Bico de Pena: a pouca vergonha não tira férias em outubro

Moro sob cerco, o mistério das canetas paraguaias na barriga do povo, a dança das cadeiras no xadrez eleitoral e por fim, a quebradura da asa!

Moro é parada difícil

É evidente a queimação de fosfato nos bastidores para impedir a vitória do senador Sérgio Moro no primeiro turno. Existem aí duas forças contrárias operando a todo vapor: por um lado, Requião Filho e Sandro Alex sabem que poderão incomodar no virtual segundo turno — e o vento, como se sabe, sempre sopram contra quem vai na frente. Por outro lado, Moro deve sentir calafrios só de imaginar todo mundo unido contra ele, batendo até no céu da boca entre este domingo e o dia 25 de outubro. Muita gente andou estudando o comportamento do eleitor paranaense, mas adivinhar essa cabeça é tarefa para profissional…

 

Quo vadis, domine?

Há uma nuvem nebulosa pairando no destino da oposição a Sérgio Moro. Se der segundo turno e o adversário for Sandro Alex, é provável que Requião Filho apoie o grupo governista, ainda que temporariamente. Mas e se for o contrário, como apontam algumas pesquisas? Ratinho Júnior apoiará o pedetista ou embarcará de mala e cuia na campanha do atual adversário? Ou simplesmente se ausentará do processo, liberando a turma para fazer o que bem entender? Mistério na roça.

 

Mas ainda falta

A pressão da máquina governista para reverter as pesquisas é cavalar. São duas metas de certa forma auspiciosas: superar Requião Filho e encostar em Moro. Resta saber como Maurício Requião suportará a trancada e que armas usará para defender a grande área neste final de campanha. Ele costuma se sair muito bem em sabatinas e debates — quando os adversários criam coragem para participar, claro. Em outro aspecto, o que Moro realmente teme é a famigerada campanha do “todos contra um”, o que provavelmente acontecerá. Mas tudo depende também do resultado para as Casas de Leis: senadores e deputados eleitos arrastarão votos, engrossando o caldo. Se houver segundo turno e esse povo todo se unir contra o ex-juiz, não será parada fácil — sobretudo com Requião pai, Greca, Pessuti e outras figuras históricas colocando a cara na empreitada. Viveremos dias emocionantes em outubro se a fatura não for liquidada neste final de semana.

 

Ratão no observatório

Há grande expectativa de que o papi pop star da comunicação, o Ratinho da TV, coloque a cara para valer no segundo turno. O povão ainda se impressiona — e muito — com a presença do homem na tela. Uma entrada firme dele no jogo pode sim fazer toda a diferença no placar.

 

Lula e as canetas

No projeto de reeleição, o seo Lula deixou algumas “pérolas” de campanha para a reta final. Uma delas é a promessa de distribuição, a baixo custo, das famosas canetas emagrecedoras. Como ele pretende fazer isso por meio do SUS é uma equação complicada, até porque os laboratórios que distribuem o produto no Brasil são inflexíveis quando o assunto é mexer no bolso. E há outro porém: dizem que a briga para combater os genéricos e similares que vêm do Paraguai é hoje o maior fator de dor de cabeça no setor.

 

Projeto Binacional?

Todo mundo sabe que o Brasil é um antigo parceiro do Paraguai em pontes, hidrelétrica e combate ao contrabando de armas e drogas. Mas o vizinho ainda não mexeu um dedo mindinho para conter a invasão das canetas emagrecedoras — possivelmente, hoje, o produto de exportação de maior sucesso dos hermanos, proporcionalmente mais valorizado que a soja! Dizem que as marcas paraguaias (como T36, Synedica e TG, à base de tirzepatida e retatrutida) tentam aprovação em alguns países na esperança de abrir precedente global. Vai que a Anvisa resolve afrouxar? Se fizer isso, compra uma briga colossal com os grandes laboratórios. Por ora, a Anvisa segue irredutível: o produto paraguaio não tem registro no Brasil e a ordem é proibir e apreender. Mas o mais curioso é o comportamento humano: o mesmo brasileiro que se nega a tomar vacina contra Covid ou gripe espeta a agulha da caneta paraguaia na barriga sem medo algum da morte! Barbaridade!

