Agosto Lilás reforça a importância do acolhimento às mulheres vítimas de violência
Dependência emocional e financeira, filhos e dificuldades sociais podem tornar mais difícil o rompimento de relações abusivas
Da Redação Almanaque Futuro- Eliane Schaefer
O Agosto Lilás amplia o debate sobre a violência contra a mulher e chama a atenção para a prevenção, o acolhimento e a garantia de direitos.
Em 2026, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completa 20 anos. Apesar dos avanços na proteção legal, romper uma relação abusiva ainda é um processo complexo para muitas brasileiras.
A saída nem sempre depende apenas de uma decisão. Dependência emocional ou financeira, filhos pequenos, dificuldade de retornar ao mercado de trabalho e medo estão entre os fatores que podem manter a vítima vinculada ao agressor.
Por isso, questionamentos como “por que ela não vai embora?” ignoram uma realidade marcada por diferentes circunstâncias. Relacionamentos abusivos podem alternar períodos de tensão e agressões com arrependimento, pedidos de desculpas e aparente tranquilidade. Esse ciclo fragiliza a autoestima e dificulta o rompimento.
Números preocupam no Brasil
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam 1.571 feminicídios em 2025, contra 1.504 no ano anterior, uma alta de aproximadamente 4%.
Também houve crescimento nos registros de violência psicológica (17%), perseguição ou stalking (30%) e descumprimento de medidas protetivas (17%).
Os primeiros sinais podem ser silenciosos
As agressões físicas nem sempre são o início de uma relação abusiva. Controle excessivo, humilhações, intimidação, desqualificação e comentários depreciativos podem aparecer antes.
Comportamentos apresentados inicialmente como brincadeiras ou piadas podem se tornar frequentes e comprometer a autoestima, a segurança e o bem-estar emocional da mulher.
Identificar esses sinais contribui para buscar ajuda antes que a situação se agrave.
Rede de proteção
A Lei Maria da Penha criou mecanismos para amparar as vítimas, mas o suporte também envolve atendimento psicológico, assistência social, cuidados de saúde e condições para conquistar autonomia financeira.
As consequências podem permanecer mesmo após o afastamento do agressor, incluindo ansiedade, depressão, dores crônicas e transtornos emocionais.
O Agosto Lilás reforça que combater esse problema exige prevenção, informação, acolhimento e educação baseada no respeito e na igualdade. Reconhecer os sinais e fortalecer a rede de proteção são caminhos para ajudar mulheres a romper relações abusivas e retomar suas vidas.
