Historiador explica o surgimento e curiosidades históricas do Carnaval
Criação teve influência de diversos povos e culturas ao longo dos séculos
O Carnaval é um dos momentos mais esperados do ano por muitos brasileiros. A festividade leva milhões de pessoas às ruas durante os dias de folia; no entanto, poucas conhecem a origem dessa celebração, marcada por uma história rica e complexa. A data tem origens as quais remontam à Antiga Roma e à Idade Média na Europa. O historiador e professor do curso Educação a Distância (EaD) de História da UNINASSAU, Ricardo Oliveira, explica que o Carnaval era marcado por excessos, máscaras e inversão de papéis sociais.
“Na Antiga Roma, a folia vem das raízes nas festas romanas de Saturno (Saturnais) e Bacanal, celebradas em honra de Saturno e Bacchus (Deus do Vinho), respectivamente. Já na Idade Média na Europa medieval era um festejo pré-quaresmal, comemorada antes da Quaresma – período de jejum e penitência – e uma época recheada de folia, comida, bebida e diversão, antes do período de abstinência”, destaca.
O historiador ressalta que o Carnaval no Brasil chega com os colonizadores portugueses no século XVII. Inicialmente, era uma celebração restrita; com o tempo, o Carnaval se popularizou, incorporando elementos da cultura africana, indígena e outras influências. O samba, trazido pelos escravos africanos, se tornou um elemento central da festividade brasileira. “No início do século XX, a celebração começou a se organizar em torno de escolas de samba e blocos de rua. Eles aconteciam em Salvador e no Rio de Janeiro, que realizava desfiles das escolas de samba no Sambódromo, na qual consagra a festa de carnaval como um dos mais famosos do mundo”, afirma o historiador.
Em Salvador, o Carnaval é conhecido pelos trios elétricos e blocos de rua. Já em Olinda, a festa se destaca pelos bonecos gigantes e pela forte tradição popular. Na maior metrópole brasileira, São Paulo, o Carnaval reúne desfiles de escolas de samba e blocos de rua. Já no Recife, a folia é marcada pelo frevo, pelo maracatu e pelo maior bloco carnavalesco do mundo, o Galo da Madrugada. “As agremiações carnavalescas surgiram como organizações comunitárias ligadas às populações negras e periféricas, com o samba como expressão cultural central, tornando-se símbolos da cultura brasileira até os dias atuais”, acrescenta.
É importante pontuar que outras cidades brasileiras trazem consigo essa festa colorida e economicamente representativa: Niterói, Paraty, Ilhéus, Porto Seguro, Santos, Campinas e Manaus. Ricardo Oliveira completa também sobre o impacto do Carnaval como um grande impulsionador da economia local, gerando bilhões de reais em receita e criando milhares de empregos temporários. Segundo estimativa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em 2026, o evento movimente cerca de R$ 14,48 bilhões em todo o país. Os setores com mais representatividade no crescimento econômico, sazonal, são: bares, restaurantes, transportes e hotéis.
“Os impactos positivos dessa festividade incluem o fortalecimento da imagem do Brasil no exterior, a geração de renda para pequenos e grandes empreendedores e o estímulo à economia criativa, associada a um turismo sustentável. O Carnaval não é apenas uma festa colorida e alegre, mas também um dos pontos altos da economia nacional. Por isso, esse período deve ser vivido com respeito, alegria e valorização das tradições históricas da maior festa popular do país”, finaliza.
Assessoria
