Parque Nacional do Iguaçu registra 31 onças-pintadas em novo monitoramento
Censo identificou 28 animais adultos e três filhotes; projeto também registrou mais de 150 mil imagens de mamíferos em três meses
O monitoramento realizado pelo Projeto Onças do Iguaçu identificou 31 onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, durante o mais recente período de acompanhamento da fauna. O levantamento também registrou mais de 150 mil imagens de animais ao longo de três meses de trabalho de campo.
Entre as 31 onças-pintadas identificadas, estão 28 adultos e três filhotes. Os registros foram obtidos em 46 dos 78 pontos de monitoramento instalados no parque durante o censo de 2026.
O trabalho utiliza câmeras instaladas em diferentes áreas da unidade de conservação. A identificação dos animais é possível principalmente pelo padrão único de manchas da pelagem, que funciona como uma espécie de impressão digital de cada onça.
Duas novas onças são identificadas
O levantamento mais recente trouxe ainda novidades para os pesquisadores. Duas onças-pintadas foram identificadas pela primeira vez no monitoramento: Mbyja, nome que significa “estrela” em guarani, e o macho Tembi.
Outro registro que chamou a atenção foi o de Machita, uma jovem onça-pintada que atravessou o Rio Iguaçu e passou a ser registrada também no lado brasileiro do parque.
Entre os animais que mais apareceram nas câmeras estão Cacira, com 120 registros, entre as fêmeas, e Kaluanã, com 30 registros, entre os machos.
Chuvas dificultaram o monitoramento
As condições climáticas tiveram impacto direto no trabalho de campo. Dos 78 pontos previstos para o censo, nove não puderam ser acessados devido às fortes chuvas.
Outros 23 pontos precisaram ter as câmeras deslocadas em razão da elevação do nível das águas. Mesmo diante dessas dificuldades, o levantamento conseguiu reunir informações de 26 espécies de mamíferos, além das seis espécies de felinos encontradas no parque.
Entre os animais registrados estão jaguatiricas, capivaras, tamanduás-bandeira e tamanduás-mirim, entre outras espécies.
Monitoramento é permanente
O Projeto Onças do Iguaçu mantém o acompanhamento da população de grandes felinos de forma contínua. Além dos censos realizados periodicamente, o projeto utiliza armadilhas fotográficas durante todo o ano para acompanhar as onças e outras espécies da fauna.
O trabalho também envolve estudos sobre alimentação, deslocamento, uso do território e saúde dos animais, além do acompanhamento por rádio-colares em exemplares selecionados.
A iniciativa é desenvolvida pelo Parque Nacional do Iguaçu/ICMBio em parceria com o Instituto Pró-Carnívoros e o CENAP/ICMBio. As ações de conservação também envolvem os municípios do entorno do parque, incluindo Foz do Iguaçu.
Conservação ganha importância regional
A onça-pintada é considerada uma espécie-chave para o equilíbrio da biodiversidade. Como predador de topo da cadeia alimentar, sua presença contribui para a manutenção das populações de outras espécies e para o funcionamento dos ecossistemas.
O Projeto Onças do Iguaçu também atua junto às comunidades próximas ao parque para reduzir conflitos entre moradores, produtores rurais e grandes felinos. A proposta é combinar pesquisa científica, educação ambiental e medidas de coexistência.
O Parque Nacional do Iguaçu possui 185.262 hectares de área protegida e tem sua sede localizada em Foz do Iguaçu.
O novo levantamento reforça a importância do parque para a conservação da onça-pintada na Mata Atlântica e mostra como o monitoramento contínuo ajuda a acompanhar a dinâmica da população desses animais na região.
Crédito Imagem Reprodução Projeto Onças do Iguaçu
Da Redação Almanaque Futuro