Observatório reúne instituições e comunidade para discutir desafios da saúde em Foz
Painel contou com representantes da Secretaria Municipal de Saúde, 9.ª Regional, Câmara, Comus, Unioeste e Unila em torno de indicadores, financiamento e gestão.

O Observatório Social do Brasil em Foz do Iguaçu (OSB-FI) reuniu especialistas e representantes de diferentes setores para discutir os principais desafios e como melhorar a saúde pública municipal, no último dia 15, durante o Encontro de Voluntários. O painel enfocou os indicadores do setor, financiamento e gestão.
O presidente do Observatório, Haralan Mucelini, fez a apresentação do tema. Em seguida, as abordagens foram da sanitarista Larissa Menezes, que representou a Secretaria Municipal de Saúde; Pabla Viviana Jungblut, diretora da 9.ª Regional de Saúde; Adnan El Sayed, presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores; Khalid Omairi, presidente do Conselho Municipal de Saúde (Comus); Dr. Sergio Fabriz, diretor-geral do campus da Unioeste/Foz; Flávia Trench, coordenadora do curso de Medicina da Unila; e Dra. Gladys Velez Benito, vice-coordenadora do curso de Saúde Coletiva da Unila.
Um dos pontos de partida do diálogo foi o desempenho de Foz do Iguaçu no Índice Ipardes de Desenvolvimento Municipal (IPDM). A cidade aparece na 117.ª posição no índice geral e cai para a 242.ª colocação em saúde. São considerados na avaliação, por exemplo, quesitos como acompanhamento pré-natal, óbitos por causas mal definidas, mortalidade infantil por causas evitáveis e mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis.
Ao desempenho no IPDM, o controlador social agregou o financiamento da saúde, chamando atenção para o peso da saúde no orçamento e para o desequilíbrio no financiamento tripartite — entre União, estado e município. E inseriu o terceiro ponto, a organização do sistema, propondo reflexões sobre como melhorar os resultados da saúde sem ampliar a pressão sobre o custo ao erário.
Para o presidente do Observatório, a condição de fronteira acrescenta complexidade ao financiamento, já que Foz atende a demandas de pessoas da região e de outros países. A discussão proposta foi sobre a possibilidade de mecanismos de financiamento para municípios fronteiriços.
“Ao discutirmos indicadores, baseados em dados e critérios, não caímos na crítica pela crítica. O debate sobre os desafios do setor, com representantes de quem está na linha de frente do atendimento, mostra que precisamos e podemos construir uma agenda única para a saúde, como sendo uma pauta de toda a cidade, e não somente do gestor do momento”, afirmou.
Saúde em Foz
Em sua abordagem, Larissa Menezes enfatizou a complexidade da saúde na fronteira, onde são menos de 300 mil habitantes em Foz, porém com mais de 450 mil cartões do Sistema Único de Saúde. Reforçou que o Hospital Regional deverá ser efetivado e que estão em construção quatro unidades básicas de saúde.
Pabla Jungblut elencou as ações do estado na cidade, com a abertura de novos leitos e contratação de serviços hospitalares, e adicionou mais um desafio, que é a falta de mão de obra especializada para incorporação ao atendimento.
O vereador Adnan El Sayed citou que a Comissão de Saúde do Legislativo atua a fim de contribuir com soluções para a superlotação de leitos hospitalares. Khalid Omairi destacou o papel do controle social e da participação da comunidade como fatores que qualificam o SUS e propôs parceria permanente com o Observatório Social para ações no segmento de saúde.
Já Sergio Fabriz afirmou que os indicadores disponíveis não dão conta de traduzir o desempenho da saúde local com outras cidades, e o modelo de Saúde Plena não foi pactuado adequadamente, com o custeio do hospital recaindo sobre a prefeitura.
Flávia Trench postulou que o município deva ser responsável pela atenção primária, com foco em prevenção e promoção da saúde, com os demais entes respondendo pelas outras complexidades. A Dra. Gladys Velez Benito defendeu maior integração na região trinacional para enfrentar os desafios do setor, em que as universidades podem dar uma grande contribuição.
Prestação de contas
No Encontro de Voluntários, o Observatório Social apresentou o segundo relatório quadrimestral de atividades, de maio a agosto, como forma de prestação de contas à sociedade. Em destaque, a atuação dos controladores sociais no debate para a melhoria do transporte coletivo e na saúde pública, assim como demandas em obras de pavimentação. A entidade também atuou na apuração de eventual situação de nepotismo em contratação pelo poder público.
“São muitas frentes em que atuamos e, com mais voluntários, podemos fazer ainda mais. Nosso trabalho é construir uma cidade melhor e mais participativa”, convidou o vice-presidente para Assuntos de Controle Social, Marco Castella, que detalhou o relatório. O documento está disponível em: fozdoiguacu.sistemaosb.com.br.
AI Observatório Social em Foz