No Bico do Corvo: Das urnas ao samba, o paraná em ubulição nos botecos!
Linha de Notas: "Entre o cheirinho de bolha política e a coelhada carnavalesca de Paty, a cidade ferve. E o Galo Inácio, firme e forte, pede sua canja!"
Os extremos do botecário
Depois de muito, muito tempo mesmo, resolvi bater ponto no boteco. Ao entardecer, ocupei uma mesinha no Joãozinho, o mestre dos espetinhos, que fica no bairro mais elegante da cidade, a Vila Yolanda. Comensais de happy hour sabem que o público se alterna: primeiro acontece o encontro de amigos, depois vão chegando as famílias e, no final, as mesas são tomadas pela turma da saideira. Mesmo em um local seleto, era possível compreender que os assuntos do dia continuam dominando a vontade dos frequentadores. Futebol, política e carnaval impregnavam o ambiente.
No futebol
Além do apetite dos tricolores e urubus, o assunto da noite foi a vitória do Foz (3) sobre o Cianorte (2), pela Série D. Apesar do horário, o Estádio do ABC praticamente lotou. O Azulão aparece na segunda posição do Grupo A, liderado pelo Londrina. O drama será no sábado, quando o Foz precisará encarar o Operário em Ponta Grossa. Aí é pedreira.
Na política
Nas rodas pelas quais tive a oportunidade de transitar — porque gente sumida de boteco precisa fazer uma peregrinação entre as mesas —, o assunto era, além de algumas questões locais, a sucessão no governo do Estado. As “questões locais” parecem ser as mesmas: o pão duramente amassado pelo demo e roído pelo General Silva e Luna. “Você acha que ele dá a volta, Bonato?”. Isso várias pessoas perguntaram e, se há dúvida, já é um bom começo para o prefeito. Aprendi a não subestimar e devemos lembrar que inicia apenas o segundo dos quatro anos de mandato. Restam, portanto, três anos. Como no futebol, já vi muita virada de placar na administração pública. Mas nessas conversas eu sinto um cheirinho de bolha, do tipo “fulano me disse isso”, “um vizinho comentou aquilo”, “li no blog que tais coisas aconteceram”… Puxa vida, o que parece não haver é opinião própria, de gente isenta. Ingressando no segundo ano de mandato, o prefeito deve estar cansado de saber que precisa “chegar chegando” e furar essa bolha de informações aleatórias. Isso só se faz trabalhando, mostrando resultado e, aos poucos, encarando a opinião pública de frente.
O ser político iguaçuense
Refiro-me à população. Em nada diferente de outras cidades, o cidadão fronteiriço ainda caminha sob o estigma da polarização. Não vamos esconder que se trata de uma cidade com predominância na direita, migrando com relativa força para o centro, sempre de olho em todos os lados. A realidade é que o Governo do Estado faz o barulho, mas a grana sai de Itaipu; logo, todo mundo fica com um olho no peixe e outro no gato. Neste caso, não ousaria rotular quem são os peixes e os gatos — isso fica por conta do leitor. No fim, as pessoas sabem que é só força de expressão.
No governo
Vejo uma corrida maluca, parecida com a dos desenhos animados, com a Penélope Charmosa, o Barão Vermelho, os Irmãos Rocha e, claro, o Dick Vigarista e o seu Muttley, com aquela risadinha infame. Se fosse para criar uma comparação, eu gostaria de ser o cão sacana. Pois bem, saindo do traço da dupla Hanna & Barbera, a disputa pelo Palácio Iguaçu orbita, de um lado, o senador Sérgio Moro e, de outro, Sandro Alex, Alexandre Curi e Rafael Greca, os mais evidentes. Na ponta esquerda aparece o veloz Requião Filho, a cara do pai em muitas circunstâncias, o que poderá chamar a atenção do povo. Olhando para a capital, e também para onde irá o governador Ratinho Jr., é que saberemos como será a divisão das águas nos municípios, ou seja, o posicionamento dos nossos queridos políticos — os que possuem mandatos e os que pretendem ocupar cadeiras na ALEP e na Câmara Federal.
Sem dança
O eleitor precisa aprender de vez que eleições como a deste ano não são uma “dança das cadeiras”. É para o Executivo, no caso Governo do Estado e Presidência da República; no restante, isso pode ser uma dança de aumentar as cadeiras, para que mais pessoas sentem próximas ao poder e deliberem em favor do município, se é para pensar assim em Foz do Iguaçu. Devemos conservar e aumentar a representatividade, quem sabe mantendo três deputados federais — independentemente de quem sejam os eleitos — e três estaduais. Isso deveria ser encarado como meta.
Preferência?
Não tenho opinião ainda formada sobre quem seria melhor para governar o Paraná. Vejo um nome escalando o paredão e que, dependendo do movimento, poderá se tornar um divisor de opiniões: trata-se de Rafael Greca de Macedo. Na matemática, ele pode fazer a diferença para onde pender; e se resolver a carreira solo, vai complicar a vida de muita gente. Vamos pensar que os votos que ele pode não angariar no interior sobram em Curitiba e cidades no entorno. Pode ser que Greca e Requião Filho sejam os responsáveis pela maior coceira na cabeça de Sérgio Moro, mais até que os possíveis ungidos pelo governador. Ratinho deve viver o mesmo dilema. No resto, surgem outras possibilidades, mas elas ainda não deixaram esse campo das… “possibilidades”.
Do pão ao circo!
Ou melhor: das urnas ao samba! Outro tema muito comentado no boteco foi o Carnaval de Foz e os seus preparativos. Patrícia Iunovich entrou na Fundação com os dois pés no calendário carnavalesco. É o que muita gente comentou. Uma coisa é certa: o governo acertou na escolha. Paty é briguenta, birrenta, se comporta como a Mônica dos quadrinhos, distribuindo coelhadas até nos melhores amigos, mas todo mundo gosta.
Visão centrada
A recém-diretora-presidente da Fundação Cultural conseguiu juntar quase 40 atrações para os dias de folia, reativou o Carnaval da Saudade no local onde haverá os festejos e apoia novas iniciativas, como dar musculatura para a Charanga da Yolanda, porque sabe a importância de descentralizar a folia. O dilema de Patrícia é trazer atração nacional e apagar um pouco a “bambuzada” do Natal, um fiasco histórico e sem precedentes. Para alguém como ela, organizadora de Natais exuberantes em Itaipu, deve ter sido difícil engolir os adereços de bambu — nem que fosse broto em prato de comida chinesa. Se alguém falar em bambu na Fundação, leva uma coelhada ao pé do ouvido!
Fazendo o certo
O segredo de a Patrícia estar chamando a atenção positivamente é o simples fato de “não ter segredos”. Ela abre o jogo, conversa com todos os setores, atua democraticamente, como pede o Carnaval. Antes dela, a festa estava mais para desfile militar do que qualquer outra coisa. Vamos acompanhar os movimentos!
A Canja do Galo Inácio!
Que mané “sopa solidária” coisa nenhuma; quem escreve isso está mais por fora que umbigo de vedete. O nome do evento é “Canja do Galo Inácio”, sim senhor, e com muito orgulho! Peço aos queridos amigos empresários que ajudem o evento: que cada um compre um pequeno lote de camisetas, que seja. É uma maneira de reverter renda integral para as obras do CAIA, em pleno Porto Meira! Ajudem!

Rogério Romano Bonato retorna ao botecos e mede a febre dos frequentadores sobre o futebol, a política e o Carnaval, sempre com exclusividade para o Almanaque Futuro e Rádio Cultura de Foz do Iguaçu
