Golpe de novo? Dá preguiça só de ficar sabendo.
Francamente, o Brasil não merece esse tipo de exposição patética, como se fosse uma “republiqueta das bananas” dos anos 50. Isso e muito mais na coluna No Bico do Corvo!
Trump fora da casinha
Como um presidente norte-americano, “xerife das galáxias”, pode se sentir decepcionado com a eleição no Brasil, se proporcionalmente ele nunca foi eleito com percentual igual ao de Lula, por exemplo? Comparando os pleitos — e descontando o número de eleitores e o advento do voto obrigatório —, Trump registrou 49,8% dos votos válidos, contra os 51,79% de Lula. Ele precisa rever os conceitos sobre as democracias no mundo e apurar corretamente o que aconteceu no Brasil, sem sofrer influência de uns e outros. Prometeu não interferir, interferindo. Vai entender…
Estava tudo bem
Um dia antes, achando-se eleito, Flávio Bolsonaro elogiava o sistema eleitoral, as urnas e tudo o mais. Sua coligação inclusive pediu ampliação do horário de votação, coisa que, depois, passou a ignorar. Se o resultado fosse a seu favor, certamente não teria se queixado e muito menos pirulitado para o Hemisfério Norte.
Carta golpista
Ao ler as duas versões da manifestação de Flávio Bolsonaro em solo norte-americano, a conclusão é uma só: esse rapaz tem algum probleminha. É quando o ambiente político e boa parte da população se põem a pensar em como foi bom ele não ter sido eleito. Essa passou raspando. Uma anedota sem precedentes.
Irritação geral
A “piazisse” do derrotado tirou do sério até os aliados mais próximos e, diante do estratagema mundial, Flávio corre o risco de acabar isolado e não ser mais levado a sério. Nem a madrasta e muito menos o presidente do PL concordaram. Que coisa ruim para alguém que capitalizou quase 60 milhões de votos no último final de semana. É cômico pela situação e trágico por envolver o país. Ele acabou de lotear o capital eleitoral e nem se deu conta.
E como é que fica?
Nove entre dez leitores da coluna No Bico do Corvo querem saber a opinião desta intrépida ave de braço quebrado sobre como será a vida em Foz do Iguaçu com o resultado das eleições. Ah, tá aí algo bom de analisar. Vamos iniciar o traçado, mas deixando claro que é a opinião do articulista.
Na prefeitura
A eleição de Lula atrapalhou os planos do General Silva e Luna. Se fosse Flávio o vencedor, o prefeito de Foz poderia inclusive escolher entre Itaipu, Ministério da Defesa e voltar até mesmo para a Petrobras. Detalhe: isso teria sido um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro, confidenciado a Flávio duas semanas antes da eleição no segundo turno. Dizem que o vice Ricardinho estava até preparando o secretariado. O resultado deve manter Silva e Luna na prefeitura, pelo menos contando com o apoio do Governo do Estado; ele abraçou abertamente a campanha de Sérgio Moro. Terá que construir uma estratégia para conversar com Itaipu.
A pedra cantando
A Binacional se mantém no topo da lista de importância entre as empresas públicas e de peso no Paraná. Com um status de quase ministério, é importantíssima para todas as prefeituras e para o Governo do Estado. Como o governador eleito vai iniciar esse namorico é o que muita gente quer saber. Parece estar nos planos dele utilizar Itaipu como intermediária nas negociações com o Governo Federal. Convenhamos: no dia em que o presidente Lula organizar uma reunião com os governadores, Moro vai se sentar à mesma mesa? Ou vai enviar o vice?
Quem é esse cara?
Eis um problema sério para políticos com muita personalidade quando assumem mandatos: ninguém sabe ou imagina quem é o vice. Este colunista perguntou para dez pessoas quem era o vice de Sérgio Moro e apenas uma acertou. “Eu sei porque resido em Cascavel”, disse um amigo. Edson José de Vasconcelos é conhecido por lá. Nem tanto. O mesmo acontecia com o vice de Flávio Bolsonaro. Ao perguntar o que Alfredo Gaspar faria no governo, um entrevistado quis saber: “Quem é esse cara?”.
Itaipu com novos ares
Segundo o portal da Rádio Cultura de Foz, o DGB Enio Verri admitiu em entrevista que Itaipu pode entrar no rol das negociações por apoio no Congresso. Mas qual é a novidade? É assim desde os tempos do Cabeza de Vaca. O fato é que tudo muda a cada eleição; as configurações se adaptam ao andar dos tempos. Mas uma coisa é mais que certa: dificilmente Itaipu sairá da cota do PT. Como aconteceu na gestão anterior do partido, Samek permaneceu e o que mudou foram os outros diretores. O desenho de hoje é muito parecido com o do passado: Jorge Samek também fora eleito deputado federal e entregou a cadeira para dirigir a Binacional. A área de influência e o exercício diplomático do governo são fortíssimos por meio de Itaipu. Bom, vamos aguardar. O que é certo é que, além da geração de energia, a usina volta muito os olhos para o social nos governos petistas.
ALEP mais intensa
Com a reeleição de Matheus, e eleição de Paulo e Yasmin, Foz terá interlocução com a direita, o centro e a esquerda. A cidade forma uma bancada, juntando-se a outros deputados que fizeram colheita de votos. Com cadeira por lá, Paulo deve começar a sua almejada campanha para prefeito de Foz, no risco de os colegas entrarem na mesma corrida. Em outra hipótese, aumenta o diálogo com o governo — algo que antes era mantido apenas por Matheus Vermelho.
Em Brasília
Não está errado escrever usando o “se”, condicionalmente. Se Flávio Bolsonaro fosse o presidente, a cidade teria um alinhamento planetário triplo — cabelo, barba e bigode —, com gente do PL em todas as esferas, coisa que nunca aconteceu nem mesmo com outras agremiações. Resultou que Foz estará no olho do furacão quando o assunto for polarização. Mas, por sorte, o deputado federal Vermelho se posiciona na direita com um pezinho no centro e, é claro, vai somar se o assunto for o bem-estar de todos, como sempre. Política de enfrentamento ideológico ele pode fazer no Congresso, mas não deixará de buscar o que o povo precisa e reivindica. Sempre foi assim e sempre será.
No mais…
…teremos tudo junto e misturado, com reflexos de mudança no Legislativo Municipal, uma vez que Luizinho do PT assumirá a vaga de Yasmim. Fará a interlocução do governo federal nas tarefas domésticas. Haja ovos para pisar em terra de expressão bolsonarista, rançosa e com o ódio à flor da pele. Mas o professor Luiz Henrique é bastante antenado, tem cabeça aberta e conversa com todo mundo.
Preconceito eleitoral
Em todo o país, aumentou a pressão por demissões de trabalhadores rotulados como “de esquerda”, além de perseguições veladas no ambiente corporativo. Isso é crime, assédio e discriminação, diga-se de passagem. Assim como também é um absurdo ver estabelecimentos comerciais sendo boicotados ou censurados simplesmente pela cor da parede ou pela opinião do dono. Barbaridade! O voto é livre e o debate político deveria fortalecer a democracia, não destruir empregos e pequenos negócios. Tomara que essa exaltação de ânimos baixe logo a temperatura, pois o país precisa produzir, a cidade precisa se mostrar no Turismo e o respeito à divergência continua sendo a única receita para não transformarmos a convivência comunitária em um campo de guerra permanente.

Rogério Bonato assina a coluna No Bico do Corvo