O Corvo e a política no “jogo do estica e puxa”

A indefinição no governo, no fim das contas, atrapalha os adversários? Será que Ratinho Júnior faz de propósito ou está perdido, como dizem? Vamos na linha do Cantini, meu bruxo matinal.E com um diferencial: o nosso popular Corvo agora fala. E pelos cotovelos. Confia na coluna!

Sem explicação
A impressão que tudo isso nos passa é que o governador parece não se importar muito com as reações do eleitorado. Ele, afinal, é armado de pesquisas até os dentes e joga com o tempo. O arcabouço de informações é complexo e, naturalmente, assusta a oposição, mas assusta mais os aliados, com certeza.

No gramado
Como no futebol, grupos políticos escalam o time dependendo dos jogadores que o adversário vai usar. É assim que reforçam o ataque, a defesa, as laterais e o meio-campo. Se o Ratinho fosse técnico de futebol, usaria a Lei Chacrinha: a que veio para confundir e não para explicar. Bom, o problema é que o tabuleiro eleitoral não requer chuteiras. Pelo visto, isso mexe com a cabeça de Sérgio Moro e as alas indecisas. Se é estratégia, aí é difícil saber.

O redemoinho
O fato é que, no meio da confusão que aparenta indecisão, Ratinho testa as cartas do seu baralho. Mediu a força de Guto Silva, agora está de olho no desempenho de Sandro Alex e alguns observadores garantem que deve testar pelo menos mais um nome antes de chegar ao Rafael Greca — alguém que, francamente, nem precisaria ser testado. Criaram uma mania de dizer no Palácio que Rafael só possui votos em Curitiba. Ledo engano; há eleitores de todos os lados que o apoiam.

Ortodoxia
Vamos combinar: o paranaense não é muito chegado em aventuras ou novidades que causem algum desconforto no modo de vida. Olha o que fizeram com a Cristina Graeml. Ela despontou para a corrida pela prefeitura da capital com a mesma força meteórica do Moro ao governo e no que deu? Venceu o Dudu, calçado no jeito curitibano de ser, ao estilo “leite quente”. A manobra foi conduzida pelo Greca, contra todos os prognósticos. Escrevam: se o Rafael for candidato pra valer, vai bagunçar o coreto. Vai ver a “Ratolândia” sabe disso e quer fazer o jogo da elasticidade, até a borrachinha chegar ao ponto de rompimento. Vamos ver. O problema é que essa lenga-lenga cansa. É tiro para todo lado.

Arranca-rabo
Matheus Vermelho de faca nos dentes. Pra quem era uma espécie de santinho, sempre colado nas caravanas governamentais, agora parece o diabo da tasmânia, o Taz, andando de um lado ao outro igual a um tufão, resvalando em tudo! Barbaridade! Mas tenho licença para escrever que a fruta não caiu longe do pé. Pisem no calo do Vermelho (pai) para verem o que acontece. O fato é que a encrenca na ALEP nos revela um Matheuszinho com luz própria, enfim, e dá para ter ideia do que virá, ao lado do Moro, Felipe, etc.

Finalmente o Corvo ganhou vida! Por meio de um projeto gráfico, o personagem ganhou voz e movimentos e atuará nas redes sociais fazendo um resumo dos principais assuntos da coluna. Seja bem vindo Corvo!

 

Olha lá
Mudando de saco para mala: Foz do Iguaçu brilhou mais uma vez em premiação de “Melhor do Turismo Brasileiro” — que novidade? —, conquistando duas categorias e reforçando sua posição entre os grandes destinos do país. Chamou a atenção a premiação de destino ecoturístico e de aventura e, aqui entre nós, isso se deve muito ao Macuco Safari. Navegar nas corredeiras do Iguaçu e depois tomar um banho de cataratas faz o passeio de buggy nos Lençóis Maranhenses parecer um brinquedo de autorama.

Papo reto
Vamos tratar aqui de um outro assunto, um tema muito presente e, de certa forma, chato de ser abordado: a “crise das nomenclaturas”. É uma questão de ética social. Muitas pessoas não sabem e ainda não descobriram a diferença entre autoidentificação e o reconhecimento externo, ou seja, o que os outros atestam.

O que é verdade
Títulos se conquistam. Isso é por meio de estudo, dedicação ou performance social. O que estamos vivenciando é uma quase guerra perdulária entre adjetivos e substantivos. Esses dias, uma jovem se apresentou como “influenciadora” para um grupo de empresárias. Ela não faz ideia de que para ser um influenciador, teoricamente, é necessária métrica de resultado. Se ninguém muda de comportamento ou opinião através do que se diz, a “influência” não existe. Quando se autointitulam assim antes de possuir uma audiência que valide, confundem a aspiração com a realidade.

Os imbecis de plantão
Olha, o que mais há hoje é gente se autodefinindo como “influenciador”, “patriota”… e já escutei alguém se definindo como “herói”, o que é uma barbaridade! O patriotismo é simplesmente ético e dispensa crachá; nada mais é que uma prática cívica cotidiana e muitas vezes silenciosa. Ser um patriota é algo que requer reconhecimento histórico. Quando a palavra “patriota” vira um adjetivo de autoafirmação, ela geralmente perde seu sentido de união e, convenhamos, isso é o oposto do conceito original de amor à pátria.

“La morale della favola”
Em resumo: antigamente, as pessoas realizavam o feito para depois receber o título. Hoje escolhem o que acreditam ser, esperando que a realidade se molde ao que não existe. Como diz o ditado popular, “elogio em boca própria é vitupério”. No caso de títulos como herói, mestre ou influenciador, a validação é sempre o olhar do outro.
Um bom dia, leia este e outros assuntos na coluna No Bico do Corvo!

Rogério Romano Bonato assina a coluna No Bico do Corvo há mais de duas décadas, atravessando jornais e muitos carnavais. Agora, com o suporte da Inteligência Artificial, o Corvo ganha forma, voz e movimentos próprios. O personagem passa a ocupar as redes sociais do Almanaque Futuro com o mesmo olhar ácido de sempre. Assista à performance de estreia do passarinho!”