Giovanni Vissotto e a arte que moldou a paisagem cultural de Foz do Iguaçu
Escultor autodidata deixou obras monumentais espalhadas pela cidade
Da redação Almanaque Futuro
Em Foz do Iguaçu, a arte não se limita a museus ou galerias fechadas. Ela ocupa ruas, praças, igrejas e bairros inteiros. Parte essencial dessa presença artística é fruto do trabalho de Giovanni Vissotto, escultor e artista plástico autodidata que se estabeleceu na cidade em 1975 e, desde então, construiu uma trajetória diretamente ligada à história e à identidade cultural do município.
Com mais de cinco décadas de produção, Vissotto transformou o espaço urbano em um verdadeiro acervo a céu aberto. Suas obras não apenas embelezam a cidade, como também contam histórias e preservam a memória coletiva.
Um monumento que representa o povo
Entre os trabalhos mais emblemáticos está o monumento de São Francisco de Assis, localizado no bairro Morumbi. A escultura possui aproximadamente 10 metros de altura, somando base e imagem, e completou 25 anos em 2025. Distante da estética sacra tradicional europeia, o São Francisco concebido por Vissotto apresenta traços humanos marcantes, inspirados em um morador simples da comunidade, conhecido como “Seu José”.
A escolha estética, inicialmente questionada, acabou se tornando o principal diferencial da obra. Ao representar o santo com feições populares e expressão de esforço e humildade, o artista criou uma forte conexão emocional com os moradores do bairro, que passaram a enxergar o monumento como símbolo de pertencimento e resistência.
Em 2024, o próprio Giovanni Vissotto participou do processo de restauração da obra, garantindo a preservação de suas características originais e reforçando o compromisso do artista com a memória urbana da cidade.

Natureza, lendas e identidade regional
A produção de Vissotto vai além do aspecto religioso. Seu trabalho incorpora referências do bioma local e do imaginário da região trinacional. Esculturas do peixe Dourado, espalhadas por diferentes pontos da cidade, tornaram-se referências visuais associadas aos rios e à pesca, enquanto figuras lendárias como Naipi e Tarobá ganharam forma pelas mãos do artista.
Relatos de sua trajetória incluem episódios emblemáticos, como o uso de um jipe adaptado como ateliê itinerante nas Cataratas do Iguaçu, reforçando o caráter experimental e independente de sua atuação artística.
Arte pública e memória coletiva
Além das esculturas de grande porte, Giovanni Vissotto também é autor de obras de caráter histórico e institucional, como o busto de Getúlio Vargas, localizado na Praça Getúlio Vargas, no centro da cidade. A obra homenageia o presidente responsável pela criação do Parque Nacional do Iguaçu, em 1939, conectando arte, história e preservação ambiental.
Ao longo de sua carreira, Vissotto participou ativamente da vida cultural de Foz do Iguaçu, envolvendo-se em iniciativas e debates sobre arte pública, patrimônio e identidade cultural, além de contribuir para a criação e o fortalecimento de espaços culturais no município.
