O mapa das demandas: a distância entre o plano de governo e a realidade das ruas
Do brilho dos grandes investimentos aos gargalos do esgoto a céu aberto: uma análise técnica sobre a velocidade do crescimento de Foz e o desempenho do atual governo diante dos velhos desafios.
A população espera pelo atendimento de suas necessidades mais básicas e, por isso, vai às urnas escolher seus representantes. No entanto, o cotidiano da gestão pública e do legislativo é complexo. Cada governante administra ao seu modo, equilibrando-se entre pressões políticas, turbulências, erros e acertos na escolha do secretariado, além da maior ou menor eficiência em licitações e convênios com as esferas estadual e federal. Mas uma premissa é clara: administrar uma cidade não deveria operar como uma loteria movida à sorte, mas sim como um compromisso técnico e ético com a realidade.
As cidades possuem um histórico de altos e baixos quando comparamos diferentes governos. Uns se notabilizam pela capacidade de entrega; outros, nem tanto. O fato é que, a cada troca de comando na Prefeitura, as feridas dos antecessores são expostas — independentemente de serem aliados políticos ou opositores —, e é a partir delas que se desenha o mapa das reais dificuldades do município.
Em Foz do Iguaçu, essa dinâmica não é nova. Ela remonta a períodos anteriores à gestão de Clóvis Cunha Vianna, quando a cidade foi sacudida pelo impacto monumental da construção de Itaipu Binacional. Desde então, prefeitos se alternaram administrando, muitas vezes, sob a promessa de milagres eleitorais. Mesmo os gestores que obtiveram aprovação popular deixaram arestas que, em boa parte, não foram aparadas por seus sucessores.
Os prefeitos indicados Wadis Benvenutti e Perci Lima, e, posteriormente, os eleitos Dobrandino Gustavo da Silva (por duas gestões), Álvaro Apolloni Neumann, Harry Daijó, Sâmis da Silva, Paulo Mac Donald Ghisi (dois mandatos) e Francisco Lacerda Brasileiro (também por duas gestões), executaram apenas parcialmente seus planos de governo. Ao longo desse período, iniciado em 1981, Foz do Iguaçu registrou um crescimento exponencial. Bairros inteiros se agigantaram, transformando-se quase em “cidades dentro da cidade”, gerando demandas urgentes em saúde, educação, segurança e urbanismo — desde pavimentação e iluminação até saneamento e ações sociais.
No espaço de quatro décadas, novos bairros e loteamentos foram aprovados em ritmo acelerado, mas problemas crônicos continuaram sem solução. Embora ocupações históricas como o Bubas hoje vivam sob a aura da regularização fundiária e recebam providências básicas, a vulnerabilidade ainda grita em outros cantos. Famílias inteiras ainda habitam as margens de arroios, convivendo com o esgoto a céu aberto na porta de casa — como se testemunha na Rua Flávio Cavalieri, a poucas quadras da movimentada Avenida Morenitas, no coração comercial do Porto Meira. É uma imagem forte, que contrasta diretamente com a pujança e o brilho dos cartões-postais de uma cidade que encanta o mundo pelas obras da natureza e do homem. Nesses pontos, a mão do poder público ainda não se fez totalmente presente.
Por outro lado, o ritmo de crescimento de Foz é inegável e impressionante. A malha urbana se expande conectando o Sul ao Norte, o Leste ao Oeste. Regiões como Três Lagoas ganham avenidas que progressivamente fomentam o comércio e atraem o investimento privado. Outro vetor de expansão é o distrito industrial, cuja relevância se acentua com o traçado da Perimetral Leste, muito embora o acesso pleno a essa nova via ainda enfrente gargalos estruturais de conectividade local.
Os desafios, afinal, são vultosos para qualquer governo. Historicamente, nem mesmo o robusto incremento dos royalties de Itaipu foi suficiente para suprir o déficit imposto pela velocidade do desenvolvimento, o que muitas vezes deixou o setor de planejamento urbano aquém das necessidades reais. Diante do boom imobiliário, as pessoas frequentemente se perguntam: de onde vem tanta gente para habitar os enormes edifícios, condomínios e loteamentos que surgem a todo momento? A resposta não é complexa: Foz do Iguaçu cresce em uma velocidade muito maior do que a burocracia imposta pelas demandas públicas. E quando a lentidão institucional se soma à ineficiência, o resultado inevitavelmente se traduz em gargalos urbanos.
O Almanaque Futuro acompanha de perto essa engrenagem. Conhecemos a história, compreendendo o passado para analisar o presente sem paixões partidárias. Nas páginas a seguir, apresentamos um raio-X detalhado sobre o desempenho do atual governo, analisando de que maneira a nova gestão pretende cumprir seu mandato e responder, na prática, àquilo que foi prometido aos eleitores.
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