Tempo, superstição e tecnologia: para onde vai o clima no Paraná?

Entre memórias da vovó, satélites no céu e os impactos do El Niño, o Almanaque Futuro reforça sua cobertura meteorológica em parceria com o Simepar.  

Rogério Romano Bonato (com o Corvo), direto da redação do Almanaque Futuro

 

Vai chover? Cruel dúvida com resposta boa

Previsão do tempo é uma tarefa técnica, mas nem sempre compreendida pela população – como deveria — sobretudo nas áreas urbanas. Basta um ventinho mais intenso para começarem as especulações sobre temporais, raios e ventanias. É um tal de desligar aparelhos da tomada, puxar cabos de fibra ótica e tirar automóveis de perto das árvores. Com o clima instável, principalmente no início da primavera, a especulação aumenta consideravelmente. O assunto aguçou tanto o interesse do público que o Almanaque Futuro passou a receber pedidos de informação meteorológica várias vezes ao dia.

 

A vovó sabia tudo

Bom, este colunista é dos tempos em que a previsão climática era aferida na ponta do dedo indicador molhado e erguido ao vento, na dor latejante de algum osso fraturado e nas velhas superstições. Perguntava-se aos mais antigos se choveria, e a resposta nem sempre correspondia aos desígnios da dupla São Pedro e Santa Bárbara! Lá pelos anos 1970, ainda tínhamos o grande Oswaldo Iwamoto, o “japonês do tempo” — meteorologista e professor aposentado da Universidade Federal do Paraná (UFPR), também conhecido como “homem-satélite” —, que vez ou outra, para o desespero dos curitibanos, errava feio. Mas acertava muito também.

 

Monitoramento

Hoje a situação é bem diferente. Há tantos satélites orbitando o planeta que a NASA precisará instalar semáforos em breve! Um mundaréu de gente depende das condições climáticas e vive de olho na tela do celular: decisões cruciais na construção civil, na pavimentação, no agronegócio, no paisagismo e em eventos de todos os portes dependem desse raio de previsão. Ainda assim, a imprevisibilidade existe, dependendo de fenômenos como o El Niño. Pensando em atender cada vez melhor nossos leitores, o Almanaque Futuro buscou o profissionalismo e a eficiência do SIMEPAR — instituição que, além de atender impecavelmente a imprensa, expede boletins precisos todos os dias e esclarece qualquer dúvida.

 

O que é o SIMEPAR?

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (SIMEPAR) é um Serviço Social Autônomo (SSA) — pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos e de interesse público —, vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) do Governo do Paraná. Estruturado originalmente em 1993 por meio de cooperação técnico-científica entre a Companhia Paranaense de Energia (Copel), a UFPR e órgãos ambientais estaduais, o instituto é referência em pesquisa aplicada e prestação de serviços nas áreas de meteorologia, hidrologia, sensoriamento remoto e ciências ambientais.

 

Integração eficiente

Sua infraestrutura operacional apoia-se em uma extensa rede de monitoramento ambiental que integra estações meteorológicas e hidrométricas automáticas de superfície, dados de satélites de órbita geoestacionária e polar, além de uma cobertura de radares meteorológicos nas bandas S e X espalhados estrategicamente pelo território paranaense. Esse ecossistema alimenta modelos numéricos de previsão de alta resolução espacial e temporal, permitindo a assimilação contínua de variáveis atmosféricas para a detecção precoce de eventos severos.

 

De olho e com responsabilidade

As aplicações práticas do SIMEPAR abrangem desde a emissão de alertas antecipados à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (enfrentando tempestades severas, vendavais, granizo e geadas) até a gestão operacional de bacias hidrográficas para previsão de vazões e controle de cheias. A instituição também fornece inteligência de dados para suporte ao agronegócio, zoneamento de risco climático, construção civil e otimização do planejamento energético do estado.

 

El Niño: intensidade e impactos no Paraná

O índice de aquecimento das águas do oceano Pacífico equatorial atingiu sua categoria mais alta. Logo, ele atingiu o patamar mais elevado do fenômeno El Niño, cuja intensidade deve crescer até novembro e permanecer ativa até março de 2027. De acordo com atualizações do Simepar, o índice térmico oceânico registrou 2,1 °C acima da média, podendo alcançar um pico de 3,3 °C — o que configura um dos episódios mais fortes desde 1950. No Paraná, a principal consequência será o volume de chuvas acima da média até dezembro deste ano. O cenário eleva o risco de temporais severos, queda de granizo e descargas elétricas, com maior impacto nas regiões Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste. O acompanhamento contínuo segue indispensável.

 

Ações de prevenção e alertas da Defesa Civil

Diante dos alertas de chuvas acima da média, a Defesa Civil Estadual intensificou a preparação junto aos 399 municípios paranaenses. Medidas preventivas como limpeza de galerias, desassoreamento de rios e atualização de planos de contingência já foram adotadas por centenas de prefeituras. Paralelamente, em parceria com a Secretaria de Educação, foi lançado um guia orientativo do Programa Brigadas Escolares para a realização de simulados de vendavais e inundações em mais de dois mil colégios da rede estadual.

Para receber alertas de emergência gratuitos por SMS, basta enviar o CEP do seu município para o número 40199 ou interagir pelo WhatsApp no contato (61) 2034-2611.

 

Em resumo…

O Paraná prosseguirá com dias cinzentos neste sábado (10), domingo (11) e no feriado da Padroeira do Brasil, na segunda-feira (12). De acordo com o Simepar, a atuação simultânea de diversos sistemas meteorológicos favorece a manutenção da alta nebulosidade e a ocorrência frequente de chuvas em todo o estado até o início da próxima semana.

No sábado (10), há possibilidade de pancadas mais intensas e risco de tempestades pontuais. No domingo (11), a chuva persiste, embora o potencial para temporais severos apresente ligeira redução. A instabilidade continuará marcando o tempo durante o feriado de segunda-feira.

 

Corvo Meteorologista

A coluna do Corvo deseja a todos um ótimo final de semana! Mas não se preocupem: ainda voltarei com outros assuntos de estalar a carcaça. Informamos aos nossos leitores que, doravante, o serviço de previsão do tempo será incorporado de forma contínua ao Almanaque Futuro e ficará sob os cuidados da nossa editoria.

Fiquem agora com os detalhes da previsão do tempo para o fim de semana com a meteorologista Bianca Angelo (assista ao vídeo abaixo):