Mestre Rubão deixa legado de amor ao samba, e ao carnaval da cidade
Lideranças dão adeus e falam sobre história de resistência e dedicação de um dos principais nomes da cultura negra na cidade
No samba, a velha guarda é motivo de orgulho e respeito, pois são eles que salvaguardam a história e a ancestralidade da cultura de um povo.
Nesta terça-feira, 14 de julho de 2026, a cidade perdeu Rubens Santos, ou Mestre Rubão. Um dos pioneiros da cultura do samba na cidade, e presidente de honra da Escola de Samba Mocidade Unida do Porto Meira. Aos 67 anos, Rubão contribui para a formação de uma geração de foliões e sambistas que carregam no carnaval, uma parte da história da cidade.
Nascido em Rolândia/PR, Rubão dedicou parte de sua vida ao samba. Chegando a Foz do Iguaçu na década de 1990, criou aqui raízes, e deu continuidade ao seu amor pelo samba e pelo carnaval.
Junto à Escola de Samba Clara Guerreira, pioneira do Carnaval de rua, Rubão deu início a sua história na cidade. Dez anos depois, fundava a Unidos do Porto Meira, que mais tarde tornaria-se a Mocidade Unida do Porto Meira.
Foi na comunidade do Porto Meira que propagou um forte pertencimento ao samba. Na década de 2000, época de ouro dos desfiles, conseguiu reunir no comando da bateria , quase 500 integrantes na avenida, para um público de 30 mil pessoas.
O tempo à frente da escola foi de luta e resistência. Mais de vinte anos depois, das sete escolas, apenas a Mocidade Unidos do Porto Meira ainda permanecia mobilizada, graças aos esforços de Rubão, e da comunidade ao seu entorno que abraçou o samba de quadra como uma causa.
“Ele foi um guerreiro, que botou o Porto Meira pra cima, sempre com garra e com vontade. A dedicação que teve foi tudo de bom e hoje a gente lembra que estamos aqui de passagem, e que o importante é estarmos uns com os outros, amando e cuidando”, disse a passista e aderecista, Ema Imperatriz. Raimundo Ramos dos Santos, também da velha guarda, que teve uma longa convivência com Rubão, lembrou da força de suas certezas.
“Ele era extraordinário, foi uma vida de muita luta, com muita garra, e por nada abriu mão dos princípios. Ele sempre falava da importância de nossas ancestralidade, e queria que a escola trouxesse isso, e é o que vamos levar adiante”.
“O legado dele será lembrado na cultura da cidade, pois sempre lutou pela escola, e pela comunidade. Era respeitado e empenhado. Brigou para que as burocracias pudessem ser rompidas para que a cultura chegasse ao povo”, comentou Juca Rodrigues, Conselheiro Estadual de Cultura.
Para a presidente da Associação dos Carnavalescos de Foz do Iguaçu, Eliandra Vedoy, Rubão deixa um ensinamento de vida “Um exemplo de pai e mentor, de resistência das escolas. É uma perda forte, mas também uma força para que não deixemos o samba acabar. Ele deixou muito claro o quanto estava feliz em ver união dos blocos pelo nosso carnaval, e isso nos dá força para que possamos continuar esse legado”.
O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade racial emitiu nota, onde aponta Rubão como uma das mais importantes referências da cultura popular na cidade. “Seu legado ultrapassa os desfiles carnavalescos. Permanecerá vivo na memória daqueles que reconhecem no samba uma importante manifestação cultural, social e histórica, capaz de promover inclusão, identidade, respeito à diversidade e valorização das raízes afro-brasileiras”.
A última participação de Mestre Rubão junto à escola foi em fevereiro deste ano, no desfile na Avenida Brasil, quando apresentou o enredo: “Encontro de Dois Rios com a Força da Ancestralidade”, junto à velha guarda.
Mestre Rubão deixa dois filhos, e dois netos. O sepultamento aconteceu na tarde de terça-feira no Cemitério Municipal Jardim São Paulo.