 

E na terrinha?

Os últimos trackings deram um sopro de ar refrescante na nuca de três candidatos por aqui, mas as coligações avisaram: não é hora de fraquejar. Quem vem atrás está intensificando a pisada e a diferença nos índices é milimétrica. É bobear e dançar. É aí que o excesso de candidatos atrapalha: analisando o cenário, há quem corra o risco de ficar sem a vaga no Legislativo por menos de uma centena de votos, veja você. E olhe que isso já aconteceu em outros tempos…

 

Aptidão

Por mais incrível que pareça, o eleitor deu de se aprofundar na vida pregressa dos candidatos. Estão olhando até furo na meia! Mas há um alento: quem algum dia contribuiu e mantém uma ficha de serviços prestados sai ganhando. É o que se escuta nas ruas: “Vou votar em gente que conhece a coisa pública”. Este colunista passa boa parte do tempo consultando fontes, explorando o ambiente com calma e nota um certo nível de amadurecimento e preocupação do cidadão. Que bom. Nem parece verdade! Na política, a reflexão é um degrau importantíssimo. Nem tudo está perdido.

 

O passado condena?

Eleição é isso: um tacando fogo no rabo de palha do outro. Prisões, condenações, escândalos antigos e até brigas domésticas estão sendo ressuscitadas sem dó nas redes sociais. Mesmo o vivente que foi absolvido e está comprovadamente apto para o certame não escapa das indagações maledicentes, patrocinadas por algozes que, para variar, se escondem na hora do serviço sujo.

 

Que coisa mais feia

Este colunista identificou outro tipo de “ser eleitoral”: o cidadão que fica de plantão fazendo o serviço sujo a mando de gente covarde, metendo denúncias sem mostrar a cara. Esses indivíduos — supostamente pagos — denunciam com o único intuito de intimidar apoiadores, jornalistas e quem quer que se manifeste politicamente. No fim, só servem para tumultuar o processo. Mas se pensam que a Justiça Eleitoral é cega para esse tipo de manobra, estão redondamente enganados. Pelo que consta, já teve gente levando um “esfrega” dos bem dados nestes últimos dias…

 

Espaço Aberto

O Corvo reforça a leitores, candidatos e cidadãos que esta coluna é um espaço plural e aberto ao contraditório. Em total respeito à Constituição Federal (Art. 5º, V e X) e à Lei do Direito de Resposta (Lei nº 13.188/2015), garantimos amplo direito de manifestação a quem desejar pontuar ou esclarecer notas aqui publicadas. Solicitações encaminhadas formalmente à nossa redação serão sempre recebidas e avaliadas com máxima responsabilidade e transparência.

 

Agradecimentos

Como todo vivente metido a fazer reformas em casa na ilusão de economizar com pedreiro, cometi uma piazisse que beira o irresponsável (mais uma para a conta!) e a brincadeira acabou na UPA. Ou melhor, na UPA João Samek! Tropecei, caí, me estrepei todo e me quebrei. Mas justiça seja feita: fui impecavelmente atendido por toda a equipe — da recepção e triagem ao raio-X e farmácia —, com destaque especial aos médicos dr. Kassem e dr. Gihad, o ortopedista. Não poderia esquecer o José (UPA Morumbi), mestre no gesso e ataduras. Deixo aqui o meu sincero e público agradecimento a todos! Em tempo: escrever uma coluna inteira digitando com uma mão só é uma experiência verdadeiramente inesquecível. Detalhe: é a quarta vez que fraturo a mesma asa, ou seja, o braço esquerdo. Barbaridade!