Foz perde Álvaro Wendhausen de Albuquerque, um dos grandes nomes da advocacia paranaense
Pioneiro do Direito na fronteira, fundador da OAB Foz e mestre de gerações, Dr. Álvaro deixa legado que se confunde com a própria história da cidade
Redação Almanque Futuro com informações da OAB
Foz do Iguaçu amanheceu mais silenciosa nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026. Faleceu em Curitiba, aos 87 anos, o advogado Álvaro Wendhausen de Albuquerque, um dos mais antigos e respeitados nomes da advocacia do Paraná e personagem central da construção institucional do Direito na região da Tríplice Fronteira. A morte ocorreu às 5h da manhã, em sua residência, em decorrência de insuficiência respiratória e pneumonia.
O velório acontece nesta segunda-feira, a partir das 16h, na Sala Esmeralda do Crematório Vaticano, em Curitiba. A cerimônia de cremação está prevista para a manhã de terça-feira. Há seis anos residindo na capital paranaense, desde o falecimento da esposa, Ana Maria, Dr. Álvaro vinha sendo acompanhado por equipe de enfermagem domiciliar em razão da saúde fragilizada. “Gostaríamos muito de realizar o velório em Foz do Iguaçu, onde ele deixou tantos amigos”, lamentou a filha caçula, Ana Lúcia.
Natural de Florianópolis (SC), Álvaro Wendhausen de Albuquerque formou-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná em 1962 e, ainda jovem, escolheu Foz do Iguaçu como território profissional e de vida. À época, a cidade engatinhava em sua estrutura urbana, com ruas de terra e poucos serviços públicos. Foi nesse cenário que se tornou o terceiro advogado a atuar formalmente no município, registrado na OAB-PR sob o nº 2.602.
Seu escritório funcionava em frente ao antigo Fórum — hoje ocupado pela Fundação Cultural — e tornou-se referência não apenas pela competência técnica, mas pelo trato humano. Amável, atento aos clientes e profundamente comprometido com a ética profissional, Dr. Álvaro construiu uma reputação sólida e duradoura. Também teve atuação política, chegando a disputar a Prefeitura de Foz do Iguaçu, sempre pautado pelo debate público e pelo respeito institucional.
Figura decisiva para a organização da classe, foi o principal articulador da criação da OAB Foz do Iguaçu. Antes da sede própria, a Ordem funcionou por anos dentro de seu escritório. Ele foi o primeiro presidente da subseção, em 1977, e voltou a comandá-la em outras duas gestões (1977–1979 e 1987–1989), período em que consolidou a presença da advocacia organizada na fronteira.
Além da atuação profissional e institucional, Dr. Álvaro marcou gerações como professor. Lecionou por mais de duas décadas nas faculdades Unifoz e UDC, formando grande parte dos advogados que hoje atuam em Foz do Iguaçu e região. Seu compromisso com a educação jurídica e com a formação ética dos profissionais era tão firme quanto sua defesa da Justiça.
O reconhecimento veio em vida. Em 2021, recebeu a Medalha Accioly Rodrigues da Costa Neto, a mais alta honraria concedida pela OAB Foz do Iguaçu, pelos relevantes serviços prestados à advocacia e à sociedade. Em âmbito estadual, integrou o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-PR e, em 2002, figurou na lista tríplice para o cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), distinção reservada a trajetórias de notório saber jurídico e reputação ilibada.
Viúvo de Ana Maria, Álvaro Wendhausen de Albuquerque deixa cinco filhos — Álvaro Neto, Alexandre, Guilherme, Luciana e Ana Lúcia — e sete netos. Nos últimos anos, optou por viver em Curitiba para estar mais próximo da família, sem jamais romper o vínculo afetivo e simbólico com Foz do Iguaçu.
Álvaro Wendhausen de Albuquerque não apenas exerceu o Direito: ajudou a estruturá-lo onde quase nada existia. Sua trajetória confunde-se com os momentos mais marcantes da história institucional de Foz do Iguaçu, da formação do Judiciário local à consolidação da advocacia organizada.
O Almanaque Futuro, em nome de seus leitores, colaboradores e da memória coletiva da cidade, presta reverência a esse pioneiro. Dr. Álvaro partiu, mas sua obra permanece viva nos tribunais, nas salas de aula, nos escritórios de advocacia e na própria história de Foz do Iguaçu.
