FozFolia 2026: o resgate da irreverência e o samba de volta ao trono

O folião iguaçuense via a expectativa da correção de rumo no Carnaval da cidade, onde ocorrem vários eventos paralelos durante todos os dias de folia.

FozFolia 2026: o resgate da irreverência e o samba de volta ao trono

A terceira pista da Avenida JK não recebeu apenas foliões na noite desta sexta-feira (13); ela recebeu um desabafo em forma de ritmo. Mesmo sob uma chuva persistente que insistia em testar o ânimo do público, a abertura oficial do FozFolia 2026 pulsou com uma energia que parecia represada. Havia uma ansiedade palpável no ar, um desejo da população de reencontrar o “Carnaval de verdade” após a experiência de 2025, quando a iniciativa pública deixou lacunas profundas. Na memória recente, a homenagem a Santos Dumont — que soou deslocada para muitos — e a polêmica inserção de música sertaneja no palco principal ainda geravam críticas, deixando um rastro de insatisfação entre aqueles que buscam a essência da festa momesca.

Contudo, o cenário mudou drasticamente com a nova gestão da Fundação Cultural. Desde seus primeiros dias no cargo, a diretora-presidente Patrícia Iunovich — carinhosamente adotada pelo meio artístico como Paty — não se intimidou diante do desafio de aplicar um “corretivo” institucional no evento. O objetivo era claro: devolver a Foz do Iguaçu a irreverência e a identidade carnavalesca. A começar pelo nome, FozFolia, a gestão sinalizou um retorno às raízes. Paty cumpriu a promessa de que o samba voltaria a ser o protagonista do complexo, garantindo que o palco fosse ocupado por cerca de 40 músicos iguaçuenses, além das grandes atrações nacionais. Esse movimento não apenas acalmou os ânimos, mas reacendeu o orgulho dos artistas locais, que agora compõem mais de 95% da grade de programação.

A solenidade de abertura foi marcada pelo inédito cortejo de blocos e pela tradicional entrega da chave da cidade. O prefeito de Foz do Iguaçu, General Joaquim Silva e Luna, passou o comando do município ao Rei Momo, Leonardo Moisés Galdino de Oliveira, e à Rainha do Carnaval, Livia Costa Santos. Durante o ato, acompanhado pelo vice-prefeito Ricardo Nascimento e pelo presidente da Câmara, José de Brito, o prefeito enfatizou que o FozFolia é uma celebração da cultura e da capacidade organizacional da cidade em promover um evento seguro e plural. A estrutura de segurança, inclusive, chamou a atenção por ser o maior contingente já empregado na história do Carnaval iguaçuense, com forças integradas atuando em cada metro da avenida.

Mas a atuação da Fundação Cultural em 2026 extrapola os limites da JK. Em uma estratégia de descentralização e fomento, a gestão de Patrícia Iunovich estendeu o apoio a diversas frentes pela cidade. O Bloco Papai Urso e outras agremiações ganharam fôlego nas atividades da Avenida Brasil, enquanto a Charanga da Yolanda surge como uma revitalização charmosa do Carnaval da Saudade em um dos bairros mais históricos e icônicos de Foz. Esse apoio multisetorial reforça o compromisso de fortalecer o corredor artístico local e garantir que a cultura seja produzida por quem vive o dia a dia da fronteira.

Apesar das poças d’água, o clima de animação da primeira noite deve ditar o tom de toda a festa. A programação segue intensa até terça-feira (17). Neste sábado (14), a expectativa é de avenida lotada para o “xote da alegria” do grupo Falamansa, que sobe ao palco às 22h, após as apresentações do Afoxé Ogún Funmilaiyó e Maracatu Alvorada Nova. O domingo (15) será reservado ao retorno do Carnaval da Saudade, focado nas famílias, e a segunda-feira (16) promete ser o ápice do pagode com o show nacional do ImaginaSamba. O encerramento, na terça-feira, terá como ponto alto a icônica Canja do Galo Inácio, que em 2026 celebra suas “Bodas de Prata” — 25 anos de tradição e solidariedade. Com o FozFolia 2026, a Avenida JK reafirma-se não apenas como um espaço geográfico, mas como o coração pulsante da economia criativa e da identidade popular de Foz do Iguaçu.