Consórcio Novo PNI Macuco vence leilão na B3 com outorga de R$ 79,9 milhões e ágio de 115%
Certame realizado na Bolsa de Valores de São Paulo garante R$ 85 milhões em investimentos na infraestrutura do Macuco Safari e redução superior a 21% no valor dos ingressos.
A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) foi o palco, às 14h desta quarta-feira, de um momento decisivo para o turismo sustentável brasileiro: o leilão para a concessão dos serviços de apoio à visitação e conservação da Trilha do Macuco — o consagrado Macuco Safari —, no Parque Nacional do Iguaçu. Sob um contrato de 15 anos, o projeto prevê R$ 85 milhões em investimentos privados para modernizar a infraestrutura, a acessibilidade e a segurança de uma das atrações mais emblemáticas do ecoturismo mundial, responsável por receber em média 387 mil visitantes por ano.
O leilão foi vencido pelo Consórcio Novo PNI Macuco, formado pelas empresas Construcap, Cataratas S/A e Ilha do Sol — empresa de Foz do Iguaçu que já opera a atividade no local. O consórcio arrematou o ativo ao apresentar uma proposta de outorga fixa de R$ 79.900.000,00, registrando um expressivo ágio de 115,02% em relação ao lance mínimo de R$ 37,15 milhões exigido pelo edital. A disputa contou também com a participação do Consórcio Passeio do Iguaçu (representado pela Corretora ID), que apresentou oferta inicial de R$ 56,67 milhões.
Estruturado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com apoio do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e do Ministério do Turismo, o projeto combina desenvolvimento econômico, conservação ambiental e ganho direto para o consumidor. Entre os principais destaques do novo contrato está a reformulação da política tarifária, que determina uma redução do valor limite do ingresso para o passeio completo de R$ 384 para R$ 300 (após a realização das obras previstas no edital) — uma queda superior a 21% —, além de descontos para moradores de municípios do entorno.
Os R$ 76,8 milhões em investimentos obrigatórios serão direcionados para a substituição da frota por novos veículos elétricos, ampliação da estrutura de atendimento aos visitantes, implantação de rotas de mobilidade ativa (como trilhas e ciclovias) e repasse de 6% da receita operacional bruta para projetos socioambientais e pesquisas de conservação na Mata Atlântica.
O certame seguiu os ritos tradicionais das licitações de infraestrutura promovidas pelo Governo Federal na B3. Após a abertura das propostas econômicas no envelope lacrado, a diferença inferior a 20% entre os lances habilitou a fase de viva-voz. No entanto, o Consórcio Passeio do Iguaçu declinou de apresentar novas ofertas, consolidando a vitória do Consórcio Novo PNI Macuco.
A sessão foi encerrada por volta das 14h30 com a tradicional batida de martelo, conduzida pelos executivos e representantes do consórcio vencedor: Francisco Campos Junior, Victor Serrano Pereira, Pablo Ricardo de Oliveira Mórbis e Julio Gonchorosky e Lucas Teixeira. Embora recém-formado para o certame, o grupo integra empresas com histórico consolidado de parceria e vasta experiência na gestão do turismo sustentável no Parque Nacional do Iguaçu, assegurando uma transição fluida e o salto de qualidade previsto para o atrativo.
