Projeto coordenado pela UNILA em parceria com a UFFS levará laboratórios maker a 45 escolas públicas do Paraná
Iniciativa reúne equipamentos, formação de professores e atividades científicas para aproximar universidades e educação básica

Quarenta e cinco escolas públicas do Paraná receberão laboratórios maker por meio de um projeto coordenado pela UNILA, em parceria com a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). A iniciativa prevê a aquisição de equipamentos, a formação continuada de professores e o desenvolvimento de projetos com estudantes, envolvendo ciência, tecnologia e problemas reais de suas comunidades. Intitulado “Educa Maker Space 1.0 – Promovendo a Inovação e Inclusão na Educação Básica”, o projeto integra o Programa Mais Ciência na Escola, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), executado em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Os laboratórios maker são espaços de aprendizagem prática e colaborativa. Neles, os estudantes podem investigar, experimentar e transformar ideias em objetos e protótipos, utilizando ferramentas de fabricação digital, programação e eletrônica. A proposta é que esses espaços apoiem atividades de diferentes disciplinas e estimulem a criatividade, o pensamento crítico e a capacidade de trabalhar em equipe.
Para equipar os ambientes, já foram adquiridos 45 computadores, 45 impressoras 3D e 45 máquinas de corte a laser – um conjunto para cada escola. Também foram comprados mais de 500 quilos de materiais de consumo, incluindo filamentos para impressão 3D e folhas de MDF para corte a laser. A implantação está em andamento, com entregas e montagem dos espaços organizadas entre as universidades e as escolas participantes.
Da formação dos professores aos projetos dos estudantes
O coordenador estadual do projeto, professor Aref Kalilo Lima Kzam, da UNILA, explica que a instalação dos equipamentos é parte de uma proposta que inclui acompanhamento pedagógico e formação. “Na realidade, o laboratório é apenas a infraestrutura física que dá suporte a um programa educacional mais amplo”, ressalta. As ações estão organizadas em três etapas: diagnóstico das condições pedagógicas e formação dos professores; montagem e adaptação dos laboratórios; e execução dos planos de atividades nas escolas. Algumas dessas etapas ocorrerão simultaneamente, e a formação docente será contínua durante o projeto.
Os professores receberão capacitação para utilizar os equipamentos e trabalhar com impressão 3D, robótica, design, programação e fabricação digital. A formação também abordará metodologias ativas e aprendizagem baseada em projetos, nas quais os estudantes participam da investigação e da construção de soluções. Outra frente será o desenvolvimento de atividades na abordagem STEAM, que integra ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.
Com os estudantes, estão previstas oficinas de letramento digital, robótica, programação, eletrônica e impressão 3D, além de projetos de sustentabilidade, tecnologias sociais e ciência cidadã – atividades que envolvem a participação da comunidade na produção de conhecimento científico. A proposta inclui encontros semanais de professores e estudantes nas escolas, visitas a universidades, laboratórios e museus de ciência e participação em feiras, mostras e olimpíadas científicas.
Os Clubes de Ciências serão uma das formas de organizar esse trabalho, criando oportunidades para que os estudantes desenvolvam suas próprias investigações, com acompanhamento dos professores e da equipe do projeto. “Esse é um componente especialmente importante, pois nos Clubes de Ciências os estudantes passam a assumir papel protagonista na investigação e experimentação científica”, destaca Kzam.
O projeto prevê, ainda, bolsas para 450 estudantes da educação básica e 45 professores – dez estudantes e um professor por escola. Também serão contemplados nove estudantes de graduação das universidades, dois coordenadores dos núcleos da UFFS e o coordenador estadual, totalizando 507 bolsas previstas.
