Ex-presidente do Paraguai Santiago Peña é preso em casa após impeachment; investigação envolve crise do Ueno Bank
Mandado foi determinado pelo Ministério Público poucas horas depois da destituição pelo Senado; Peña ficará em prisão domiciliar enquanto avança a investigação sobre possíveis irregularidades financeiras.
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso na noite de sexta-feira (6), em sua residência, em Assunção. A detenção ocorreu poucas horas depois de o Senado aprovar seu impeachment e foi determinada pelo Ministério Público paraguaio no âmbito das investigações sobre a crise financeira envolvendo o Ueno Bank.
De acordo com a ordem fiscal, Peña deverá permanecer em prisão domiciliar até ser colocado à disposição da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção do Ministério Público. A determinação foi assinada por quatro integrantes da equipe responsável pela investigação e encaminhada à Polícia Nacional para cumprimento.
A medida está relacionada à causa penal nº 92/2026, que apura a possível prática de lesão de confiança e outros fatos puníveis. O Ministério Público também determinou a detenção de Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, que presidiu o Banco Central do Paraguai.
Prisão ocorreu após perda do cargo e dos privilégios políticos
A sequência de acontecimentos foi rápida. Na sexta-feira, o Senado paraguaio aprovou a destituição de Peña por 44 votos. Pouco depois, a ordem de detenção foi cumprida pela Polícia Nacional.
A perda do cargo também teve consequências jurídicas: Peña deixou de contar com as prerrogativas associadas à condição de ex-presidente eleito e senador vitalício, o que permitiu o avanço das medidas judiciais contra ele.
O então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai e deverá concluir o mandato previsto até 2028.
Crise do Ueno Bank está no centro da investigação
O caso ganhou dimensão nacional após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, instituição que enfrentou graves problemas financeiros e teve suas operações submetidas a um processo de resolução.
A crise afetou aproximadamente 3 milhões de clientes, que ficaram sem acesso normal às contas e aos recursos mantidos no banco. A instituição também administrava valores expressivos de entidades públicas paraguaias, incluindo recursos ligados ao sistema de previdência.
A investigação busca esclarecer possíveis irregularidades em operações financeiras, a exposição de recursos públicos e eventuais conflitos de interesse. Peña teve participação societária em uma empresa ligada ao grupo controlador do banco, mas vendeu sua participação em 2025.
O Ministério Público investiga se houve condutas que possam configurar crimes. A existência de vínculos empresariais, por si só, não comprova responsabilidade criminal.
Investigação ainda está em andamento
A ordem de prisão não representa uma condenação. As acusações definitivas ainda dependem da análise das provas e dos procedimentos previstos na legislação paraguaia. A Justiça deverá avaliar as medidas aplicáveis durante o andamento do processo.
Peña nega ter cometido irregularidades. O caso agora reúne duas frentes de grande impacto para o Paraguai: a mudança no comando do governo e a investigação criminal sobre a crise bancária que atingiu milhões de correntistas e envolveu recursos públicos.
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Da Redação Almanaque Futuro