Por onde anda você, Gregório?

Como dizia o mestre Ziraldo, “a velhice nos pega de surpresa”; para Seo Gregório, ela trouxe o labirinto do Alzheimer, transformando um passado brilhante em uma busca urgente pela dignidade e pelo reencontro."

Por Rogério Romano Bonato/Redação Almanaque Futuro

Seo Gregório Lopes, aos 81 anos, atravessou o portão de casa no último dia 06, por volta das 15 horas, e desde então habita o silêncio das ruas. Saiu vestindo a simplicidade do cotidiano: uma camisa polo cinza, calça jeans e tênis. Foi um movimento rápido, quase imperceptível, como o desfolhar de uma árvore antiga. O que começou como uma busca aflita pelo quarteirão e pelo bairro transformou-se em uma agonia que já ultrapassa horas, dias, semanas e fronteiras.

Mas quem é o homem por trás do desaparecimento? Gregório não é apenas um número em um boletim de ocorrência; é uma biografia moldada pelo trabalho e pelo afeto. Homem de humor fino e inteligência pulsante, foi o pai que fez do cuidado uma profissão de fé. Nas festas, era o sol em torno do qual a família orbitava, contando piadas que exigiam raciocínio e entregando gargalhadas que uniam gerações. Seus quatro filhos narram uma vida que parece cinema: a Belina carregada de crianças e bichos, os verões à beira de riachos, praias e a ternura de quem, embora exigente com os estudos, era o primeiro a estender a mão para quem tropeçasse no caminho.

Chegou a Foz do Iguaçu ainda criança, aos cinco anos. Da serraria na juventude à carreira militar; da graduação em Contabilidade ao mestre e professor universitário que iluminou salas de aula. Passou pelo Banco do Brasil em Brasília e Minas Gerais, mas o coração sempre pertenceu a Foz, onde as águas o convidavam para o seu lazer mais sagrado: a pesca.

Hoje, esse observador atento do cotidiano, sempre pronto a ajudar os desassistidos em natais e festas comunitárias, enfrenta o seu maior desafio: o labirinto do esquecimento. O Alzheimer, em um homem de 81 anos, é uma desconstrução cruel da identidade. É um apagamento que começa pelo agora, deixando-o à mercê de um passado remoto.

Imagine o que se passa na mente de quem vê o mundo tornar-se estranho de um segundo para o outro. Ruas que percorreu por décadas viram labirintos sem saída; o presente dissolve-se em décadas distantes e a palavra, antes ferramenta de ensino, torna-se uma barreira intransponível. Gregório está em um estado de “ausência presente”: seu corpo caminha por lugares que sua mente não reconhece mais.

Pedimos que você, ao ler estas linhas, não olhe para esta situação com a frieza de quem lamenta o descuido alheio. Gregório não desapareceu por falta de amor, mas pela própria natureza da condição que o habita. Mais do que compartilhar uma foto, pedimos respeito à história de um homem que tanto deu à sociedade. Que o brilho de sua trajetória motive cada um a olhar com atenção para quem caminha só.

Se você localizar o Seo Gregório, por favor, entre em contato imediatamente: 📞 (45) 99911 6095 (Fernando, filho) ou informe as autoridades.