A revolução da experiência: do caos à excelência
Organizar o visitante foi a chave para proteger a floresta e elevar o Iguaçu ao padrão mundial.
Exclusivo Almanque Futuro
Até o final da década de 1990, visitar o Parque Nacional do Iguaçu exigia mais paciência do que contemplação. O modelo de gestão exclusivamente estatal, heroico na missão de conservar, não dispunha da agilidade necessária para acompanhar o crescente interesse internacional. Quem viveu aquele período recorda-se das longas filas de veículos particulares e ônibus de turismo que se formavam ainda na guarita de entrada, serpenteando pela rodovia e gerando impacto ambiental direto no entorno imediato da unidade. Embora o Parque recebesse cerca de 350 mil visitantes por ano, a estrutura operava constantemente no limite. Foi nesse cenário que o Brasil decidiu inovar, transformando o Iguaçu em laboratório pioneiro das concessões de serviços em unidades de conservação.
A entrada da primeira concessionária, a Cataratas do Iguaçu S/A, marcou o início de uma nova era na gestão do atrativo. O desafio era complexo: organizar o fluxo humano sem comprometer o santuário natural. A solução veio com a implantação de um sistema integrado de transporte interno — os ônibus panorâmicos — e a restrição definitiva da entrada de veículos particulares até as quedas. A decisão, inicialmente alvo de debates e resistências, revelou-se o maior acerto logístico da história do Parque. O antigo “caos das guaritas” deu lugar a um Centro de Visitantes moderno, com bilheteria eficiente, sanitários de padrão internacional e uma logística capaz de absorver um crescimento exponencial da visitação.
O resultado foi uma transformação profunda. Em poucos anos, o Parque saltou da casa das centenas de milhares para mais de dois milhões de visitantes anuais, sem que a experiência individual fosse comprometida. Ao contrário: o visitante passou a sentir fluidez, conforto e orientação clara, mesmo em períodos de alta temporada. O discernimento que o Almanaque Futuro propõe é direto: o conforto do visitante tornou-se ferramenta estratégica de preservação. Ao concentrar o impacto humano em áreas definidas — passarelas, mirantes, restaurantes e sistemas de transporte —, a concessão permitiu que a maior parte dos 185 mil hectares permanecesse sob domínio pleno da fauna e da flora.
A oferta de infraestrutura qualificada — passarelas seguras, serviços de apoio eficientes e opções gastronômicas integradas à paisagem, como o restaurante Porto Canoas — elevou o padrão da visitação sem descaracterizar o ambiente natural. O Parque deixou de ser um espaço de “passeio rústico” para tornar-se uma vitrine internacional de hospitalidade brasileira, onde organização e natureza caminham juntas. O conforto, longe de ser luxo supérfluo, revelou-se condição essencial para que o mundo pudesse contemplar o Iguaçu com respeito e dignidade.
Essa primeira fase da concessão preparou Foz do Iguaçu para o século XXI. O êxito do modelo adotado no Parque Nacional serviu de referência para o Governo Federal, que passou a replicar a experiência em outras unidades de conservação pelo país. Ao final desse ciclo, o Iguaçu já não era apenas uma maravilha natural admirada, mas um destino turístico de alta performance, reconhecido internacionalmente por sua capacidade de carga, eficiência operacional e compromisso ambiental.
O terreno estava pavimentado para o próximo salto. A gestão moderna do Parque avançaria para uma nova etapa, unindo infraestrutura consolidada, sustentabilidade ampliada e inovação tecnológica. O desafio seguinte já não seria apenas organizar o visitante, mas aprofundar sua conexão com a natureza em um mundo cada vez mais digital — tema que conduz o leitor ao próximo capítulo desta história em permanente evolução.
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