Itaipu volta a abrir vertedouro em menos de um dia para conter cheia do rio Paraná
Calha esquerda voltou a operar nesta segunda-feira (26), com liberação de 3,1 milhões de litros de água por segundo; operação ocorre durante o pico da cheia do Rio Iguaçu
A Itaipu Binacional reabriu a calha esquerda do vertedouro da usina, menos de 16 horas depois do fechamento completo da estrutura. Neste momento, a operação libera aproximadamente 3,1 milhões de litros de água por segundo.
O vertedouro havia sido fechado às 17h32 de domingo (25), após permanecer em operação durante 26 dias. A decisão fazia parte de uma estratégia para reduzir a quantidade de água liberada para o Rio Paraná e, assim, amenizar os efeitos da cheia provocada pelo grande volume de água que desce pelo Rio Iguaçu.
Reabertura ocorreu por necessidade do sistema elétrico
Segundo a Itaipu, a reabertura da calha esquerda foi necessária para adequar a geração de energia da usina às demandas do sistema elétrico brasileiro.
Por enquanto, apenas essa calha está em funcionamento. A calha central permanece fechada e não há previsão de quando a estrutura voltará a ser aberta ou de quando a calha esquerda será novamente fechada.
A geração de energia da usina continua normalmente, seguindo as orientações dos operadores dos sistemas elétricos do Brasil e do Paraguai.
Rio Iguaçu registra volume excepcional
A reabertura ocorre justamente em um dos momentos mais críticos da cheia na região. As Cataratas do Iguaçu registraram nesta segunda-feira uma vazão de 17,7 milhões de litros por segundo, a maior marca de 2026 até agora e cerca de 11 vezes acima da média histórica.
Grande parte desse volume segue em direção ao Rio Paraná, aumentando a pressão sobre os níveis do rio na região de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este.
Na estação de monitoramento da Ponte da Amizade, o Rio Paraná estava na cota de aproximadamente 115 metros acima do nível do mar, com projeção de elevação nas próximas horas em razão do volume proveniente do Rio Iguaçu.
Controle da cheia continua
O fechamento temporário do vertedouro permitiu que Itaipu armazenasse parte da água no reservatório. De acordo com estimativas da operação, a estratégia ajudou a evitar uma elevação de até quatro metros no nível do Rio Paraná na região de fronteira.
Com a cheia ainda em evolução, a usina mantém o monitoramento das condições hidrológicas e poderá realizar novos ajustes na operação conforme o comportamento dos rios.
A situação exige atenção principalmente nas áreas ribeirinhas de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, que já enfrentam os efeitos da elevação do Rio Paraná.
Crédito Imagem William Brisida/Itaipu Binacional.
Da Redação Almanaque Futuro