A ressaca eleitoral e o peso do nosso destino

Rogério Romano Bonato

No dia a dia, escolhemos nossas companhias pela afinidade. Convivemos com quem gosta das mesmas músicas, da mesma bebida, do mesmo time ou da mesma igreja. Gostamos de quem cuida do jardim, ama os animais e respeita a natureza. Há uma empatia natural com quem compartilha das nossas preferências.

Aí vem o período eleitoral. Entra em cena aquele monte de gente que surge no rádio, na TV e nas ruas — entulhando calçadas com “santinhos” e estampando em papel suas carinhas bonitas, de cabelo alinhado e maquiado, na tentativa de nos impressionar. Sabemos muito pouco sobre eles. A maioria não vive no nosso bairro nem faz parte da nossa rotina. Por isso, os olhamos com desconfiança: será que vão honrar nosso voto? Cumprirão promessas? Vão, de fato, melhorar nossa vida?

São muitas perguntas para poucas respostas. Diante de uma lista interminável de nomes — como é o caso aqui em Foz do Iguaçu —, desconhecemos a maioria. É aí que o processo começa para valer.

Às vezes, nos simpatizamos com um candidato só porque ele aparenta gostar das mesmas coisas que nós. Mas votaremos em alguém apenas por isso? Decidiremos nosso futuro por razões tão fúteis ou escolheremos quem realmente tem história e capacidade comprovada?

A eleição é a consagração do nosso destino. Escolhemos quem vai nos representar onde não podemos estar. Podemos ir à Câmara Federal, sentar nas galerias e ouvir os discursos, mas não votamos as leis.

Por isso, vale usar as próximas horas para pensar bem. Olhe a história recente de cada um. Veja o que fizeram na vida pública e privada. O futuro trará dias bons e ruins, e precisaremos de gente madura para enfrentar os cenários mais difíceis. Conhecer o passado de quem pede o seu voto faz toda a diferença.

Este não será um domingo qualquer. Não é apenas o dia de cuidar da casa, preparar o almoço e reunir a família. É o momento de ir à urna e decidir quem conduzirá o país nos próximos anos. Haverá eleitos que pensam como nós e outros com ideias opostas. Isso é próprio da democracia: a sociedade é plural e se debate até encontrar caminhos.

Querido leitor, cada um tem seu método de escolha. Em uma eleição com tantas opções — de deputados a presidente —, meu critério é simples: lembro de quem realmente conheço, do que já entregaram e do que podem fazer daqui para a frente. Não vou desperdiçar meu voto. Estou pronto para discordar quando preciso e para aplaudir quando merecido.

Mas a responsabilidade não acaba na urna. Se cruzarmos os braços depois da eleição, como poderemos cobrar? Votar é só o primeiro passo; o principal é acompanhar o mandato, fiscalizar e cobrar o que foi prometido. Na democracia, o eleitor é como o passageiro que sopra ao ouvido do condutor: “Você foi eleito por nós, faça o favor de cumprir o que prometeu”.

Aproveite estas últimas horas antes de digitar o voto. Pense nas necessidades da sua comunidade, da sua família e dos seus filhos. Faça o possível para escolher bem, porque a pior das ressacas é o arrependimento eleitoral.

Ainda dá tempo de pensar e decidir com calma. Boa sorte a todos nós — e que o destino nos seja favorável!