Grito dos Excluídos leva pautas sociais às ruas de 50 cidades
Em sua 32ª edição, a tradicional marcha de Sete de Setembro trocou os desfiles oficiais por cobranças por moradia, combate à violência e justiça social.
Redação Almanaque Futuro com informações e imagens (Paulo Pinto) da Agência Brasil
Enquanto os desfiles oficiais marcavam o Dia da Independência por todo o país, milhares de pessoas saíram às ruas nesta segunda-feira para cobrar o que consideram a verdadeira libertação social. A trigésima segunda edição do Grito dos Excluídos articulou marchas e atos em mais de cinquenta cidades brasileiras, reunindo movimentos sociais, ativistas e comunidades em torno da defesa da terra, da paz, da soberania e do direito à vida das mulheres. A pauta da mobilização foi ampla e profunda, abordando desde a exigência de moradia digna e reforma agrária até a defesa do SUS, da educação pública de qualidade, o combate ao feminicídio, ao racismo, à LGBTfobia e o fim da escala de trabalho seis por um.
Na capital paulista, a caminhada começou com um café da manhã comunitário e cruzou as vias centrais até alcançar a Catedral da Sé, onde uma missa foi dedicada à população em situação de rua. Para a ativista Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares, o Sete de Setembro é um momento para lembrar que o país ainda precisa avançar muito para alcançar a verdadeira liberdade social. O ato em São Paulo também foi marcado por pedidos de proteção à democracia e por fortes denúncias contra a violência policial, trazidas por mães de vítimas que exigem justiça. Além disso, participantes ressaltaram que ter uma casa é uma necessidade humana básica da qual a sociedade não pode abrir mão.
No Rio de Janeiro, os manifestantes ocuparam a Avenida Presidente Vargas logo após o término do desfile militar, trazendo como diferencial o uso do teatro político. Integrantes da Escola de Teatro Popular encenaram esquetes baseadas no Teatro do Oprimido, criado por Augusto Boal, com o objetivo de discutir o papel das instituições e lembrar que a participação democrática vai além das urnas. Lideranças do Movimento Quilombos Urbanos criticaram a especulação imobiliária e lamentaram que imóveis públicos com potencial social fiquem sob ameaça de leilão. O protesto carioca também contou com um globo cenográfico gigante em favor do meio ambiente, homenagens às vítimas da Ditadura Militar, críticas a tarifas internacionais e um pequeno foco de tensão externa contido pela Polícia Militar.
Em Brasília, o foco voltou-se para a urgência climática e para as articulações políticas. Membros do Núcleo de Ecologia Integral aproveitaram a data para alertar sobre o esgotamento dos recursos naturais e apresentaram uma carta de compromissos focado na justiça ambiental e na preservação de nascentes estratégicas da região, documento que pretendem entregar a todos os parlamentares e governantes eleitos no pleito deste ano. A professora universitária Altaci Kokama encerrou destacando a importância do Grito como um espaço de voz para os mais vulneráveis, apontando que, apesar das limitações financeiras e logísticas para transportar e alimentar a população periférica, a mobilização resiste graças ao trabalho contínuo de conscientização nas comunidades.
