Que país é esse?

O que um debate pela presidência da república acrescenta e ao mesmo tempo serve para decepcionar a população? Leia a coluna No Bico do Corvo, assinada por Rogério Romano Bonato.

Voto preventivo

Meus amigos, francamente, vamos tratar das questões eleitorais com franqueza e discernimento, porque no próximo domingo vamos votar e dependendo a escolha, teremos quatro anos de adversidades. Eu espero que sejam boas, situações diferentes que nunca vivemos e nos façam respirar o alívio; mas poderá ser diferente e evitar o sofrimento deve ser uma meta coletiva. Coisa mais chata daqui alguns meses, é ouvir lamentos de arrependimentos, logo é melhor usar os dedos e a cabeça no momento da votação.

 

Encurralados

Talvez esta seja uma eleição que exija muito do povo brasileiro, mais do que em qualquer momento no passado. A minha observação se baseia no que vi na noite do domingo, o debate entre os candidatos. Adormeci decepcionado e, preocupado. Cheguei apensar: está ruim escolher um dos dois, se o assunto é representar a mim e a população, como realmente esperamos. Tanto Flávio como Lula se mostraram ou frágeis ou abusados em muitos aspectos; escorregando em polêmicas, mais se desviando das arapucas armadas um para outro, do que esclarecendo como nos salvar as agruras, das crises e o que mais enfrentaremos nesse mundão véio, que parece ser mais do diabo do que de Deus! Só a fé, não parece ser o suficiente.

 

Personagem em evidência

Quem diria, o tal Vorcaro foi citado o tempo todo, usado como peça de artilharia por Flávio e Lula. Isso nos força descobrir qual foi menos acusado, de maneiras a escolher de novo o “menos pior”! Oras aonde é que o Brasil foi se aninhar? Quem conhece bem a história da humanidade relacionaria uma lista de personagens que cabem em um e outro e que no fim, não fizeram bem algum para as sociedades afetadas. Uma das crueldades da polarização é imaginar que vencedor administrará apenas o medo do derrotado, com sério risco de esquecer o restante.


O mundo de olho

A imprensa internacional destacou o tom caótico, tenso e marcado por agressões pessoais no primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, realizado no domingo (18) pela TV Bandeirantes. Veículos como Le Monde (França), El País (Espanha), Al Jazeera (Catar), além dos argentinos Clarín e La Nación, enfatizaram que o confronto foi marcado por provocações físicas, poucas propostas concretas e trocas intensas de acusações — envolvendo escândalos de corrupção, menções a Javier Milei e alegações de ligações com o crime organizado. Segundo a cobertura conjunta desses veículos, o embate refletiu o clima de profunda polarização da campanha no segundo turno, terminando sem um vencedor claro ou deslizes decisivos capaz de desequilibrar a disputa técnica apontada pelas pesquisas.

 

Vamos ao que verdadeiramente interessa…

…nos poucos espaços que podemos definir como “proveitosos”, o debate nos trouxe o que um teria feito melhor que outro, ou seja, as coisas que Lula se atribui e Fávio ao pai dele. Falaram do PIB, da economia, e feitos que parecem maravilhosos, mas que sabemos, não ultrapassam a barreira da “obrigação” de um gestor público. Não vamos ocupar mais tempo mencionando o que um fez e outro desfez, trocando seis por meia dúzia.

 

A prova dos nove

Há muitos brasileiros antenados e eles são formadores de opinião. No lugar das ofensas, trocadilhos, notícias falsas, insultos e baixarias, se ocupam com a verdade, em saber o desempenho real dessa gente que escolhemos. Pois bem, meu filho Marcus Vinícius que vive na Europa, enviou-me neste domingo um resumo muito bem pontuado, com fontes fiáveis de tudo o que fizeram desde o início do governo Bolsonaro até os tempos de hoje, no governo Lula. A comparação dos dados nos aponta situações favoráveis a um e outro, mas totalmente desfavoráveis aos brasileiros, pelo simples fato de que deveriam fazer mais e melhor. Tais números se tornam pífios se comparados a muitos países, mas ao mesmo tempo, nos dão confiança de que nada afunda o Brasil e sua espetacular força de trabalho, riquezas, expressão cultural e vanguarda frente à humanidade. Isso independentemente quem estiver no leme.  O relatório nos  dá uma dimensão da falta que há em renovar as lideranças políticas, isso sim.

 

A comparação

Para fundamentar nossa reflexão com dados concretos, disponibilizamos aos leitores um relatório comparativo minucioso sobre os principais indicadores econômicos e sociais dos governos Jair Bolsonaro (2019–2022) e Luiz Inácio Lula da Silva (2023–2025). Ele me foi enviado pelo Marquinhos e quem diria, confeccionado com zelo por dois iguaçuenses. Trata-se de uma iniciativa de pesquisa independente desenvolvida pelos analistas Marcelo Penayo e Raby Khalil, com o objetivo de subsidiar o debate público de forma técnica e transparente no cenário eleitoral.

O estudo consolida dados de áreas cruciais — como PIB, inflação, arrecadação, investimentos em infraestrutura, educação, segurança pública, saúde e políticas ambientais — balizados estritamente por fontes oficiais e institucionais (como IBGE, Banco Central, Tesouro Nacional, Ministérios e entidades setoriais), todas devidamente indexadas no documento.

Confira o comparativo completo dos indicadores no documento em PDF disponibilizado abaixo: