Quando se fala em Foz do Iguaçu, costuma-se destacar a beleza natural das Cataratas, a grandiosidade da engenharia de Itaipu e as oportunidades de visita à Argentina e ao Paraguai. No entanto, muitas vezes passa despercebida uma riqueza igualmente importante: a beleza humana que nasce da integração entre os povos.
Ao longo de sua história, Foz do Iguaçu aprendeu que dividir seu espaço, sua trajetória e seus valores humanos e religiosos com outros povos e culturas impulsionou seu desenvolvimento — não só no campo econômico e tecnológico, mas também na dimensão humana.Esse desenvolvimento humano, fruto da integração entre diferentes povos e culturas, transforma Foz do Iguaçu e seus moradores em uma referência diante do atual cenário social e cultural, marcado pela polarização, pela intolerância às diferenças e pela criação de barreiras físicas e legais contra migrantes em muitos países e ambientes.
O Papa Francisco criticou esse fechamento e destacou a beleza das cidades capazes de acolher as pessoas: “Como são belas as cidades que superam a desconfiança doentia e integram os que são diferentes, fazendo desta integração um novo fator de progresso!” (EG 210).Foz do Iguaçu com seu sentido profundo de acolhida e integração de novas famílias e culturas, deu às pessoas que aqui chegaram um novo sentido de pertença, um novo enraizamento humano, um sentimento profundo de estar em casa, sentimento precioso para quem precisou migrar no passado e migrou nos tempos recentes.
Assim, Foz do Iguaçu se tornou uma cidade bela não apenas por suas paisagens e desenvolvimento econômico, mas também por sua capacidade de acolher, integrar e conviver com a diversidade. Sua história mostra que a convivência entre diferentes povos e culturas fortalece a cidade e revela que o verdadeiro progresso também se constrói com respeito, encontro e tolerância.
Ao celebrar os 112 anos de fundação de Foz do Iguaçu, parabenizo a cidade por suas belezas e, sobretudo, por sua capacidade de acolher, integrar e valorizar a diversidade. Que o futuro seja construído com abertura ao diálogo, superação das polarizações e reconhecimento da diferença não como ameaça, mas como caminho de crescimento humano e social.
Dom Sergio de Deus Borges
Bispo diocesano de Foz do Iguaçu
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