*Por Eliane Schaefer_
Estamos no Setembro Amarelo e, quanto mais converso com as pessoas, mais percebo o quanto ainda existe preconceito quando o assunto é saúde mental.
Escuto pessoas dizendo que têm medo de procurar um psiquiatra porque não querem ser vistas como “loucas”. Outras evitam falar que fazem uso de medicamentos por receio de julgamentos. Há ainda aquelas que escondem a depressão, a ansiedade, a angústia e tantas outras dores porque aprenderam que precisam ser fortes o tempo todo.
Mas desde quando procurar um médico é motivo de vergonha?
Se sentimos uma dor física, procuramos atendimento. Fazemos exames, seguimos orientações e, quando necessário, tomamos medicamentos. Por que, quando o sofrimento está na mente e nas emoções, ainda existe tanta resistência?
Talvez porque durante muito tempo fomos ensinados a esconder aquilo que não podia ser visto.
“Você precisa reagir.”
“Isso é coisa da sua cabeça.”
“Você tem tudo, por que está triste?”
“Não precisa de psiquiatra.”
“Vai tomar remédio para quê?”
Frases aparentemente simples podem pesar muito para quem já está enfrentando uma batalha silenciosa.
Depressão não é falta de gratidão. Sofrimento emocional não significa fraqueza. E procurar um psiquiatra não deveria carregar nenhum rótulo.
Também precisamos falar sobre os medicamentos. Existe uma diferença enorme entre tomar remédio por conta própria e utilizar uma medicação prescrita e acompanhada por um profissional. Quando existe indicação médica, o tratamento medicamentoso pode fazer parte do cuidado, assim como a psicoterapia e outras abordagens.
O que me preocupa é pensar em quantas pessoas deixam de procurar ajuda porque têm medo do que os outros vão dizer.
Quantas respondem “está tudo bem” quando não está?
Quantas choram escondidas?
Quantas continuam trabalhando, cuidando da família, sorrindo para uma fotografia e cumprindo compromissos enquanto, por dentro, estão tentando suportar uma dor que ninguém percebe?
Nem todo sofrimento aparece no rosto.
Por isso, o Setembro Amarelo precisa ir além de uma campanha ou de uma cor nas redes sociais. Precisamos aprender a ouvir sem julgar. Precisamos parar de transformar tratamento psiquiátrico em motivo de vergonha e compreender que falar sobre aquilo que dói também pode ser o começo de um caminho de cuidado.
Não deveríamos perguntar por que alguém procura um psiquiatra ou por que precisa de determinado tratamento. Talvez devêssemos perguntar: “Como você está de verdade?”
E, principalmente, estar preparados para ouvir a resposta.
Cuidar da mente também é cuidar da saúde. Pedir ajuda não diminui ninguém.
Às vezes, a atitude mais importante é justamente aquela que tantas pessoas ainda têm medo de tomar: dizer “eu não estou bem e preciso de ajuda.”