Atuação conjunta no território
A execução está organizada em três núcleos, cada um responsável por acompanhar 15 escolas. A UNILA é a instituição proponente e responde pela coordenação geral perante o CNPq, além de atuar diretamente em 12 escolas de Foz do Iguaçu, duas de Santa Terezinha de Itaipu e uma de Medianeira. A UFFS participa por meio dos campi de Laranjeiras do Sul e Realeza, que acompanham as outras 30 escolas. “Não são três projetos independentes. Trata-se de um único projeto estadual, coordenado pela UNILA, executado de forma cooperativa por uma rede que utiliza a infraestrutura, os docentes e a experiência da UNILA e da UFFS”, explica Kzam.
As universidades fornecerão apoio técnico e pedagógico, acesso a laboratórios e suporte de pesquisadores para a formação dos professores e o desenvolvimento das atividades. Na UFFS, os núcleos são coordenados pelos professores Alexandre Manoel dos Santos, em Laranjeiras do Sul, e Eduardo de Almeida, em Realeza. Também estão previstos encontros periódicos de integração entre os três núcleos.
A seleção priorizou escolas públicas dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, considerando vulnerabilidade socioeconômica, localização em municípios do interior, oferta de educação em tempo integral e atendimento a comunidades do campo. A organização territorial permite aproximar essas escolas das universidades e de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Na região acompanhada diretamente pela UNILA, serão contempladas as seguintes escolas:
Foz do Iguaçu : Arnaldo Busatto, Ayrton Senna da Silva, Carmelitas Dias, Ipê Roxo, Carlos Drummond de Andrade, Flávio Warken, Almiro Sartori, Juscelino Kubitschek de Oliveira, Barão do Rio Branco, Três Fronteiras, Santa Rita e Presidente Castelo Branco;
Santa Terezinha de Itaipu : Carlos Zewe Coimbra e Dom Manoel Konner;
Medianeira : Centro Estadual de Educação Profissional de Medianeira.
Ciência no cotidiano escolar
Além da implantação dos laboratórios, o projeto busca ampliar o interesse pelas carreiras científicas e tecnológicas e criar condições para que as escolas mantenham as atividades após o encerramento do financiamento. Serão acompanhados aspectos como participação dos estudantes, formação dos professores, utilização dos espaços, desenvolvimento de projetos e presença em feiras e mostras científicas.
“O resultado que buscamos é que, ao término do financiamento, não existam apenas 45 salas com equipamentos, mas 45 comunidades escolares capazes de utilizar esses espaços de forma autônoma e contínua para desenvolver ciência, tecnologia e inovação”, afirma Aref Kzam. Para o coordenador, a continuidade da rede e a incorporação da cultura científica ao cotidiano escolar são tão importantes quanto a instalação dos equipamentos.
A pró-reitora de Extensão da UNILA, Andreia Moassab, destaca que a articulação entre universidades e educação básica está entre as principais diretrizes da extensão universitária. Ela ressalta o esforço conjunto entre diferentes áreas da instituição e a parceria com a UFFS, que ampliou o alcance territorial da iniciativa. “Por um lado, o edital representa um investimento na implantação dos laboratórios nas escolas; por outro, os laboratórios, para serem utilizados, requerem a preparação e treinamento de recursos humanos, tarefa assumida pelos coordenadores do projeto”, observa.
A expectativa, segundo a pró-reitora, é que a experiência desperte o interesse pela ciência e aproxime o ensino superior dos horizontes dos estudantes. “O letramento científico propiciado aos alunos e alunas das escolas públicas contempladas desperta curiosidades, diminui as assimetrias regionais e pode ajudar a identificar futuros talentos importantes para a ciência nacional.”
O pró-reitor de Extensão e Cultura da UFFS, William Simões, ressalta a prioridade dada a escolas de municípios pequenos e afastados dos grandes centros urbanos. “Nosso foco foi priorizar escolas do Brasil profundo”, salienta. Para Simões, os equipamentos e o trabalho educativo se complementam na aproximação entre as universidades e a rede pública. “Além da implantação dos laboratórios, o Mais Ciência na Escola tem proporcionado a formação continuada de professores e a interação com estudantes da educação básica, reiterando nosso compromisso na construção da escola pública como lugar de ciência”, completa.
Assessoria