A eleição em Foz renderia um bom filme

O Corvo promete escrever o roteiro. Vamos começar com um dos personagens mais conhecidos: Paulo Mac Donald Ghisi

“Um drink no inferno”

A menos de dez dias das eleições, o cinema anda inspirando o vocabulário dos mais bem-humorados — ou tumultuando a cabeça de alguns candidatos. Sobretudo de quem está “À Espera de Um Milagre”, contando com “Um Sonho de Liberdade” partidária em razão da saia justa para, depois, quem sabe, comemorar. Apesar de tudo, “A Vida É Bela”. O otimismo teimoso do eleitor está sempre “À Procura da Felicidade”, embora as pesquisas pareçam “A Teoria de Tudo”. Barbaridade!

Caos ou desastre?

Como entre muitos, poucos vencem, a vida se converterá em “O Dia Depois de Amanhã” — ou no que sobrará na segunda-feira após a apuração. Pois é, meus amigos: “Não Olhe para Cima”, porque, dependendo, de lá não vem coisa boa. Há muita “Turbulência” no voo cego dessa penca de candidatos, uns atrapalhando os outros, e ninguém quer experimentar um “Apocalipse Now”. A reta final é como em “Jogos Vorazes”: ninguém sai ileso da disputa voto a voto e, por isso, o “bicho vai pegar”. “Corra!”, porque nos próximos dias o tempo vai voar. Juro que a IA não tem nada a ver com este texto; em geral, quem só consegue escrever com a ajuda dela é quem põe dúvida.

Papo reto

Vamos ao que interessa, sem rodeios. Algo anda chamando bastante a atenção nos últimos dias: o “love” explícito entre Sandro Alex, Alexandre Curi e Ratinho Júnior dirigido a Paulo Mac Donald. Uma coisa é certa: gravaram com outros candidatos, mas só levaram para as suas redes sociais as imagens com o ex-prefeito. Este colunista teve o cuidado de conferir. E o que há por trás dessa mudança na estratégia? Deve ser uma hipotética quantidade de votos, porque a turma do Palácio Iguaçu não dorme de touca — ou seja, fazem muitas pesquisas de consumo interno.

Segundo uma fonte…

Devido ao grande número de candidatos em Foz, a fragmentação eleitoral seria tão grande que valeria a pena apostar em quem concentraria mais votos na cidade. Foi o que levou Paulo e Ratinho a laçarem os dedinhos, iguais a piás pançudos depois de briga no campinho. Mas se isso é suficiente para o Mac, aí são outros quinhentos. Ele é bem grandinho e deve saber o que está fazendo. Além do mais, as campanhas pelo voto válido estão ajudando os mais conhecidos pelo simples fato de baterem cartão no consciente político local. Os novatos sabem que é assim e precisam lutar contra isso.

Onde o Mac leva vantagem?

Embora tenha gasto o chinelão em bairros, em algumas cidades bem próximas de Foz e na capital, Paulo “Mac Lanche Feliz” não é muito chegado em pegar a estrada ou dormir longe da Rua D. Pedro II — apesar da algazarra na margem paraguaia que lhe atormenta as madrugadas. Não sair de Foz como deveria tem sido a maior cobrança em sua campanha, porque quem não busca votos em outras praças corre perigo nas urnas. Mas, colado tão intensamente nas mídias da Ratolândia, isso pode fazer diferença e ajudar a beliscar uns votos em outras freguesias. É a moeda de troca pelo apoio que o ex-prefeito emprega em favor de Sandro e Curi.

Mistureba

Vejam bem, a intenção não é escrever uma coluna inteira sobre o Paulo Mac — embora seja necessário reconhecer que ele faz uma bagunça no tabuleiro ao, aparentemente, abrir a disputa pela prefeitura daqui a dois anos. Em tempos de defender vaga na legislatura, é no mínimo estranho falar sobre administração municipal, mas o Paulo faz isso sem o menor constrangimento. Para alguns amigos e inimigos, ele manda ver: “se quiserem um prefeito experiente, votem num deputado que conhece gestão pública”. “Deputado deputa, não prefeiteia”, lembrou um amigo.

É ou não é?

Algumas situações provocam riso. Quando a pessoa está no poder, devidamente acomodada em sua cadeira, cumprindo o mandato, formam-se filas implorando por emprego, boquinha aqui e ali, facilitações nisso e naquilo (o que causa irritação, pois existe a dura lex) e toda uma romaria de associações, entidades, autarquias e até governos brigando por indicações, emendas impositivas e as possíveis prerrogativas que dependem de um representante parlamentar. Aí chega o período eleitoral e chovem indagações pejorativas dando conta de que fulano ou ciclano é de outra cidade, um “estranho no ninho”, paraquedista e coisa e tal. São argumentos insuflados por concorrentes e por gente que não tem voto nem para puxar um gato pelo rabo. E, após o pleito, a mesma turba ajoelhará pedindo perdão. Coisa mais esquisita.

Unidos pelo poder

As empreitadas familiares estão em voga. Em todas as regiões, os sobrenomes estão caçando votos. Nem vamos focar na “herança”, como é o caso de Requião Filho, Eduardo Pimentel, Pedro Lupion, os Richa e nomes que nos remetem a bem mais de meio século de política. Sem ir longe, aqui em Foz temos Vermelho pai & filho; os Barros & Borghetti em Maringá e a recente quebra de recorde com o clã Francischini em peso na disputa. Haja voto! E não duvidem: há potencial para eleger todo mundo — Fernando, Felipe, Flávia e afins.

Calma que há espaço e tempo

Embora os dias corram na velocidade da luz, ainda há tempo para surpresas. Vai que o papo de uns e outros cola no ouvido do eleitor? É normal, a esta altura, um amigo ou outro perguntar: “o que você acha deste ou daquele candidato?”. É quando começam a avaliar os nomes para valer, o que é muito bom. A peneira em Foz do Iguaçu está bastante ativa e há vários em evidência.

Oráculo do Corvo

É uma peninha não poder escrever os nomes, porque isso acaba em rolo na Justiça Eleitoral. Mas este colunista escuta muito a população falar em cinco nomes: dois para deputado federal e três na briga pela ALEP. Que máximo seria se a população acordasse e se organizasse numa empreitada assim! Ah, São John Lennon: “não custa nada imaginar”!

Nota do Rogério Bonato O conteúdo desta coluna é protegido pelo livre exercício do pensamento, pela liberdade de imprensa e pelo sigilo da fonte, previstos nos arts. 5º (incisos IV, IX e XIV) e 220 da Constituição Federal. Informamos que o espaço segue democraticamente aberto e com direitos assegurados a todos os candidatos que enviarem suas informações, manifestações ou contrapontos.