Festa da Padroeira prejudicada por São Pedro

Fiéis, crianças, pais, mães, avós, tias, cabos eleitorais petistas e bolsonaristas, donos de estabelecimentos comerciais, hotéis e atrativos temáticos: todo mundo reclamando da chuva e de suas consequências. Muitas queixas também por parte dos padres, já que a chuva torrencial prejudicou as missas.

Internato

Pior do que quebrar um braço e ficar imobilizado é não poder sair de casa com medo de umedecer o gesso! E pior ainda é não contar com a energia elétrica — que aciona o ar-condicionado, liga a televisão e propicia o sinal de internet, entre outros benefícios que, bem sabemos, custam caro quando a conta chega. Pobres moradores da Região Sul de Foz e suas adjacências. Sei bem a extensão desse sentimento, pois me incluo no perímetro geográfico.

 

Tecnologia e falácias

Na manhã do feriado, segunda-feira, a luz apagou e assim seguiu ao longo do dia, atravessando a madrugada até a terça-feira (13). Quase 24 horas de dor de cabeça! O vizinho contou 32 apagões — um atrás do outro — com a energia rodando em “meia-fase”. E qual a razão de o seu Marcão contar esse vai e vem? Na última vez que isso aconteceu, ele deixou a aposentadoria nas lojas de eletrodomésticos, pois nada sobreviveu à oscilação.

 

Sem descanso, sem lazer

Não foi possível, por exemplo, estourar pipoca no micro-ondas neste feriado. E do que adiantaria? Sem internet, não havia como maratonar séries ou assistir a bons filmes. O castigo foi severo para quem acreditou que passaria um dia tranquilo, espairecendo em frente à telinha. Dona Copel tem culpa no cartório, sim senhor. Demorou uma eternidade para devolver o sossego. Apesar das mais de 200 reclamações de moradores, foi uma equipe de empresa terceirizada que salvou a lavoura na manhã de terça-feira: resolveram a pendenga em menos de dez minutos. A Copel levou dois dias!

 

Sem paciência

Tudo bem, São Pedro não deu folga e chegava a dar dó ver o empenho dos trabalhadores removendo árvores e postes ou desentupindo galerias; outros estavam trepados na fiação, ensopados, por toda a cidade. Mas isso ocorre toda vez que cai um chuvisco ou quando o vento sopra um pouco mais forte — a luz simplesmente fica piscando como luz de boate. Cadê a tal tecnologia de Primeiro Mundo? Ela só se destaca mesmo quando o talão vence, porque hoje o desligamento é realizado à distância, instantâneo. Depois, apesar da dita inovação, o coitado que se mata para pagar as faturas precisa esperar 24 horas pela religação. Triste. É uma tarifa cara que deveria corresponder ao sacrifício dos usuários e, no mínimo, não transferir tanta insegurança. O que pensar dos comerciantes que dependem da energia para manter os congelados ou assar pães? Essa gente trabalha dobrado nos feriados.

 

Vamos virar sapos!

As chuvas ultimamente nos fazem repensar a evolução, nos tempos em que a humanidade saiu do lodo para caminhar no barro. Barbaridade. Empreiteiros, pedreiros, construtores grandes, médios e pequenos são surrados pelos efeitos do El Niño. Olhar a previsão do tempo tem causado dor de barriga em quem contrata a peãozada e toca a obra. Dinheiro investido na construção civil não pode ter pernas curtas. Quando a construção para, o prejuízo é certo. Vale lembrar a importância do segmento, um dos que mais geram empregos.

 

Já ganhou?

Então vamos dar uma passadinha pela política, porque ninguém é de ferro. Muita gente concorda com a opinião do Corvo ao escrever sobre o “salto alto” de Flávio Bolsonaro. Precisa descer do scarpin urgentemente se o objetivo for ampliar a votação do primeiro turno. Lula está se comportando como fera ferida, e isso pode causar efeitos inesperados. Vamos recordar que a diferença não é tão grande; ela é, aliás, perigosa e traiçoeira.

 

Efeitos aparentes

Alguém deve ter puxado as orelhas do Flávio — decerto o papai, mais experiente e que já passou por esse parto. O que Flávio precisaria neste momento era afinar o discurso da convergência, e não o contrário. Há muita gente contrariada com a exclusão prévia, no momento em que nomes já são indicados antecipadamente para ministérios e empresas governamentais. Isso causa revolta aliada.

 

Paraná deitou na rede…

…de Bolsonaro, e há explicação. Independentemente da eleição, se Lula permanecer no poder, será um exercício complicado imaginar uma conversa harmoniosa com Sérgio Moro ou tê-lo ocupando uma cadeira nas reuniões com governadores. Difícil crer que haverá cordialidade. Por essas e outras, Ratinho embarcou na canoa da direita, mas deu no pé e deixou a coordenação de campanha para o sucessor.

 

Sonho de uma noite de primavera

Há quem garanta (e a fonte é muito bem conectada) que a “Ratolândia” está se aconchegando com o governo eleito, e apoiar Flávio Bolsonaro seria um modo de apressar as coisas. Essa decisão deixa a turba confortável — leia-se deputados eleitos ainda travados na derrota do governo.

 

Lula diz que não

O Corvo foi assuntar com gente grande do governo federal, companheiros históricos do presidente, e uma resposta se destacou entre as demais: “O presidente já conversou com muita gente depois de sérios acirramentos no passado. Dificilmente prejudicaria a população paranaense por causa do Sérgio Moro. No entanto, é besteira conjecturar esse tipo de situação a esta altura do campeonato. O melhor é esperar o resultado da eleição.”

 

Só Moro?

Coisa nenhuma. Se Lula permanecer no trono, a ginástica será hercúlea. Haverá uma penca de governadores farejando negociação, sem contar as Assembleias Legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado da República. Ele precisará de muito saco e habilidade.