A feira de vaidades eleitoral de Foz

Entre trocadilhos, sola de sapato e pencas de candidatos, a fronteira tenta adivinhar quem é quem na corrida pelas urnas. Isso tudo e muito mais na coluna de Rogério Bonato.

Por Rogério Romano Bonato

Correndo atrás do ponteiro
Ao que percebo, a maioria dos políticos em busca dos votos dos iguaçuenses não brinca em serviço. Antes, deixo aqui um aviso: caso algum candidato queira publicar a sua agenda de trabalho, o espaço está aberto. Minha relação com as assessorias é de plena cordialidade. Para os desavisados que preferem ameaçar o jornalista no lugar de prestar informações, basta lembrar que a jurisprudência protege o direito de valoração crítica das ações de agentes públicos e postulantes a cargos. Aqui conhecemos muito bem o limite exato de todas as coisas e a dignidade da pessoa humana é um preceito ético altamente valorizado: criticamos, sim, as ideias, as gestões, os posicionamentos, as falas e as alianças políticas — nunca as pessoas, a honra ou a vida privada.

Bora que atrás vem gente
Os leitores atentos aos meus textos sabem que, na semana passada, publiquei uma “trilogia” acerca da inundação de candidaturas em Foz do Iguaçu. As postagens foram muito bem aceitas e agradeço os compartilhamentos. Em geral, compartilha aquele que está de acordo com o pensamento. Em várias manifestações, as pessoas pediram a publicação das listas de candidatos, o que demonstra certo nível de desconhecimento ou desinteresse pelo evento eleição. Seguem as listas presumivelmente vigentes dos candidatos de Foz do Iguaçu para a Assembleia Legislativa e Câmara Federal, seus respectivos partidos, números e em ordem alfabética.

Candidatos à ALEP
Gente, ALEP quer dizer Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. Várias pessoas perguntam o significado da sigla. São candidatos: Cabo Cassol (PL) – 22090, Caê Traven (PT) – 13420, Deoclécio Duarte (União Brasil) – 44222, Dra. Carla Rosane (PL) – 22224, Duso (PV) – 43123, Érica Gonçalves (Missão) – 14011, Giovani Fagundes (PDT) – 12666, Inês da Saúde (PSD) – 55321, Jairo Cardoso (PSDB) – 45022, Lori de Andrade (União Brasil) – 44007, Matheus Vermelho (PL) – 22888, Mazé Saad (PCdoB) – 65650, Michelle Tapia (Podemos) – 20999, Paulo Mac Donald (PP) – 11333, Ricardinho (PSD) – 55550, SGT Carlos Souza (Podemos) – 20022, Sidnei Prestes (Podemos) – 20120, Valentina (PT) – 13133, Yasmin Hachem (PT) – 13413.

Quem é quem?
Será que importa escrever se conheço ou não toda essa gente? Importa saber se a população conhece, e provavelmente saberemos isso por meio das urnas. Mas vale ressaltar que a lista acima apresenta quatro vereadores que compõem a atual legislatura: Cassol, Sidnei Prestes, Valentina e Yasmin; o vice-prefeito Ricardinho e Matheus Vermelho, que busca a reeleição. No geral, há o ex-prefeito Paulo Mac Donald, a ex-vice Inês da Saúde, ex-vereadores como Duso e Jairo Cardoso, e o ex-candidato à prefeitura Deoclécio Duarte. Os demais nomes, francamente, pouca gente ouviu falar no cenário político local.

Postulantes à Câmara dos Deputados, em Brasília
Sim, creiam, é preciso escrever o endereço, porque há quem pergunte onde fica o Congresso Nacional. Concorrem: Airton José (MDB) – 1526, Ari Ribeiro (PSB) – 4015, Chico Brasileiro (PSDB) – 4555, Claudinei Borges (Democrata) – 3522, Darlon Paraná Pop (Missão) – 1444, Dr. Ranieri (Republicanos) – 1045, Edson Fernando (PSB) – 4001, Elisangela Borges (Democrata) – 3577, Flávio Ferrari – Faca na Bota (União Brasil) – 4477, Gilvan Federal (PT) – 1311, Jajá da Saúde (Democrata) – 3501, Leandro Pinto (PSDB) – 4522, Luciano Alves (Podemos) – 2080, Marcio Rosa (PDT) – 1255, Paulinho do Asfalto (PDT) – 1244, Sandra Tarabayne (Podemos) – 2055, Thiago Kodama (PP) – 1133, Túlio Bandeira (PSDB) – 4500, Vermelho (PL) – 2200, William Barros (Novo) – 3055.

Quem são?
Como na abordagem acima, dos nossos intrépidos concorrentes às cadeiras no Congresso, apenas um vereador arrisca a empreitada: o Dr. Ranieri. Os deputados federais Vermelho e Luciano Alves querem se manter nas cadeiras. O ex-prefeito Chico Brasileiro e o ex-vereador Márcio Rosa também concorrem, assim como os ex-candidatos a prefeito Airton José, Thiago Kodama (vice) e Túlio Bandeira. Na lista, há rostos conhecidos do eleitorado e algumas estreias interessantes.

