Paraná registra mais de 13,7 mil acidentes com escorpiões e aranhas em 2026

Calor e chuvas aumentam a movimentação de animais peçonhentos; Secretaria da Saúde reforça cuidados dentro de casa e alerta para o risco de acidentes com abelhas

O aumento das temperaturas, combinado ao volume de chuvas registrado nos últimos meses, tem favorecido a circulação de animais peçonhentos no Paraná. A situação levou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) a reforçar o alerta sobre os riscos de acidentes e a importância de medidas preventivas em residências, quintais e áreas de vegetação.

Dados preliminares da Secretaria mostram que, entre janeiro e outubro de 2026, foram registrados 7.180 acidentes com escorpiões e 6.543 com aranhas em todo o Estado. Somadas, as duas ocorrências representam 13.723 registros no período.

Os acidentes com abelhas também preocupam. Foram contabilizadas 2.342 ocorrências neste ano, com 12 mortes provocadas por reações alérgicas graves ou envenenamento decorrente de múltiplas picadas.

Segundo a Secretaria, as condições de calor e umidade favorecem a atividade desses animais, que se movimentam em busca de alimento, abrigo e reprodução. O risco não está restrito a áreas rurais ou de mata: escorpiões e aranhas podem aparecer dentro de residências, escondidos em roupas, calçados, móveis e locais com acúmulo de objetos.

Escorpião-amarelo exige atenção

Entre as espécies encontradas no Paraná, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é o que apresenta maior risco de complicações graves e mortes.

Em 2026, mais de 72 mil animais foram encaminhados ao Laboratório de Taxonomia Animal do Estado para identificação. Desse total, 93% eram escorpiões-amarelos.

As crianças de até 10 anos estão entre as mais vulneráveis aos efeitos do veneno, devido ao menor tamanho corporal. Em 2025, quatro pessoas morreram no Paraná em decorrência de acidentes com escorpiões. Três vítimas eram crianças e uma era adolescente.

Abelhas também representam risco

Apesar de aparecerem em terceiro lugar no número de ocorrências, os acidentes com abelhas exigem atenção especial. As 12 mortes registradas em 2026 foram associadas a reações alérgicas graves, conhecidas como anafilaxia, ou ao envenenamento provocado por múltiplas picadas.

A orientação é manter distância de enxames e colmeias. A remoção de colônias em residências ou espaços públicos deve ser feita exclusivamente por profissionais treinados e equipados.

Também é recomendado evitar caminhar ou correr próximo à rota de voo das abelhas. Ruídos de motores e equipamentos de jardinagem podem provocar comportamento agressivo dos insetos.

Em caso de múltiplas picadas, a vítima deve procurar atendimento médico imediatamente. Quando possível, os ferrões devem ser retirados por raspagem, evitando o uso de pinças.

Como evitar acidentes dentro de casa

A prevenção começa com cuidados simples na manutenção dos ambientes. A Secretaria da Saúde recomenda:

Manter quintais, jardins e terrenos limpos, sem acúmulo de entulho, madeira ou lixo;

Manter a grama aparada e evitar vegetação densa junto às paredes;

Sacudir roupas, toalhas e calçados antes de utilizá-los;

Verificar roupas de cama e evitar que lençóis e mosquiteiros encostem no chão;

Instalar telas em ralos, pias e tanques;

Vedar frestas e buracos em paredes, pisos e rodapés;

Instalar soleiras nas portas e proteger janelas;

Não colocar as mãos em buracos, sob pedras ou em troncos em decomposição;

Manter o lixo doméstico em recipientes fechados para evitar a proliferação de insetos que servem de alimento aos escorpiões.

A população também deve evitar tocar ou tentar capturar animais peçonhentos. Ao encontrar um exemplar, o mais seguro é manter distância e buscar orientação dos serviços responsáveis.

O que fazer em caso de picada

Em caso de acidente, a recomendação é procurar atendimento em uma unidade de saúde o mais rápido possível. A avaliação médica é necessária para determinar a gravidade do quadro e a eventual aplicação de soro específico.

Não se deve fazer torniquetes, cortes ou sucção no local da picada, nem aplicar receitas caseiras ou substâncias sem orientação médica.

O Paraná conta com 211 pontos de atendimento com disponibilidade de soros antivenenos, distribuídos pelas Regionais de Saúde.

Para orientações sobre acidentes com animais peçonhentos e intoxicações, a população pode entrar em contato com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Paraná pelo telefone 0800 041 0148. A unidade de Cascavel atende pelo número (45) 3321-5261.

 

 

 

Crédito Imagem SESA
Da Redação Almanaque Futuro