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Autoajuda para quem não se ajuda é fazer o que precisa ser feito e seguir em frente - Almanaque Futuro

Autoajuda para quem não se ajuda é fazer o que precisa ser feito e seguir em frente

Artigo de João Zisman

Outro dia, entrei num sebo atrás de um livro antigo que nunca leio, mas gosto de ter. Sebos são fascinantes: têm cheiro de papel amarelado, estantes que parecem labirintos e um atendente que sempre sabe exatamente onde está aquele livro que ninguém pediu nos últimos 15 anos.

Enquanto procurava, acabei tropeçando numa prateleira lotada de livros de autoajuda. Títulos otimistas, frases de impacto, promessas grandiosas. Peguei um. “Transforme sua vida em 10 passos”. Achei ambicioso. Se minha vida fosse fácil de resolver em 10 passos, eu estaria numa ilha paradisíaca, e não folheando um livro encardido no fundo de um sebo.

O primeiro conselho era “acredite em você”. Mas eu tenho plena convicção de que sou péssimo em várias coisas. Será que é mesmo um bom conselho? O segundo passo falava em “rotina matinal vencedora”, sugerindo yoga, meditação e um café da manhã equilibrado. A minha rotina matinal inclui esquecer de tomar café e correr para o trabalho. Já comecei errando.

Segui lendo. “Saia da sua zona de conforto”. Bom, a vida já faz isso por nós. É só ficar sem dinheiro que a gente sai rapidinho da zona de conforto e entra na zona do desespero.

Mas o que me fez devolver o livro para a prateleira foi o conselho final: “pare de procrastinar”. Ora, se eu soubesse como fazer isso, provavelmente não estaria ali, empilhando livros que vou comprar e deixar intocados na estante.

Olhando ao redor, vi que a prateleira de autoajuda estava cheia. Ou seja, todo mundo compra esses livros, mas ninguém realmente usa. A verdade é que não é um título motivacional que vai fazer alguém acordar às cinco da manhã para correr. O que faz isso acontecer é um exame de colesterol preocupante ou um botão da calça que decide explodir no meio do almoço.

No fundo, todo mundo sabe o que precisa fazer para melhorar de vida. Mas, às vezes, o problema não é falta de conhecimento – é pura preguiça mesmo.

Então, se um dia eu escrever um livro de autoajuda, ele terá apenas uma frase na capa: “Você já sabe o que fazer, só está enrolando”. E pronto. Sem precisar virar best-seller.