Para pensar no final de semana: as especulações e os caminhos do voto
A Coluna do Bico do Corvo faz uma análise superficial do início da corrida pelo segundo turno e só vê nebulosidade na esquerda e na direita.
Polarização? O que é isso?
Quem apostava no fim da polarização sente os efeitos de uma chifrada de touro miúra. O que há é um debate menos acalorado, não tão frontal nem acirrado, sem brigas ou encrencas entre familiares e vizinhos. Até o ambiente nos botecos está bem mais cordial. A eleição ficou abaixo da escala de uma final de campeonato com torcidas rivais.
Ai, as pesquisas…
Sim, muita gente pede a opinião do Corvo, e há que se ter cuidado. Todos os levantamentos devidamente registrados apontam um mesmo cenário: Flávio Bolsonaro poucos pontos à frente, com uma diferença menor que cinco milhões de votos. Para Lula e os petistas, no entanto, isso parece uma eternidade. Dois pontos longe demais!
Especulações
O cenário diz que a saia justa — para os dois lados — se manterá até o dia 25 de outubro, e mais ainda durante ele, porque, em geral, é na abertura da votação que as coisas acontecem para valer. Até lá, é besteira crer em búzios e cartomantes. Flávio quer vencer e, para isso, sustenta o eleitorado enquanto inventa fórmulas para ampliar a distância. Lula, por sua vez, trabalha para diminuir a abstenção e busca outra marca além da reeleição: quer ser o primeiro a vencer no segundo turno após perder no primeiro.
Preocupações
O “já ganhou” é a maior de todas as pragas eleitorais. Não dá para esquecer quando FHC tirou foto na cadeira de presidente e entrou direitinho pelo cano. Os aliados estão preocupados com a euforia de Flávio, que já escolhe ministério e desfila de sapatinho de cristal e nariz empinado. Isso é o combustível preferido de Lula e da militância petista, muito astuta quando colocada contra o paredão. Há esforços na direita para baixarem um pouco a bola.
E na terrinha?
Em Foz do Iguaçu, o placar dos eleitos é favorável ao candidato da oposição, ou seja, Flávio Bolsonaro. Vermelho e Matheus estão na lida, fazendo campanha como se ainda estivessem no primeiro turno. Quanto a Yasmim, eleita pelo PT, nem é preciso gastar tempo perguntando. Mas e o Paulo Mac? Dizem que não está em cima do muro, embora Ricardo Barros, presidente do PP, tenha anunciado apoio a Flávio. Paulo, recém-eleito deputado pelo partido, vai no embalo. Aqui entre nós, devem ter batido uns ventos de lembrança: afinal, ele estava na prefeitura nos dois primeiros governos de Lula, mantendo várias parcerias na área da Educação e Saúde. Mas, se ele quer mesmo voltar a ser prefeito, terá de olhar para o eleitorado. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro conseguiu 97.614 votos (60,96%) e Lula, 50.383 votos (31,46%).
Olho no peixe e outro no gato
A situação de Paulo é diferente das demais, justamente por ter se declarado candidato antecipado a prefeito. Isso foi mote de campanha, vamos combinar e pensar: ele já sabe que Sérgio Moro foi eleito governador e deve pensar em sua postura como deputado estadual. Se Flávio vencer, dependerá da articulação em seu partido, o PP, mas terá os Vermelhos pela frente — o que, teoricamente, não parece ser um pedregulho no caminho. Mas e se der Lula? O que muda é sempre a necessidade de uma boa relação com a “mamãe Itaipu”. Independentemente do lado ideológico, um prefeito eleito em Foz do Iguaçu espera uma piscada de olho, um sorriso, aperto de mão, beijo e abraço de Itaipu. Isso faz toda a diferença. Vai ver, por essa razão, mesmo aceitando a decisão de Ricardo Barros, o Mac ainda anda meio caladão. É tempo de pensar e também de encarar muitas complexidades. Acaba logo!
O que pode influenciar?
Não é segredo que Sérgio Moro já andou mencionando o nome de Joaquim Silva e Luna ao falar de Itaipu. Teria dito que a Binacional “precisaria retomar as ações como no tempo do General”. Vamos lembrar também que as relações entre o atual prefeito e os Bolsonaros (toda a família) já foram muito boas, o que lhe valeu a presidência da Petrobras. Houve lá uns estrilos ao deixar a petroleira, mas Luna, contra todas as expectativas, abandonou o projeto de Ratinho — responsável direto por sua eleição em Foz — e se juntou a Moro e Flávio, mesmo sob o ranger de dentes de Vermelho e Matheus.
Outras variantes
Diz a lenda e a matemática que o iguaçuense demonstrou sua insatisfação com o governo municipal nas urnas — vide a votação de aliados como Ricardinho, Chico Brasileiro, Ranieri e outra penca de frequentadores dos gabinetes no Palácio Cataratas. Segundo a lógica do Dr. Spock, se Flávio Bolsonaro fosse a público e anunciasse que Silva e Luna voltaria para Itaipu caso eleito, aumentaria a votação de 60% para 100% dos votos na cidade!
Malas prontas
Algumas pessoas devem ajoelhar e rezar para que esse boato — até agora — resulte em verdade; ou seja, que o General saia da prefeitura para ocupar o Centro Executivo, na Vila A. Ricardinho, que chega a ser um beato de tão católico, daria graças a Deus por não se eleger deputado; várias pessoas já estariam ansiosas para mover os cabides do guarda-roupa. Além do mais, se um projeto desses se converter em realidade, aliviará o General de um pesadelo: pensar em reeleição! Francamente, este Corvo aprendeu a nunca, jamais, em tempo algum, subestimar a capacidade de algumas pessoas, mas certas coisas dão pinta de que apenas acontecerão no rol dos milagres. E milagres ocorrem; do contrário, a Igreja Católica não reconheceria mais de 10.000 santos e beatos ao longo de seus dois milênios de história.
Muitas especulações e um segredo
Curiosamente, as especulações sobre o destino do General são mais amplas. Além de Itaipu, falam em assumir o Ministério da Defesa, o Ministério de Minas e Energia e até mesmo a Eletrobras. Essa seria a vontade de Bolsonaro pai, depois de enroscar o dedo mindinho com o General — bem do jeito que os piás pançudos fazem as pazes. Haveria um plano B, C, D… e até o “E”, no Governo do Estado, dizem as fontes deste ingênuo passarinho.
O segredo
Alguém garante que o governador eleito se aproximou muito mais de Joaquim Silva e Luna, expressando maravilhas sobre ele. “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia.” Muita gente não sabe nem imagina que o general Garrido está trabalhando no plano de governo de Sérgio Moro e teria deixado a prefeitura de Foz com essa intenção. Há ruídos de que assumirá a Secretaria de Finanças do Estado.
Há o que pensar?
Se o Corvo não conhecesse Paulo Mac Donald Ghisi, não escreveria sobre os ruídos das engrenagens em sua cabeça neste momento. Dá para escutar de longe! Mas, como ele mesmo diz, “calma, Beth, tudo se resolve!”. Ainda falta a votação do segundo turno. No mais, os Bolsonaros escreveram uma cartilha em que executivos do governo não devem permanecer mais de dois anos nos cargos. Sendo assim, se Flávio vencer e, daqui a dois anos, Paulo conquistar a prefeitura, reza a tal cartilha que o diretor-geral da Itaipu terá cumprido o ciclo no rodízio. Ufa, né, Paulo? Um bom fim de semana a todos! Este Corvo vai tratar da asa quebrada!