Ausência
Francamente, depois de décadas, um nome tradicional não aparece nas listas: Fernando Giacobo. Na última eleição geral disputada por ele, em 2022, colheu 152.222 votos, sendo reeleito para o seu 6.º mandato na Câmara dos Deputados. Em Foz do Iguaçu, berço da sua candidatura, fez 7.370 votos (5,10% do eleitorado local). Quem vai beliscar nessa ceva? Giacobo optou por dar um tempo, indicando um ciclo de transição na carreira após mais de 20 anos no Congresso. Ele está focado, ao que nos parece, no esforço político para a articulação do Governo do Estado (a famosa “Ratolândia”, para os íntimos da política paranaense).

As pedras no caminho
Haja sola de sapato, tênis e chinelão para gastar em período de campanha. Embora eu conteste veementemente o excesso de candidatos — devido à pulverização dos votos e ao sério risco de não elegermos representação para as duas casas —, reconheço a importância do pluralismo no processo. A população sabe que o aumento da representatividade é fundamental para a concretização de projetos. Afinal de contas, Foz precisa deixar as pequenices de lado e pensar na formatação de uma verdadeira bancada regional.

O que eu vejo?
Como cidadão com larga vivência em Foz do Iguaçu, percebo o potencial de uns e o desperdício de outros. É de se lamentar que alguém possa deixar de ser eleito por centenas de votos pulverizados em candidaturas sem densidade ou canalizados para candidatos de fora. Não é uma preocupação isolada minha, mas da própria sociedade organizada. Entidades como CODEFOZ, CODEMED e MICRO 01 estamparam outdoors com a mensagem: “Vamos juntos eleger deputados da nossa região”, ilustrados com as Cataratas e o centro da cidade. Uma provocação direta ao sentido de pertencimento do eleitor.

Em evidência
Descontando o festival de novos nomes nas redes sociais, os mais tarimbados trabalham duro e além das fronteiras do município. É piada de bastidor, por exemplo, dizer que a maior distância percorrida por Paulo Mac Donald em campanha é até a Feirinha da J.K.; o homem está batendo cartão regionalmente, em Cascavel e com passagens até pela Grande Curitiba. Esse ritmo de estrada aplica-se a outros nomes — e o espaço segue aberto para que nos mantenham informados, já que nem sempre nossa “bola de cristal eleitoral” dá conta de tudo.

Deoclécio intensifica
O empresário Deoclécio Duarte, agora candidato pelo União Brasil, tem acelerado o passo na busca por uma vaga na ALEP. Sua estratégia passa por dividir metas entre o eleitorado local e regional, articulando bases em várias partes do Estado e priorizando pautas de saúde e infraestrutura. “Eu me sinto preparado para defender as pautas de Foz do Iguaçu, pois minha experiência profissional, empresarial e na área pública se complementam”, destacou em recente participação na Rádio Cultura.

Aqui e acolá
O roteiro do candidato demonstra essa busca por amplitude eleitoral. Após o pontapé inicial no Norte do Estado, cumpriu agendas em Campo Mourão, Londrina, Curitiba e Região Metropolitana, tentando conciliar a presença na Capital com o trabalho de base aqui no município.

Os “Vermelhos do bem”
Com um slogan que pegou no boca a boca, a dupla Vermelho (pai) e Matheus Vermelho (filho) aposta na identidade visual do “time Red” para marcar território. A mobilização é forte, com pontos de adesivação e presença articulada no interior. Como deputado federal, Vermelho pai ostenta a condição de ter votações pulverizadas por grande parte dos municípios paranaenses, frutos do trabalho parlamentar e do acompanhamento das emendas em Brasília. Naturalmente, a movimentação ostensiva gera ciumeira nos adversários em época de pleito, mas faz parte do jogo.

Sempre na estrada
As atividades parlamentares do deputado federal Vermelho e do estadual Matheus cortaram várias regiões paranaenses. O filhote frequentemente divide agendas com o pai, buscando consolidar a dobradinha. Ambos mantêm o ritmo entre a base eleitoral e os compromissos oficiais na ALEP e na Câmara Federal — uma rotina que, para quem conhece os bastidores, passa longe de ser fácil.

Reclamar, pero no mucho
Criticamos bastante os “paraquedistas” que desembarcam em Foz para fazer turismo eleitoral. Contudo, analisando as notas acima, nota-se que os candidatos da cidade resolveram dar o troco, indo buscar votos justamente nos redutos dos visitantes. No fim das contas, cabe ao eleitor avaliar se prefere apostar na prata da casa ou dar crédito a quem só aparece de tempos em tempos. É a dinâmica da política tradicional.

Questão matemática
Com mais de 200 mil eleitores, Foz do Iguaçu teria musculatura para eleger até três deputados para cada Casa Legislativa, caso houvesse uma estratégia coletiva ajustada — a exemplo do que fazem outros municípios do mesmo porte. Com um pouco de desatenção, elegem-se dois; com dispersão acentuada, no máximo um; e do jeito que o quadro se desenha, corremos o risco de ver a representatividade minguar. Talento e perfis públicos preparados para o parlamento nós temos de sobra. Falta apenas o eleitor fazer a conta certa na hora de depositar a sua confiança na urna. Afinal, a caneta mais forte do processo ainda é a de quem vota!

Rogério escreve com exclusividade para o portal Almanaque Futuro