influenciou bastante na escolha de uma agremiação. “Que mané ideologia coisa nenhuma”, dizem; o que importa é se eleger para depois deliberar. É essa a face aberta da política brasileira. O viés ideológico é seguir o líder da direita ou da esquerda, com os dois lados pendendo para o centro.
Apostas apressadas
O fato é que muitos jogam precipitadamente, outros nem tanto. Há quem olhe para as pesquisas no Paraná convicto em uma vitória avassaladora de Sérgio Moro, conforme o último mix de sondagens. Mas calma, estacionou. O caso é que minhoca esperta não atravessa o galinheiro e sabe que o ambiente poderá se alterar no curso dos acontecimentos. Ainda é cedo sob todos os aspectos. A trama ainda nem começou a se desenrolar.
Ratinho e as pesquisas
Os passarinhos que pousam nas janelas do Palácio Iguaçu garantem que o governo mantém um altíssimo grau de confiança, com gente apostando alto na sucessão, seja lá com quem for. O nome forte continua sendo Guto Silva, que estaria para ser anunciado em breve.
Seo Moro e afins
O senador não perde tempo: sentou na janelinha do PL e está filiando tudo o que há pela frente, aumentando o calibre partidário. Zé Elias, de Foz, assinou a ficha. O partido levou de volta para a legenda o deputado federal Vermelho e, junto dele, o Matheus, que até pouco tempo transitava de braços dados com Guto Silva. Para o pai, o PL é casa antiga — saiu de lá ressentido com os embaraços nas eleições municipais e retornou sorridente, apostando em Flávio e na corrente bolsonarista. Já para Matheus a situação é outra: é ambiente novo, sem as amarras com o governo estadual. A esta altura, já recebeu aviso para devolver as nomeações que faziam parte dos acordos com a “Ratolândia”. Mas no fim, segundo consta, ambos se identificam mais com as propostas de Flávio Bolsonaro e, por tabela, apoiarão o projeto do partido em território paranaense. Vão de chapa limpa, sabendo que o PL é pesado e exige muitos votos para a eleição. Pai e filho foram corajosos.
Moro em Foz
O senador aproveitou o final de semana para descansar em Foz e, claro, visitou as Cataratas via Macuco Safari, que comemora 40 anos de operações! Segundo Zé Elias, sempre no assessoramento, Moro e família foram devidamente batizados pela correnteza do Rio Iguaçu — um ponto fundamental para olhar a cidade, seus atrativos e a sua gente com carinho redobrado! (Foto Principal)
Aproximação
Todo mundo sabe que Zé Elias construiu e consolidou uma amizade muito forte com o senador. Em caso de sucesso nas urnas, a cidade terá um ancoradouro bem firme no governo.

E como é que fica?
O General Silva e Luna permaneceu no PL; diga-se, continua presidente do partido em Foz. Com a decisão, terá que conversar com Vermelho e Matheus. Quem diria! Uma mudança radical para quem estava acostumado a deliberar tudo com Fernando Giacobo — hoje em outra caravela e, conforme os movimentos da maré, a nau se distancia. Ele deve assumir até uma secretaria no governo Ratinho. Como o prefeito não pretende ser candidato a nada neste ano, terá liberdade para decidir o destino partidário com calma. Disse várias vezes que o compromisso é com Bolsonaro e pisa em ovos para comentar a disputa paranaense.
Todos de olho no MDB
A ida de Rafael Greca para o MDB moldou uma nova aura em torno do ex-eterno-prefeito de Curitiba. Tornou-se o “sonho de consumo” para todas as frentes (esquerda, direita e centro) e, para onde for, terá chances de emplacar cadeiras na ALEP e na Câmara. Vale lembrar que Aírton José voltou para o partido e é pré-candidato por Foz. Ele está em intensa movimentação e já integra a lista fixa dos nomes que devem encarar a disputa.
União Brasil
A nova casa de Deoclecio Duarte. Ele optou por uma escolha intermediária e estará atento aos movimentos, pois é assim que se formará a nova fase política: entendendo como será o agrupamento das alianças. O União Brasil federaliza com o PP, uma estrutura bem situada e em compasso de espera. Se a escolha partidária foi cuidadosa, o pós-janela requer olhar periférico. Para Deoclecio, as mudanças não implicam em recomeço; pelo contrário, ele transita em uma avenida larga e pavimentada para sua empreitada.
Paulo Mac quietinho
Como este colunista escreveu várias vezes, o mundo girou, mas Paulo Mac ficou na dele, no PP, observando o movimento. Agora, sem Matheus no partido, ele pode até arriscar “entrar na chuva e não se molhar”. Atrapalhar os aliados da última eleição era algo que ele não queria. Para os afoitos, vai o recado: Paulo vai continuar na moita, porque sabe que sua entrada faz barulho. Se sair candidato, jogará caroço no angu. Mas como Paulo olha muito para 2028, vamos aguardar o caldo engrossar.
João Morales
O ex-vereador está no Solidariedade, federado com o PRD, e forma base aliada com Flávio Bolsonaro e Sérgio Moro no Paraná. É outro nome que trabalha a candidatura para a Câmara Federal. Vários pré-candidatos surgiram no período de janela, alguns velhos conhecidos, inclusive.
PT, PV e afins
A ala da esquerda, apesar dos recentes encontros com lideranças (Enio, Gleisi e Zeca), trabalha a formatação da dobradinha. Dizem que tudo se encaminhava para Valentina, até a chegada de Yasmin Hachem ao PT pela porta lateral. Sim, em condições normais, o PT possui a porta da frente (por onde entra a base da pirâmide petista) e a portinhola do lado (quando o “povo de cima” empurra um nome aqui ou acolá). De qualquer maneira, não é a porta dos fundos, o que já é um alento. No geral, Requião Filho segue mandando ver, com uma frente considerada por ele auspiciosa.
E o que falta?
Os partidos e seus pesos-pesados ajustam as luvas para os rounds vindouros. Tudo indica que não será uma luta de nocaute. Na sequência, resta saber a composição para o Senado e os contornos das odisseias partidárias. Seguimos atentos!
Rogério Romano Bonato escreve a coluna No Bico do Corvo com exclusividade para o Almanaque Futuro
