O alívio na folia: Foz do Iguaçu trabalha logística para o conforto no Carnaval 2026

Enquanto grandes capitais brasileiras lutam contra filas quilométricas e multas por "xixi na rua", Foz do Iguaçu aposta na revitalização de estruturas permanentes e no conforto dos foliões.

O Carnaval é a festa da liberdade, mas para milhões de brasileiros, a maior folia pode se transformar em um teste de resistência para a bexiga. Enquanto grandes capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Olinda lutam contra filas quilométricas e multas por “xixi na rua”, Foz do Iguaçu decidiu trilhar um caminho diferente em 2026. Sob a batuta da Fundação Cultural, o foco deste ano não é apenas o que acontece em cima do palco, mas a dignidade de quem está no chão da avenida.

Um banheiro para multidões

Dados levantados pelo Ministério do Turismo estimam que 65 milhões de foliões ocupem as ruas do Brasil este ano. A logística para atender essa massa é, muitas vezes, precária. Em Olinda, a média assusta: há apenas um banheiro químico para cada 2.000 pessoas por dia. Em São Paulo, o cenário melhora pouco, com uma cabine para cada 1.074 foliões.

Até mesmo o Rio de Janeiro, com sua estrutura robusta, trabalha com uma média de um sanitário para cada 186 pessoas. O “aperto” é tão real que no Rio a multa para quem for pego aliviando-se em vias públicas chega a R$ 805. É o custo alto de uma infraestrutura que, historicamente, foca no efêmero.

A estratégia de Foz: estrutura física vs. banheiro químico

Em Foz do Iguaçu, a diretora-presidente da Fundação Cultural, Patrícia Iunovich, adotou uma medida que une inteligência fiscal e zeladoria urbana. Em vez de depender exclusivamente da locação de dezenas de banheiros químicos — que são caros, muitas vezes insalubres e frequentemente alvo de vandalismo pelo Brasil afora —, a cidade investiu na reforma e saneamento dos banheiros públicos da Praça da Paz.

Diferente das cabines plásticas, os sanitários físicos e permanentes de Foz suportam um fluxo muito maior de usuários simultaneamente; reduzem drasticamente os gastos públicos com aluguel de equipamentos temporários e garantem higiene e conforto superior, evitando que postes e muros sejam convertidos em mictórios improvisados. Mesmo assim, 30 banheiros químicos foram espalhados pela área onde acontecem os festejos carnavalescos.

Com a economia gerada pela manutenção de uma estrutura própria, a Fundação conseguiu aplicar os recursos de forma mais “folgada” na própria programação artística do FozFolia.

Conforto como diferencial turístico

A medida também alivia uma tensão comum entre foliões e o comércio local. Em muitas cidades, estabelecimentos limitam o uso de banheiros apenas a clientes, criando um “apartheid sanitário” em plena festa popular. Ao oferecer banheiros públicos recuperados e com a devida manutenção, Foz alivia literalmente os foliões.

Se comparada ao restante do país, a Terra das Cataratas entrega uma experiência boa, enquanto em Belo Horizonte o gasto com banheiros químicos saltou para R$ 4,3 milhões em 2026, Foz aposta na perenidade e na educação patrimonial. É a prova de que, para o samba acontecer com alegria, o respeito às necessidades básicas do cidadão deve vir em primeiro lugar.